Rui Borges - Foto: MIGUEL NUNES
Rui Borges - Foto: MIGUEL NUNES

O «plantel fechado», os reforços e Hjulmand: tudo o que disse Rui Borges

Treinador do leonino tocou nos temas quentes da atualidade verde e branca. Projetou um duelo difícil em Vila do Conde, voltou a abordar a questão Luis Suárez, analisou os reforços e confirmou, ainda, um regresso para o jogo de sexta-feira

— O que é que espera do Rio Ave?

— Um adversário difícil. Uma equipa muito competitiva, forte nos duelos e muito pragmática. É a segunda equipa com mais duelos ganhos e o jogador com mais duelos ganhos é o avançado. Isso demonstra bem a capacidade de bola longa e de ganhar o primeiro duelo. Depois tem dois alas fortes no um contra um e rápidos; um 10 também nesse sentido, um médio ofensivo também muito forte. São muito agressivos no processo ofensivo. Atleticamente também poderosos. Um campo sempre difícil, condicionado ou não — esperemos que não — pelo tempo, a chuva e o vento. Percebemos as dificuldades que vamos ter amanhã, uma equipa que perdeu em Barcelos mas com um golo aos 90, uma equipa que se bateu muito bem com o FC Porto e uma que tem uma vitória num campo difícil, que é o do Estoril. Estarão motivados, já conhecem a dinâmica do seu treinador, já se conhecem mutuamente e queremos muito dar seguimento ao que tem sido o nosso crescimento enquanto equipa.

— O que Zekri e Kaique podem acrescentar à equipa? A que se deveu a saída de João Virgínia?

— Em relação ao João, deixar aqui uma palavra de boa sorte. Teve um grande comportamento ao longo do tempo que esteve no Sporting. Exemplar no dia a dia, muito importante para o grupo também, apesar de não ter sido o guarda-redes titular. Teve sempre um grande compromisso e uma grande capacidade de trabalho. Deixar um agradecimento grande e desejar-lhe a maior sorte do mundo. Sobre a mudança, teve muito a ver com o momento em si. Ele também procura e quer jogar e merece isso. O Kaique foi uma oportunidade, olhávamos há algum tempo para ele e pensamos que poderá ter um futuro muito bom. O Zekri é um miúdo que, apesar da sua tenra idade, já tem muitos jogos numa primeira divisão. Tem capacidade técnica e alguma maturidade, apesar dessa idade. Um miúdo super motivado, percebe para onde vem, percebe que vai crescer também, porque tem um grande lateral-esquerdo, dos melhores do mundo, a lutar pela sua posição. É alguém que perspetivamos um grande futuro.

— O futuro de Luis Suárez passa pelo Sporting?

— É um não assunto. Já o esclareci, está a treinar bem, está focado e está convocado para o jogo de amanhã. É tão simples quanto isto. Falei com ele como falo com todos os outros.

— Como vê esta situação de estar a trabalhar com jogadores que tiveram peso ao longo destes últimos anos e ainda não terem saído? Isso incomoda-o?

— Não me incomoda. Têm tido um comportamento excecional. Quando fechar o mercado, se continuarem a ser jogadores do Sporting, será com todo o gosto. São grandes jogadores a quem devemos muito, porque deram sempre tudo pelo Sporting e marcaram a história do clube. São jogadores que estão à procura de novos desafios e é uma questão, mais do que para mim, para eles também, de verem rapidamente a sua situação resolvida.

— Quais as baixas para esta partida? Ioannidis está disponível?

— Em relação ao posto médico, o Ioannidis treinou toda a semana, por isso está apto e está convocado para o jogo. É só mesmo o João Simões, o Salvador Blopa e o Nuno Santos, são os três que estão no boletim.

— Há duas semanas disse que estava ansioso por treinar o Irakunda. Como é que têm sido estes primeiros treinos?

— Tem sido desafiante também conhecê-lo mais a nível do campo. Tem dado boas sensações e acredito mesmo que será um jogador muito importante ao longo da época, até pelas suas características. Este tempo tem-nos ajudado também, o Jesse também tem vindo a crescer naquilo que é um melhor entendimento da equipa e o que é pedido para a sua posição. Tem sido um desafio muito bom. Muito feliz por vê-los crescer e ver que são dois miúdos que querem aprender rápido, tornar-se mais uma solução para o treinador e ajudar a equipa.

— O plantel está fechado a partir de agora? Quais as diferença entre jogar com o Flávio ou jogar com o Irakunda?

