O barbeiro de Vítor Pereira em Nottingham e um encontro... inesperado
NOTTINGHAM — O caminho não podia ser mais simples: a cerca de 100 metros do portão do City Ground, estádio do Nottingham Forest, deparamo-nos com uma barbearia de... craques. As camisolas denunciam a clientela: na montra, estão expostas duas dos tricky trees, pertencentes ao central Jair Cunha e ao avançado Igor Jesus.
A BOLA rapidamente percebeu que não podia deixar escapar a oportunidade. À entrada, a simpatia é, desde logo, notória. «Bom dia! Em que posso ajudar?», pergunta o dono do estabelecimento, Feras Al Youssef. «Sou jornalista de Portugal e já percebi que recebem aqui jogadores do Forest.»
«Tire fotografias, esteja à vontade! Quer café?». São nove e meia da manhã e já as duas cadeiras estão ocupadas. Nem todas as camisolas em exposição são do Nottingham, embora uma esteja assinada por todo o plantel. Há também uma de Ben Brereton, internacional chileno com raízes inglesas que atua no vizinho Derby County.
«Não recebemos só jogadores, aqui. O treinador, Vítor Pereira, também cá vem. Espreite o nosso Instagram», prossegue Feras. A palavra do barbeiro é suficiente para a reportagem do nosso jornal (ainda que, depois, tenhamos ido espreitar...). E, de repente, um encontro... improvável. Um dos clientes sentados é Marco Knopp, treinador de guarda-redes do Forest, ou seja, elemento da equipa técnica de Vítor Pereira.
«Vamos ver, vamos ver», afirma, já a pensar no encontro desta quinta-feira, que vai decidir quem se apura para as meias-finais da UEFA Europa League. «Não posso estar a falar muito antes do jogo», alerta. A BOLA respeita, mas a conversa lá vai fluindo: «Gostámos muito de estar no Porto na semana passada» — «Eu e a minha esposa também lá estivemos, mas não foi para ver o jogo. Ela fez anos», refere o outro cliente, ao ouvir a conversa ao lado.
Marco Knopp, que chegou ao Nottingham Forest na época em curso, faz um curioso elogio. «A relva do Estádio do Dragão é impecável, ficámos maravilhados. Cá é mais difícil ter um relvado naquelas condições. A humidade, o tempo... Não é o ideal para que fique como um tapete perfeito», afirma o técnico alemão, que já passou por clubes como Leipzig, Borussia Dortmund e Fenerbahçe, entre outros. «Que tenha um bom dia», diz... em português! «Não aprendi com o Vítor, já sabia dizer algumas coisas», brinca Knopp.
Embora o repórter também esteja a precisar de um corte, esse terá de ficar para outra altura. O centro da cidade de Robin Hood e a concentração de adeptos do FC Porto exigem um olhar atento. Na memória, fica a simpatia da receção e os dois dedos de conversa com Marco Knopp. Sem apontar favoritos, só deixou antever que espera um «bom jogo». Mas não desejou boa sorte aos dragões...
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