O convite do Rangers, a intensidade da equipa, 'o puto-maravilha' Mora e a vitória: tudo o que disse Farioli
– Que perspetivas tem para o jogo com o Rangers, que pode ditar o apuramento direto do FC Porto para a fase a eliminar?
– O jogo é muito importante para nós, jogamos todas as cartas e possibilidades de chegar ao top 8. É um resultado importante para nós nesta competição, mas também um objetivo para nós tendo em conta a carga de trabalho e a gestão das próximas semanas. É um jogo muito importante, o nível de motivação está muito alto do nosso lado. Vamos enfrentar uma equipa à procura de manter a sequência positiva, chegam com oito vitórias consecutivas, por isso vêm com a melhor equipa para mostrar o respeito que esta equipa merece.
– O Diogo Costa não treinou por estar com febre, poderá jogar amanhã. E o Rodrigo Mora, que está ao seu lado, será titular?
– O Diogo está com febre, vamos ver se vai recuperar, senão temos o Cláudio Ramos preparado para entrar. E quanto ao Rodrigo, sim, vai estar no jogo.
– O Rangers já não tem hipóteses de seguir em frente na Liga Europa. Isso é vantajoso para o FC Porto?
– Vêm cá com o objetivo de continuar o bom momento que estão a passar, com o melhor onze possível. Quem vai jogar vai querer o melhor resultado, do nosso lado vai ser igual. Como disse o Rodrigo (Mora), esperamos um jogo muito intenso e competitivo. Preparamo-nos para o pior, que é um jogo entre equipas que querem ganhar, e nada mais do que isso.
– Tendo em conta que o campeonato é o grande objetivo da temporada, admite fazer outra festão do plantel na Liga Europa?
– Já o disse várias vezes, quando se é treinador ou jogador no FC Porto, não há esse tipo de prioridades porque a prioridade é o próximo jogo para conseguir o melhor possível. Não há mais nada na nossa mente. A forma como preparamos o jogo e a nós próprios é muito estável e exigente, quem vai jogar amanhã são os melhores para ganhar o jogo. O jogo de amanhã tem valor em diferentes aspetos, espero uma grande exibição coletiva, esperamos um grande apoio do (Estádio do) Dragão, isso precisa de estar do nosso lado outra vez. Concentração total, motivação total e desejo total para dar tudo o que nos é possível no relvado.
– Como se prepara em apenas dois dias uma partida da Liga Europa após o jogo com o Gil Vicente?
– Não há segredos, tentamos ganhar momentos para ajudar os jogadores descansar e manter a forma física. É normal que haja um viés mental no sentido em que jogamos muito e a equipa está fatigada ou com dificuldades, mas a realidade é que nos últimos quatro jogos esmagamos fisicamente os adversários. Corremos mais 7 ou 8 quilómetros do que adversários que jogam apenas uma vez por semana. Já deu para ver que vamos para campo com o pé no acelerador contra qualquer adversário, pressionamos individualmente em todo o campo e não vejo isso em muitas equipas. Neste momento não há fadiga, não há nada a não ser uma equipa com muito desejo, energia, as vibes certas a nível mental e físico. A época é longa, ficaremos muito felizes se conseguirmos evitar os dois jogos de play-off da Liga Europa, mas para já, a 28 de janeiro, a equipa está totalmente em forma e o pouco tempo entre jogos não é desculpa. Estamos completamente prontos para jogar.
– O facto de o Rangers já estar eliminado pode ser um problema para o FC Porto?
– Honestamente isso pouco muda para nós. A mentalidade que temos é muito clara: estar no relvado e cinco segundos antes do apito inicial estar prontos para dar um passo em frente, ser agressivos, desafiar o adversário, manter o ritmo e intensidade, porque isso é o que podemos controlar. Sobre a abordagem deles, espero que venham ser competitivos, com o desejo de continuar os bons resultados, mas na nossa mente é bem claro aquilo para que estamos a jogar.
– Ao contrário do campeonato, tem faltado consistência exibicional e resultados na Liga Europa. Como se explica isso?
