Farioli lamentou eliminação dos portistas da Liga Europa - Foto: PETER POWELL/EPA
Farioli lamentou eliminação dos portistas da Liga Europa - Foto: PETER POWELL/EPA

Orgulho na equipa, oportunidades e foco no Tondela: tudo o que disse Farioli

Treinador dos dragões analisa derrota em Nottingham, que ditou a eliminação da Liga Europa

NOTTINGHAM — Francesco Farioli analisou a derrota do FC Porto pela margem mínima (0-1) em Inglaterra, frente ao Nottingham Forest, que ditou a eliminação nos quartos de final da UEFA Europa League.

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- Apesar da eliminação, a equipa sai mais forte deste encontro? Houve problemas com a reposição de bolas, o que aconteceu?

- Depois de uma exibição deste nível só podemos falar sobre o jogo. Nestes dois jogos, o arrependimento é maior no jogo do Dragão, em que podíamos ter marcado dois ou três golos. Hoje, tivemos a primeira oportunidade, falhámos e depois o vermelho mudou muita coisa. Não foi fácil ajustar; mudámos quatro jogadores ao intervalo e alterámos questões táticas. O que dizer destes jogadores? Estou muito orgulhoso deles, pelo espírito, pela inteligência de perceber o jogo e pelo esforço. Jogar com 10 contra uma equipa da Premier League e ainda termos duas bolas na trave e um livre perigoso... provavelmente merecíamos estar nas meias-finais, mas temos de aceitar o resultado dentro do campo. Agora é virar a página e preparar o jogo de domingo contra o Tondela.

- Ser eliminado por uma equipa que luta pela manutenção na Premier League diz o quê sobre o FC Porto? A qualificação do SC Braga merece-lhe algum comentário?

- Parabéns ao SC Braga. Antes do jogo desta noite, apenas duas equipas estavam a jogar em três competições em toda a Europa: o Bayern e o FC Porto. Jogámos o nosso melhor, mas infelizmente não foi suficiente. Provámos que podemos competir a um nível muito alto. A motivação e a qualidade estão no caminho certo. O que fizemos até agora não chega, vamos chegar a este mês cheio de jogos importantes com duas competições para ganhar. Vamos passo a passo: agora pensamos no Tondela, depois no próximo, depois no próximo...

- O autogolo de Martim Fernandes e a expulsão de Bednarek pesaram muito no desfecho da eliminatória?

- Numa eliminatória destas, é claro que a qualificação é feita de momentos. Quando temos sete ou oito oportunidades no Dragão e falhámos... o que aconteceu na semana passada é um episódio único, algo que pode acontecer no futebol. Hoje, sofremos um golo com um desvio, falhámos uma oportunidade no início, tivemos duas bolas ao poste... Fizemos tudo para passar, mas não conseguimos concretizar o que criámos. Foi o que aconteceu contra uma equipa muito forte, mas acredito que merecíamos ter passado à próxima fase.

- Decidiu não mexer logo na equipa depois do vermelho...

- Mudámos várias coisas: começámos a jogar com dois avançados, mudámos a forma completamente. Em três minutos passámos a informação e os jogadores estiveram muito bem. Fomos agressivos, recuperámos bolas mesmo com menos um jogador e gerámos as melhores oportunidades na segunda parte. Fizemos o que tínhamos de fazer, mas não foi o suficiente. Parabéns ao Nottingham. Do nosso lado, fica o orgulho de um grupo incrível de jogadores e alguma tristeza sobre o que poderia ter sido. Infelizmente, não chegou.

- Preocupa-lhe o facto de a equipa ter acabado o jogo num grande esforço físico? Tempo de compensação foi curto?

- Um minuto a mais, um minuto a menos... A realidade é que fizemos uma grande exibição na segunda parte. Estávamos com 10 homens, com dois mil adeptos nas bancadas a fazer um trabalho incrível. De fora, se não contarmos as camisolas, parecia que o FC Porto tinha mais um jogador do que o Nottingham Forest. Houve muito apoio dos adeptos e um grande esforço de todos no campo. Recuperar com menos um não é fácil, fomos fantásticos. Jogámos contra jogadores de topo da Premier League. Honestamente, fico muito orgulhoso com o que fizemos.

- Com que sensações sai a equipa deste jogo? Calendário fica menos carregado...

- Sobre a parte emocional, se formos maduros, o jogo só nos pode dar boas sensações. Não há nada de mau a trazer de volta ao Porto, a não ser a eliminação. Agora temos um calendário diferente daquele que queríamos, com três jogos a menos, mas estamos concentrados em duas competições agora. É importante estarmos focados nisso.

- O que disse a Bednarek no final do jogo?

- O que digo aqui é o que disse aos jogadores: não podia pedir mais. Não há arrependimentos — talvez apenas do jogo no Dragão, pela falta de eficácia, mas não pela falta de qualidade. Hoje, só agradeço aos jogadores pelo que fizemos nestas circunstâncias tão difíceis.

- Apesar da expulsão cedo, optou por não colocar nenhum central...

- O Pablo [Rosario] é um joker incrível, que nos dá várias posições. Foi a primeira resposta para tentar ajustar sem gastar substituições. Infelizmente, sofremos pouco depois, após uma bola perdida e um remate com um desvio infeliz. A ideia era tentar chegar ao intervalo com 0-1, depois tentar reajustar, mudar algumas questões táticas e tentar competir até ao fim. Fizemo-lo, e melhor do que eu estava à espera. Criar oportunidades não era fácil. Não nos devemos esquecer da equipa que defrontámos e da qualidade que têm, tanto coletiva como individualmente.