— São jogadores de características diferentes. O Flávio não é um extremo de raiz, é um jogador de jogo interior, mais do que exterior. O Irankunda dá-nos as duas coisas: é potente, é mais extremo nato, dá-nos jogo exterior, aceleração, jogo mais vertical, potência. O Flávio dá-nos um jogo mais pausado e associativo. Foi nesse entendimento também que quisemos acrescentar coisas diferentes ao plantel. Em relação ao plantel fechado, sim, à partida, estará fechado. Há sempre surpresas, mas espero bem que não as haja, porque os jogadores do Sporting são sempre pretendidos e é natural que se fale deles. Agora, para nós, está fechado.

— Relativamente às declarações de Frederico Varandas sobre Hjulmand, o presidente disse que houve um comportamento menos profissional do ex-capitão do Sporting. Quer aprofundar esse caso? Pensa que faltam jogadores que consigam pausar o jogo ao plantel?

— Para mim não faltam. São jogadores diferentes e com dinâmicas diferente. Antes falavam da linha de três atrás, depois quando jogava com dois era porque com três é que era melhor. Agora, já não se fala nos três centrais. Tínhamos um jogo muito associativo, mudou porque não temos as mesmas características. O futebol é isto: é a adaptação àquilo que queremos dentro daquilo que são as dinâmicas e perceber as características individuais que temos. Não vão dar um jogo tão pausado, vão dar um jogo diferente. Dão-nos mais objetividade em alguns momentos do jogo que não tínhamos antes. Tudo isso é um crescimento que vamos ter enquanto equipa. Estou feliz com o meu plantel e com as características que tem. Sei bem daquilo que são as dores de crescimento — e não me vou agarrar a isso — quando digo que temos dores de crescimento e precisamos de ter este tempo. Estamos a falar do Doumbia que vem da segunda liga italiana, do Sergi que vem do Betis mas já nem jogava na sua posição a seis, jogava mais a oito e não era um titular. O Flávio que vem da equipa B. O Zalazar sim, é um jogador mais maduro que já está mais habituado ao nosso futebol. Tirando isso, há aqui algumas adaptações desses jogadores, principalmente no corredor central, que são importantíssimas para a equipa. O crescimento vai acontecer e nós vamos nos adaptando também às características deles e a própria equipa também. Em relação ao jogo pausado, não estou preocupado se tenho um jogador que pausa mais o jogo como o Morita. O Morita dava umas coisas, o Doumbia vai dar outras, mas diferentes. O Morita tinha 30 anos e este tem 21 ou 22, por isso o crescimento vai ter que existir ao longo do tempo.

Em relação ao Morten, é um não assunto. Não deixa de ser um grande profissional, foi sempre o nosso capitão. É natural que o mercado mexa muito com os jogadores, não só no Sporting. Estamos mais focados no Rio Ave e esperar que o Morten tenha muita sorte porque a merece, não só como atleta mas como homem.

— Toda essa juventude no plantel pode custar ao Sporting a capacidade de lutar pelo título? No ano passado, referiu que a passagem aos quartos-de-final da Champions, de certa forma, custou a luta pelo campeonato, este plantel, em termos de profundidade, já lhe dá garantias nesse aspeto?

— A profundidade é relativa, porque tivemos algumas lesões que não conseguimos controlar e levou-nos a sobrecarregar muitos jogadores em alguns momentos, na época passada. Sobre o objetivo para a Champions, realçar aquilo que têm sido os três anos de Sporting seguidos na Champions, continuar este crescimento e mantermo-nos entre os melhores da Europa. Queremos estar lá e bater-nos com os melhores. Isso é que nos tem que motivar.

Sobre a média de idades, é perceber o projeto Sporting. Não é de agora, é de sempre. A média de idades dos reforços penso que anda à volta dos 21 anos. É uma equipa jovem. Tínhamos uma equipa mais madura, mas faz parte e para mim é desafiante. Eu gosto enquanto treinador. Vamos continuar a ser um Sporting forte, com maior ou menor dificuldades, vamos tê-las, isso não me preocupa, faz parte do crescimento e do desafio. Agora é perceber aquilo em que estamos inseridos, onde estamos, o clube que representamos e, acima de tudo, manter-nos fiéis àquilo que tem sido o Sporting e o tal crescimento do Sporting. O Sporting tem sido bastante competitivo ao longo dos últimos anos, independentemente da média de idades. Se estão aqui é porque têm qualidades. Resta-nos a nós, enquanto treinadores e estrutura, fazê-los crescer e adaptar-se o mais rapidamente possível à exigência de lutar por tudo. E essa maturidade tem que se ir ganhando; quem ganhar mais rápido, mais oportunidades tem. Por isso, para mim, zero problema, pelo contrário: super motivante e desafiante em poder fazer crescer uma equipa nova dentro da exigência de um campeão.

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