O meu nome é Gianluca e moro no segundo andar (crónica)
O Benfica de Randers foi novo capítulo de uma equipa que parece crescer um pouco mais a cada jogo. Criou-se um rumo, o processo evolui, consolida-se e está finalmente à vista uma identidade forte, que há muito não se encontrava debaixo das camisolas encarnadas. Diante do Aarhus, na Dinamarca, ainda que de certa forma com o conforto da vantagem da primeira mão, viu-se uma equipa que quis ter e teve a bola, mandou e controlou as operações, e tornou a vida muito complicada aos nórdicos, ao garantir também que quando a perdia reagia ferozmente para recuperá-la ou então pressionava alto e de forma assertiva para o que o seu rival não a tivesse por muito tempo.
O 0-1 ao intervalo denunciava, no entanto, algo que ainda não está nem um pouco perto da melhor afinação: a finalização. As águias poderiam perfeitamente ter fechado a eliminatória antes do descanso e a culpa não é apenas de Barreiro, ainda que se o luxemburguês tivesse tanta qualidade com a bola na sua posse como tem a acertar no momento de atacar o espaço seria mesmo um fora de série: aos 7', cabeceou ao poste após livre de Sudakov; aos 12', a bola sobrou-lhe depois de Prestianni ter tentado o remate, mas atirou ao lado; e, aos 29', não chegou de cabeça a belo passe do argentino. Não foi o único culpado. Pavlidis desperdiçou em frente a Hedenstad (35') e o próprio Prestianni (43'), com espaço, não conseguiu curvar a bola ao ângulo, embora o gesto tenha servido de aquecimento para o bis, que iria assinar de forma monumental na segunda parte.
PRESTIANNI, CLARO!
O 0-1 deu ainda mais conforto aos encarnados e chegou logo aos 19 '. Rafa viu a chegada de Bah pelo flanco direito e o dinamarquês cruzou. A bola saiu longe demais de Sudakov, mas ao jeito de Gianluca Prestianni, que rematou de pronto. O remate desviou em Carstensen e beijou as redes pela primeira vez.
Logo depois, o VAR evitou que Daniel Siebert cometesse erro grave, depois de ter assinalado penálti inexistente de Enzo sobre Mikael Andersen. A resposta dos vikings acabaria anulada pela irregularidade, com o seu primeiro tiro enquadrado a surgir apenas aos 29', da autoria de Bech.
DE RAFA AO MONUMENTO
A segunda parte parecia trazer um jogo um pouco mais partido, quando Rafa, depois de combinação entre Prestianni e Dahal, fez o 2-0. O cruzamento encontrou o seu pé esquerdo e não se fez rogado. A eliminatória fechou-se, finalmente, aos 56'.
Quatro minutos depois, o Aarhus reduziu, num raro erro dos encarnados na saída. Tomás Araújo tentou ligar com Sudakov, mas o ucraniano não estava à espera e Carstensen antecipou-se e atirou. A bola desviou em Dahl e traiu Samuel Soares.
A festa não durou. Na resposta, Prestianni recebeu a bola de Rafa na esquerda, foi para dentro e assinou o golo da noite, acabando com a esperança que ainda houvesse. É o jogador do momento.
AMAR GONÇALO É DEIXÁ-LO JOGAR
A estreia teve as suas dificuldades, porém aconteceu. Gonçalo Moreira, paixão de Mourinho segundo o próprio, somou os primeiros minutos e até esteve perto de marcar (77'). Circati também recebeu batismo, em jogo que confirmou superioridade inequívoca.