O Mundial-2026 está em risco?
A pergunta é naturalmente de retórica, porque sabemos quem no final ainda manda em tudo isto, mas não deixa de saltar como um cogumelo horas depois de o laureado com o prémio da paz da FIFA ter entrado por um país soberano adentro para capturar o respetivo presidente e levá-lo a julgamento nos Estados Unidos.
Claro que a grande preocupação de Donald Trump é o bem-estar do povo venezuelano, que agora terá um governo justo e democrático. A questão dos recursos naturais da Venezuela, nomeadamente o petróleo, é secundária. Assim como o facto de ser um Estado sob alegada influência chinesa nada conta numa América que quer ser grande outra vez (como se não tivesse sido sempre) e só vê a Paz como desiderato último da missão da personagem cor de laranja que Deus enviou à Terra para recolocar as coisas no sítio.
Imagino o regozijo de dezenas e dezenas de países do Mundo que também têm meia dúzia de dificuldades com a falta de democracia, com autocracias, com ditaduras e sobretudo com a pobreza e a fome — aguardam, obviamente, que os Estados Unidos intervenham rápida e assertivamente no sentido de restabelecer a ordem democrática nos respetivos territórios, mesmo que durante algum tempo seja preciso governá-los em controlo remoto para garantir que tudo se passa como manda a cartilha.
Na Palestina, por exemplo, deve ter nascido nova esperança. Ou na Ucrânia, hoje amiga e amanhã inimiga consoante os humores de Trump com Putin.
O mundo do Desporto (ficamos por aqui, não vale a pena falar do Festival da Canção) foi lesto a reagir à invasão da Ucrânia, fechando imediatamente todas as portas à Rússia. E bem.
Quando Israel assumiu de vez o objetivo de liquidar a Palestina e o seu povo já o Mundo não foi tão ágil (tal como a Eurovisão). Mudaram-se locais de competições e os israelitas até continuaram a participar em provas europeias quando na realidade nem Europa são.
Entretanto Trump voltou a liderar os EUA e, mesmo com todas as afrontas que tem feito questão de apresentar ao futebol e aos seus adeptos, é ele quem vai organizar o próximo Mundial (consta que também há Canadá e México, mas o que é que isso conta?).
O Festival da Canção nada podia fazer sobre isto, mas era interessante que o futebol não cruzasse de novos os braços (como em relação ao Qatar) e, sobretudo, não abrisse as pernas.