Tempestade Kristin provocou muitos estragos em várias instalações desportivas no país - Foto: MIGUEL NUNES
Tempestade Kristin provocou muitos estragos em várias instalações desportivas no país - Foto: MIGUEL NUNES

Pelo futuro do futebol português

Futebol para Todos é o espaço de opinião de Vasco Pinho, Diretor da Federação Portuguesa de Futebol

Aproxima-se o início de uma nova temporada. Para milhares de atletas, é o regresso aos clubes e àquilo que mais amam, o amor pelo futebol, num sistema que encontra nos clubes a base de uma pirâmide de sucesso, suportada pelas Associações Distritais e Regionais, pelos municípios e pelas famílias, o ponto mais importante na formação. Mas tudo é impossível de alcançar sem os clubes, ponto de encontro com a prática desportiva.

Nos últimos anos, por força do sucesso deste ecossistema e de um país repleto de talento, o futebol português tem sido apetecível para a entrada de investidores, não apenas no Futebol Profissional, mas também na base, ao ponto desta prática estar já normalizada nos emblemas das nossas cidades.

Não podemos ser injustos para alguns investidores que entraram no futebol português. Sou testemunha de vários clubes que, hoje, se encontram noutro patamar a nível de infraestruturas e recursos humanos por força desse know-how.

Investidores que respeitam os valores e o património dos clubes de origem e que souberam integrar-se da melhor maneira nas respetivas comunidades.

Esse é o tipo de investidor que o futebol português precisa. E que tem de ser incentivado e defendido. Mas, por outro lado, são vários os casos de maus investimentos (e investidores) em clubes históricos, vários centenários, que acabam a regredir, até a atravessarem perigo de extinção. Em cada emblema em dificuldades, existem centenas de atletas que abandonam o desporto, por deixarem, de um dia para outro, de terem local para praticar atividade física.

O atual quadro legislativo tem-se revelado ineficaz. Atualmente, cabe ao IPDJ proceder ao escrutínio dos investidores, mas assente num modelo reativo e sem capacidade de resposta quando existem problemas. A Federação Portuguesa de Futebol, em conjunto com os seus sócios ordinários, há muito que tem alertado para as insuficiências deste modelo. E com propostas.

Pelo conhecimento que o futebol possui de todas as realidades, seja Profissional ou Não-Profissional, a FPF defende que os mecanismos de escrutínio devem estar no futebol, através de um órgão independente, que assegure princípios de rigor e transparência, na defesa dos clubes e da integridade das competições.

Cada atleta que perdemos é um futuro em suspenso. Mas cada clube em crise representa a possível perda de um património material e imaterial incalculável. Que pode trazer consequências nefastas para as comunidades. Esta mudança está a tornar-se urgente. E não podemos perder mais tempo.

A iniciar sessão com Google...