«Para quem é de Guimarães, dérbi do Minho é o único que importa»
É já no sábado que o futebol português vai conhecer, pela primeira vez na história, uma final entre os dois grandes rivais do Minho: Vitória de Guimarães e SC Braga medem forças em Leiria na final da Taça da Liga.
João Pedro, antigo médio dos vimaranenses e um atleta da casa — cumpriu a formação no emblema da Cidade Berço, de onde é natural — espera um duelo pautado pelo equilíbrio entre os dois conjuntos, tendo em conta o momento atual de ambas as equipas.
Em conversa com A BOLA, o ex-jogador vitoriano analisa as turmas minhotas e lança um dérbi que é sempre especial.
Análise às duas equipas
«Espero um jogo equilibrado, com duas equipas num bom momento, com modelos de jogo distintos. Um SC Braga que, apesar de um início um pouco desconfiado, começa a demonstrar a qualidade que se antevia. Um quase todos os jogos este ano, foi dono do jogo, foi a equipa com mais posse, com mais domínio. E o Vitória chega num momento em que algumas individualidades começam a aparecer num registo que não era expectável. Um Vitória com um Saviolo muito confiante; um Camará com um potencial enorme; o Telmo [Arcanjo] a mostrar mais do mesmo; o Beni a tornar-se o patrão do meio-campo, como era previsível para quem o conhecia. O Gonçalo Nogueira tem sido uma surpresa no meio-campo, um poço de força e de qualidade que dá um equilíbrio bastante interessante com o Beni. É uma equipa que começa a mostrar as suas mais-valias e em termos táticos tem sempre alguma variante interessante para acrescentar no jogo, como foi o caso da meia-final [frente ao Sporting].»
Partida equilibrada
«Espero, dentro daquilo que são as ideias de cada uma das equipas, um jogo equilibrado. Espero, obviamente, que o Vitória ganhe e consiga contrariar o jogo do SC Braga, seja de que maneira for. Espero também que estas duas equipas façam valer o facto de estarem nesta final, sendo que é uma competição que é muito criticável — e eu sou um dos que critica a final desta competição. Seria interessante marcarem uma posição, demonstrarem que há qualidade em Portugal além dos três grandes. A verdade é que os trajeto do Vitória, ao eliminar FC Porto e Sporting, e do SC Braga, ao eliminar o Benfica, demonstram isso mesmo. Pode ser uma boa montra para que se alargue a Taça da Liga a mais clubes. Que seja feito um formato muito mais global, porque, desta maneira, este formato não serve. Não interessa, sinceramente, a ninguém, por muito que seja uma final inédita e que SC Braga e Vitória estejam motivadíssimos para a ganhar. Acho que é preciso também marcar uma posição. Os dois clubes são rivais, mas acho que se deviam unir nesta luta contra o sistema, no fundo.»
Numa final entre rivais, pesa mais o plano tático ou o lado emocional?
«Acredito que as duas coisas são igualmente importantes. Normalmente o jogo, a vertente tática, vai ter uma componente muito importante, porque são duas equipas com modelos distintos. Uma delas com um modelo muito vincado, em que assume a posse de bola, seja contra que equipa for; e uma que se calhar tem um sistema mais adaptativo, mas sempre com uma variante que permite contrariar e equilibrar forças seja com que adversário for. Portanto, o plano tático vai ser importante. E depois, obviamente, o lado emocional vai comandar muita coisa. Não consigo dizer qual é o plano ou lado mais, mais importante numa final destas... também porque nunca existiu.»
Peso da experiência numa final desta dimensão
«Claramente, a experiência numa final faz sempre muita diferença e nesse capítulo o SC Braga sai por cima, porque tem jogadores mais maduros, mais habituados a estas andanças. Tem um campeão europeu no seu plantel. E o Vitória, depois de um mercado de verão em que remodelou muito a equipa, está a apostar claramente em jogadores jovens. É óbvio que a experiência vai fazer a diferença, mas assim como a irreverência também pode. Acaba por tirar um sentido de responsabilidade às coisas e em certos momentos isso pode ser perigoso para o adversário.»
Memórias dos dérbis do Minho
«São boas memórias. Para mim, enquanto vitoriano e vimaranense, é sempre diferente e especial. Para outros, acredito que possa não ser, porque nem todos são formados em Guimarães. Do lado do Braga, exatamente a mesma coisa, acredito que haja quem sinta mais e há quem sinta menos. Há depois aqueles que aprendem a gostar, tanto de um lado como do outro, e que também começam a sentir as coisas. São jogos extremamente quentes e acesos. As bancadas e os adeptos no seu top, muito efusivos. Quando as coisas correm bem, é uma alavanca enorme para o jogo do Vitória. E é isso que eu espero, que a equipa seja empurrada pelos adeptos. Especialmente os adeptos fazem muito do que é este dérbi. As memórias que eu tenho são boas, porque são jogos que me fizeram sentir jogador. Já jogo estes dérbis desde os 13 anos, e são sempre especiais e diferentes. Deixa de haver um favorito. A classificação pouco ou nada importa. O próprio momento do jogo também pouco ou nada importa. O dérbi do Minho é muito especial. Não é maior que o dérbi de Lisboa, nem que os clássicos da nossa Liga, mas é, para quem é do Minho e de Guimarães, o único que importa.»