Óscar de melhor realizador para André Villas-Boas
Não fosse a polémica em volta de Cristiano Ronaldo e ainda hoje, 11 dias depois do clássico entre FC Porto e Benfica (3-1), se estaria a fazer o rescaldo do encontro, não sobre o futebol jogado, mas sobre tudo o resto, uma terceira parte que no Dragão teima em ser uma autêntica festa, às vezes de horrores, e não apenas uma festinha como aquela que André Villas-Boas viu de Samu a Bah.
Diz o presidente dos azuis e brancos que «seguramente não seria uma expulsão», curiosa certeza num jogo em que gesto de Lenglet mereceu amarelo (segundo), sendo uma festinha bem mais suave…
Não é difícil pegar numa declaração de um presidente de clube ou de outra pessoa qualquer e encontrar contradições, é até natural e todos o fazemos, mas importa recordar ao líder portista, a falar do pedestal de quem venceu o jogo, que também ele no passado usou a mesma tática que agora aponta com dedo acusatório, basta recuar à segunda metade da época passada, nem é preciso sair de 2026, para nos lembrarmos da queixa pelos dragões apresentada ao Conselho de Disciplina contra Hjulmand por suposta agressão do capitão do Sporting a jogador do Aves SAD Tiago Galletto, aos 115 minutos do jogo dos quartos de final que os leões venceram por 3-2. Ou participação disciplinar contra Gonçalo Inácio, na sequência de um lance com William Gomes ocorrido nos minutos iniciais do clássico da segunda mão das meias-finais da Taça de Portugal entre leões e dragões.
Não terão sido estes dois exemplos menos criativos do que os criticados agora por Villas-Boas, que a nível de criatividade tem no clube que lidera um candidato a muitos Óscares: de melhor montagem e edição para quem pensou em colocar vídeo em loop no balneário do árbitro Fábio Veríssimo; do melhor guarda-roupa para as camisolas do Atlético de Madrid levadas por adeptos em lugares estratégicos; de melhor som para o sistema de abafar os cânticos das claques adversárias; do melhor argumento adaptado no roubo das toalhas a Rui Silva, algo visto na final da CAN; de melhor banda sonora para a música das galinhas que se ouviu na instalação sonora do Dragão no final do jogo com as águias… Enfim, um argumento todo ele digno de estatueta.
A interpretação de Samu no referido lance com Bah também mereceria Óscar para melhor ator, dada a forma veemente como um jovem espanhol de 22 anos já vestiu a pele do contra tudo e contra todos que Villas-Boas resolveu recuperar quando na chegada à presidência prometia uma lufada de ar fresco.
A direção de elenco também nestes tempos parece que está bem entregue a Francesco Farioli, há pouco mais de um ano em La Famiglia Portista, conceito adotado pelos dragões com a chegada do italiano para o comando técnico, e que desde a «imprensa do sul» ao discurso sobre arbitragens já incorporou todos os clichés e stranger things herdados do velho FC Porto pelo novo FC Porto.
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