Portugal ativa Mecanismo Europeu de Proteção Civil

Proteção Civil alerta para «potencial risco de incêndio» em regiões frágeis

Pedógão Grande, Leiria, Algarve e Norte são zonas com potencial de risco

O comandante nacional da Proteção Civil, Mário Silvestre, alertou para agravado risco de incêndio em diversas regiões de Portugal, com especial preocupação para a zona de Pedrógão Grande, onde a possibilidade de deflagrarem novamente grandes fogos é elevada.

Numa entrevista à agência Lusa, Mário Silvestre destacou a situação ao longo do IC8, itinerário que atravessa Pedrógão Grande, como um exemplo claro do perigo iminente. «Basta percorrer o IC8 para percebermos que estamos novamente naquela zona toda com potencial muito grande de ter novamente grandes incêndios», afirmou.

O comandante explicou que as áreas previamente ardidas tendem a regenerar-se com maior vigor, o que pode resultar em incêndios futuros de intensidade superior. Segundo o responsável, este fenómeno faz parte de um ciclo de fogo «perfeitamente estudado» que se repete a cada oito a dez anos.

«Se não tivermos uma intervenção humana que faça a gestão desse território, o potencial de termos grandes incêndios aumenta significativamente, até porque as alterações climáticas e a tal severidade meteorológica é bastante visível», frisou Mário Silvestre, sublinhando a importância da gestão florestal.

Questionado sobre eventuais falhas na prevenção desde 2017, o comandante preferiu não julgar, focando-se na sua responsabilidade de antecipar os riscos. «A mim cabe-me olhar para o território e tentar perceber e antecipar as zonas de maior potencial de incêndio e aquela zona [IC8], neste momento, é uma zona potencial de incêndio bastante significativa», declarou, garantindo que a Proteção Civil terá «um cuidado bastante significativo» no reforço de meios para essa área.

Outras áreas críticas

Para além da zona de Pedrógão Grande, Mário Silvestre identificou outras áreas críticas, como o pinhal interior (distritos de Leiria, Castelo Branco e Coimbra), o Algarve e o Norte do país. Este ano, a região de Leiria, afetada pela depressão Kristin que provocou a queda de milhares de árvores, representa uma preocupação acrescida. «Estamos a criar um conjunto de planos para implementar nessa região mais afetada», disse, explicando que a prioridade é desobstruir os caminhos florestais.

Apesar de Portugal ter conseguido reduzir o número de ignições nos últimos anos, o comandante alertou que essa diminuição não é tão expressiva nos períodos de maior severidade meteorológica. «Isto alerta-nos para que, quando estamos em dias de calor, a utilização do fogo tem que ser reduzida, eliminada», concluiu, apelando à responsabilidade dos cidadãos.

Reforço de medidas: mais aeronaves e uso de retardante

Para este ano, a Proteção Civil vai reforçar a sua capacidade de combate com novas medidas, baseadas nas aprendizagens de anos anteriores. Uma das principais apostas será o aumento do uso de retardante de fogo, uma substância química que auxilia na extinção dos incêndios.

Mário Silvestre adiantou que o número de Centros de Meios Aéreos equipados para utilizar retardante passará de um para cinco, com o objetivo de melhorar a capacidade de extinção, «sobretudo na sua fase inicial».

O Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) deste ano contará com um ligeiro aumento de meios operacionais e aéreos, além de várias melhorias «cirúrgicas» destinadas a otimizar a coordenação e a capacidade de resposta no terreno. As mudanças, anunciadas pelo comandante nacional da Proteção Civil, Mário Silvestre, surgem após uma avaliação dos incêndios de 2025 e num contexto em que o Governo já alertou para um ano de 2026 potencialmente muito difícil.

Uma das principais novidades é o reforço do uso de retardante no combate inicial. «Este ano teremos mais quatro centros de meios aéreos a operar com o retardante. Vamos passar para cinco. Aquilo que queremos é tentar que a taxa de sucesso que temos neste momento no ataque inicial aumente ainda mais», explicou Mário Silvestre. O comandante sublinhou que os incêndios atuais são mais violentos e propagam-se com maior velocidade, tornando o retardante «uma das grandes tentativas de melhoria contínua que o sistema está a implementar».

Outra alteração significativa passa pela reformulação dos grupos de combate de ataque ampliado dos bombeiros. Após uma análise conjunta com os comandantes, foram identificadas alterações necessárias na sua constituição. «Estamos a constituir os grupos para se ter outra capacidade e para que os comandantes desses grupos tenham outra capacidade de gestão, mantendo o grupo mais tempo em combate», referiu o comandante nacional.

A Proteção Civil vai também «tentar potenciar a capacidade de análise e uso do fogo» através da introdução de equipas especializadas em cada sub-região do país. Estas equipas de reconhecimento e avaliação da situação terão a missão de analisar os grandes incêndios e transmitir informação sobre o risco ao comandante das operações, permitindo «uma maior capacidade de antecipação» e uma melhoria na comunicação.

O dispositivo de combate a incêndios rurais será reforçado a partir da próxima sexta-feira, com um total de 11.955 operacionais, 2.599 veículos e 37 meios aéreos a postos no terreno. A este contingente somam-se ainda três helicópteros da AFOCELCA, uma empresa privada de proteção florestal.

Este primeiro reforço, denominado 'nível Bravo', inicia-se a 15 de maio e estende-se até ao final do mês, altura em que os meios voltarão a ser aumentados. A fase mais crítica, que decorre entre julho e setembro, mobilizará o maior dispositivo de sempre, com 15.149 operacionais, 3.463 viaturas e 81 meios aéreos, incluindo os da AFOCELCA, representando um ligeiro aumento face ao ano anterior.

Uma das novidades para este ano é a inclusão, pela primeira vez, de dois helicópteros Black Hawk da Força Aérea no combate aos fogos rurais.

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