– Dizer que estamos a jogar pior na Liga Europa do que no campeonato é algo muito óbvio. Mas dizer que poderíamos estar com o mesmo ritmo e velocidade significa que estaríamos num mundo em que jogávamos sozinhos. Os resultados são muito positivos em todas as competições em que estamos. Temos boas hipóteses de estar entre o top 8 e o facto de estar qualificados para o play-off a duas jornadas do fim é um feito muito bom, considerando de onde viemos. Na última época, a equipa qualificou-se para o play-off no último jogo, a consistência que a equipa tem mostrado é fantástica. Sei que vocês procuram sempre um título, agora é título se concedemos um remate à baliza, enquanto na época passada era muito fácil conceder três ou quatro golos contra uma equipa da MLS ou do Egito. Não nos devemos esquecer do caminho que estamos a fazer, às vezes tenho a sensação de que estamos a pedir perfeição – e cá dentro perseguimos isso –, mas na realidade a perfeição não existe. É uma questão de trabalho, de rotinas diárias, para manter a ambição e desejo ao nível que queremos. Nesse aspeto, estamos muito bem motivados para continuar em frente e agradecidos aos adeptos porque, mais que ninguém, entendem o processo em que estamos. Já tivemos momentos difíceis, como 15 a 10 minutos em Guimarães, a reação quando o Samu pegou na bola para bater o penálti no último jogo. Este tipo de energia e adrenalina é muito especial e diz muito sobre os nossos adeptos
– Há um debate em Portugal sobre a forma atual do FC Porto jogar. No início da época era uma equipa mais intensa no ataque e agora é mais pragmática. Concorda com esta análise?
– Não vejo qualquer tipo de diferença entre agora e o início da época. Acho que há alguns mal-entendidos, como ser visto como uma equipa defensiva porque não concedemos golos. Para mim, isso é uma análise feita a olho nu. Somos a melhor equipa em termos de intensidade de pressão, que gera uma quantidade grande de oportunidades de golo, concedemos muito poucas e as que concedemos temos um bom guarda-redes para defender alguns remates. Esse é o reflexo dos números para mim. 95% das vezes, uma equipa que lidera o jogo com e sem bola, há momentos no jogo em que temos de respeitar o adversário e defender um pouco mais abaixo, mas isso são situações raras. Se é esse o caso, não vejo nada que mostre falta de atitude ou desejo. Ao meu lado, tenho alguém (Rodrigo Mora) que é um boa imagem disso, quando vejo comentários sobre a evolução do Rodrigo Mora, leio sobre o contributo defensivo, onde fez grande evolução e estou muito grato pela capacidade de poder ser treinado nesse aspeto, de ser humilde para colocar o seu talento incrível ao serviço da equipa. Mas há outra parte que estamos a subestimar, que é a sua evolução com a bola e não leio nada sobre isso. É um jogador que mudou muito a forma de jogar, de wonderkid (puto-maravilha) tornou-se um jogador de equipa, capaz de construir o jogo mais abaixo e de fechar linhas de passe que não fazia há meses. Agora está muito mais decisivo no último passe, como encontra o companheiro numa melhor posição em vez de rematar... Neste tipo de coisas há, infelizmente, a construção de uma narrativa que não é errada, mas não está completa. Seria bom para vocês poderem rever duas ou três vezes os jogos como nós fazemos antes de chegar a conclusões e comentários precipitados.
– Já esteve perto de assinar pelo Rangers?
– Sim, não posso negar que no passado tive contatos com o Rangers, o principal foi há alguns anos quando o Ross Wilson era diretor desportivo (2019-2023), esse foi a altura em que estive mais perto da oportunidade. É um grande clube, com grande tradição no Reino Unido e em competições europeias. Estou muito grato por esse tipo de oportunidades. Mas a vida encaminhou-me para uns projetos muito interessantes e hoje estou muito grato pelo lugar onde estou. Renovei o contrato há poucos dias e estou muito feliz por ser treinador do FC Porto.
– Que análise faz ao trabalho de Danny Rohl no Rangers?
– O seu impacto está a ser fantástico. Quando vimos o sorteio começamos a acompanhar mais os adversários, vi que o arranque da temporada não foi fácil e o impacto que teve desde que chegou foi enorme. Fez 20 jogos, no último período com oito jogos ganhos, a implementação de ideias num curto espaço de tempo e a habilidade de adicionar sistemas diferentes durante o jogo. Mesmo com a oportunidade de apresentar combinações diferentes com bola, com os laterais mais baixos, ou o médio a recuar para os defesas... Isso diz muito da sua qualidade como treinador e é prova do bom trabalho que fez como treinador-adjunto e treinador principal. São muito sortudos por terem um treinador deste tipo de qualidade.