O estreito de Ancelotti
Pode ser repetitivo, maçador, monótono mas é assim que as coisas são no Brasil: a lista de 26 de Carlo Ancelotti não sai dos noticiários de TV, das colunas de jornais, das rodas de botequim.
No Brasil, Copa do Mundo é coisa séria: por ser talvez a única atividade em que o quinto maior país do planeta é, de facto, (quase sempre) o melhor, como ilustra a coleção única de títulos, a política envolve-se, com presidentes no passado, no presente e no futuro a darem palpites.
A economia mexe-se, com expectativa de aumento de 20% na venda de televisões em junho e julho, por um lado, e com previsão de queda na produção industrial e no comércio porque as empresas são moralmente obrigadas a dar folga quando a seleção joga, por outro.
A sociedade emociona-se, com eleição da rua pintada de verde e amarelo mais bonita do país, com murais gigantes desenhados com os rostos dos jogadores e outros a servirem de muro das lamentações futebolísticas, cirurgias adiadas, audiências judiciais proteladas e até casamentos desmarcados.
Serve então este preâmbulo não só para dar ideia do colorido do Brasil durante uma Copa mas sobretudo para justificar que se volte nesta coluna a falar dos 26 de Ancelotti, uma lista muito mais esmiuçada e investigada do que a de Martínez, a de Scaloni, a de De la Fuente, a de Nagelsmann, a de Deschamps ou a de Tuchel, porque, mesmo sem viver colheita especial, ninguém produz tanto jogador de elite em quantidade como o país do futebol.
Segundo as fontes mais informadas junto à CBF, o italiano já tem 24 definidos. Sobram dois, o tal estreito de Ancelotti a que o título faz referência. Salvo então incidentes de última hora, na baliza estarão Alisson (Liverpool), Ederson (Fenerbahçe) e Bento (Al Nassr).
Na defesa, Éder Militão (Real Madrid), Wesley (Roma), Danilo Luiz (Flamengo), Marquinhos (PSG), Gabriel Magalhães (Arsenal), Bremer (Juventus), Léo Pereira (Flamengo), Alex Sandro (Flamengo) e Douglas Santos (Zenit).
No meio-campo, Casemiro (Manchester United), Bruno Guimarães (Newcastle), Fabinho (Al Ittihad), Andrey Santos (Chelsea) e Danilo Santos (Botafogo).
E no ataque Estêvão (Chelsea), Luiz Henrique (Zenit), Vinícius Júnior (Real Madrid), Martinelli (Arsenal), Matheus Cunha (Manchester United), João Pedro (Chelsea) e Raphinha (Barcelona).
Restam três nomes para duas vagas, que tanto podem ser de mais um jogador de meio-campo e um de ataque ou de dois de ataque, isto é o meia Paquetá, do Fla, e um de dois centro-avantes, Endrick, do Lyon, e Igor Thiago, do Brentford, ou estes dois juntos.
Falta, claro, falar de Neymar, o mais poderoso, mediático e falastrão dos jogadores brasileiros. A atualidade, porém, mostra-nos que não basta ser poderoso, mediático e falastrão para entrar no estreito.