Pedro Henriques analisa as quedas nas áreas no Arsenal-Sporting
13’: Ligeiro. Na área dos londrinos, Hincapié dá um toque com o pé direito no pé esquerdo de Geny Catamo, que não cai de imediato e ainda dá mais uma passada. O contacto existiu, mas não foi suficiente para provocar a queda, ou seja, foi inconsequente e sem motivo para penálti. Geny Catamo até sofreu um toque no pé, mas, ao ter-se mantido sem cair, dado mais um passo e colocado por duas vezes o apoio no solo, e só ter caído depois e mais à frente, tirou ao árbitro a eventual dúvida sobre a intensidade do contacto ou da chamada relação causa/efeito e consequência. Na filosofia da UEFA, estes contactos e estas quedas posteriores e demoradas em relação ao momento do contacto normalmente não são punidos.
42 Com a bola longe, William Saliba deixa, de forma deliberada, a sua mão esquerda para trás, acertando em cheio com um dedo no olho direito de Geny Catamo. Uma ação negligente, deliberada e completamente intencional, que era passível, para além de livre direto, de cartão amarelo.
45 Não houve praticamente motivo para adicionar tempo extra ao primeiro tempo, apenas pequenas interrupções de jogadores que, sem receber assistência médica, demoraram um pouco mais a recuperar de lesões momentâneas, razão pela qual só foi dado um minuto de tempo adicional.
65 Um defesa, quando está na sua área e põe as mãos no corpo do adversário, corre sempre o risco da interpretação do árbitro: se esse contacto é suficiente e consequente em relação a uma queda, perda de bola ou à impossibilidade de chegar ao esférico, etc.
E, neste lance em concreto, o jogador do Arsenal correu esse risco. Cristhian Mosquera, por trás, colocou as duas mãos nas costas de Maxi Arajo, que acabou por, ao sentir esse contacto, se deixar cair. Houve risco, sim, mas não houve infração, pois o uruguaio leonino já estava projetado para a frente e em desequilíbrio.
De realçar que, na UEFA, estes lances na área têm merecido cada vez mais atenção, pois a tendência é a de empurrões/agarrões só serem punidos quando houver causa evidente e consequência direta, clara e inequívoca, para o árbitro punir e, sobretudo, para o VAR intervir. Não querem “soft penáltis”, por saberem que os atacantes agora aproveitam muito mais os toques que sentem para cair.
Ou seja, o “claro e óbvio”, que está inerente ao protocolo VAR para que intervenha, está também a ser a tendência e, sobretudo, as indicações dadas aos árbitros em matéria de contactos no interior das áreas. Podemos ou não concordar, mas é isto que a UEFA cada vez mais tem como referência e doutrina.
70 Protestos. Cartão amarelo mostrado ao treinador do Arsenal, Mikel Arteta, no banco dos suplentes, por protestar, uma vez mais, uma decisão do árbitro, que, antes de o advertir, fez-lhe o gesto com os dedos de que era a segunda vez que reclamava, justificando assim a advertência.
79 Pisão. Maxi Araújo entra fora de tempo e pisa, com a sola e pitons, com o seu pé esquerdo, de frente, o pé esquerdo de Max Dowman. Uma entrada negligente, passível de cartão amarelo, que foi mostrado pelo árbitro. Decisão disciplinar correta.
90 Foram dados quatro minutos de tempo extra, recuperação de tempo perdido escassa para as incidências, pois, para além da lesão de Noni Madueke, que recebeu assistência médica em campo e foi substituído, foram mostrados dois cartões amarelos (um em campo e outro no banco) e houve cinco paragens para substituições, onde entraram nove jogadores.
90+4 Fora da área técnica. Rui Borges, treinador dos leões, também foi advertido no banco, pois, acompanhado pela 4.ª árbitra, a francesa Stéphanie Frappart, que chamou o árbitro, foi-lhe mostrado o cartão amarelo, não por protestos, mas por estar fora da sua zona de ação.
Árbitro: François Letexier (França) Nota 6
Assistentes: Cyril Mugnier e Mehdi Rahmouni (França)
4.º árbitro: Stéphanie Frappart
VAR: Bastian Dankert (Alemanha)