Presidente do Nápoles ao ataque: «FIFA e UEFA mentem sobre as receitas»
Conhecido por não ter papas na língua e causar controvérsia, Aurelio De Laurentiis concedeu uma entrevista à CBS que está a fazer furor em Itália. O presidente do Nápoles abordou vários temas, desde a crise do futebol transalpino às «mentiras» da UEFA e da FIFA nas questões financeiras, passando por mudanças profundas que considera essenciais para e evolução do desporto-rei.
Sobre o sucessor de Gabriele Gravina na presidência da Federação italiana, o líder dos napolitanos não tem dúvidas: «Não precisamos de um ex-jogador, tem de ser alguém que consiga dialogar politicamente com o governo para alcançar algo que nunca tivemos. Precisamos de colaborar; se precisamos de resolver problemas fiscais e burocráticos, têm de nos ajudar. Precisamos de pessoas com credibilidade, que possam falar com os ministros e resolver problemas. Gravina queria proteger-se, Gattuso não sabia para onde ir nem o que dizer. É ansiedade. Têm de estar relaxados; para terem sucesso, precisam de estar relaxados».
Como já é habitual, De Laurentiis contestou o atual sistema do futebol, tecendo duras críticas à UEFA e pela FIFA: «Eles ganham demasiado dinheiro, quando os lucros deveriam reverter para os clubes e não para as federações. Dizem que distribuem riqueza, mas não é verdade. Mentem, não dizem a verdade».
Do aspeto económico, passou para o mais desportivo, relacionado com a gestão dos jogadores pelas seleções nacionais. «É preciso reduzir o número de jogos durante a época, para que se possa treinar a seleção nacional durante dois meses. Há anos que venho a insistir para que se volte às 16 equipas na Serie A. Gostaria de saber por que razão não existe seguro se um jogador se lesionar na seleção nacional. Por que é que a UEFA e a FIFA não o incluem? Se um jogador ficar de fora durante um mês, deviam dar-te uma determinada quantia de dinheiro e assim por diante, se a ausência se prolongar. Se ele não puder jogar durante um ano, deviam dar-te o dinheiro para comprares um jogador do mesmo nível», desabafou.
Mas este não é o único ponto crítico para o presidente do atual campeão italiano: «Se querem os nossos jogadores, têm de lhes pagar. Se o salário anual é de 10 milhões, se eles têm os jogadores durante um mês, têm de me dar um milhão. Por que tenho de lhos dar de graça? São minha propriedade, não deles. É demasiado fácil para eles levarem 15 jogadores e não lhes pagarem, ou receberem dinheiro por baixo da mesa de agentes para os convocarem para a seleção nacional. É pouco profissional, mas está a acontecer em Itália.»
Antes de terminar, De Laurentiis enumerou uma série de propostas para tornar o futebol mais atraente para as novas gerações: «Temos de renovar tudo; os rapazes cresceram com telemóveis, são muito impacientes: têm paixão, mas não têm paciência. Só conseguem assistir a um jogo de duas horas se estiverem no estádio. Poderia dividir-se os dois tempos, talvez 25′ e 25′ consecutivos, com o tempo real, como no basquetebol!»