André Villas-Boas, presidente do FC Porto - Foto: IMAGO
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Óscar de melhor realizador para André Villas-Boas

Ao nível da criatividade, o que se tem passado no Estádio do Dragão é forte candidato a ganhar estatuetas, tanto no argumento como nas categorias mais técnicas… Este é o 'Nunca mais é sábado', espaço de opinião de Nuno Raposo

Não fosse a polémica em volta de Cristiano Ronaldo e ainda hoje, 11 dias depois do clássico entre FC Porto e Benfica (3-1), se estaria a fazer o rescaldo do encontro, não sobre o futebol jogado, mas sobre tudo o resto, uma terceira parte que no Dragão teima em ser uma autêntica festa, às vezes de horrores, e não apenas uma festinha como aquela que André Villas-Boas viu de Samu a Bah.

Acho que se enquadra nas frustrações, cada um busca os métodos mais criativos para arranjar maneiras de suspender jogadores do FC Porto para outros jogos. Evidentemente que nada se vai passar, porque são atos que escapam naturalmente ao juízo dos árbitros no minuto de jogo. Se calhar o VAR não tinha as imagens para analisar a festinha que o Samu fez ao Bah da forma correta e também de pouco adiantaria, porque seguramente não seria uma expulsão

Diz o presidente dos azuis e brancos que «seguramente não seria uma expulsão», curiosa certeza num jogo em que gesto de Lenglet mereceu amarelo (segundo), sendo uma festinha bem mais suave…

Não é difícil pegar numa declaração de um presidente de clube ou de outra pessoa qualquer e encontrar contradições, é até natural e todos o fazemos, mas importa recordar ao líder portista, a falar do pedestal de quem venceu o jogo, que também ele no passado usou a mesma tática que agora aponta com dedo acusatório, basta recuar à segunda metade da época passada, nem é preciso sair de 2026, para nos lembrarmos da queixa pelos dragões apresentada ao Conselho de Disciplina contra Hjulmand por suposta agressão do capitão do Sporting a jogador do Aves SAD Tiago Galletto, aos 115 minutos do jogo dos quartos de final que os leões venceram por 3-2. Ou participação disciplinar contra Gonçalo Inácio, na sequência de um lance com William Gomes ocorrido nos minutos iniciais do clássico da segunda mão das meias-finais da Taça de Portugal entre leões e dragões.

Não terão sido estes dois exemplos menos criativos do que os criticados agora por Villas-Boas, que a nível de criatividade tem no clube que lidera um candidato a muitos Óscares: de melhor montagem e edição para quem pensou em colocar vídeo em loop no balneário do árbitro Fábio Veríssimo; do melhor guarda-roupa para as camisolas do Atlético de Madrid levadas por adeptos em lugares estratégicos; de melhor som para o sistema de abafar os cânticos das claques adversárias; do melhor argumento adaptado no roubo das toalhas a Rui Silva, algo visto na final da CAN; de melhor banda sonora para a música das galinhas que se ouviu na instalação sonora do Dragão no final do jogo com as águias… Enfim, um argumento todo ele digno de estatueta.

A interpretação de Samu no referido lance com Bah também mereceria Óscar para melhor ator, dada a forma veemente como um jovem espanhol de 22 anos já vestiu a pele do contra tudo e contra todos que Villas-Boas resolveu recuperar quando na chegada à presidência prometia uma lufada de ar fresco.

A direção de elenco também nestes tempos parece que está bem entregue a Francesco Farioli, há pouco mais de um ano em La Famiglia Portista, conceito adotado pelos dragões com a chegada do italiano para o comando técnico, e que desde a «imprensa do sul» ao discurso sobre arbitragens já incorporou todos os clichés e stranger things herdados do velho FC Porto pelo novo FC Porto.

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