Nuno Borges e a nova função na ATP: «Finalmente estamos a sentir-nos um bocadinho mais ouvidos»
Nuno Borges, recém eleito para o conselho consultivo do circuito masculino do ténis mundial, declarou, esta segunda-feira, que a ATP começa a prestar mais atenção aos interesses dos jogadores.
«Acho que, finalmente, estamos a sentirmo-nos um bocadinho mais ouvidos. Agora são, teoricamente, três anos neste mandato, digamos assim, e eu, junto de outros, vamos tentar representar os jogadores da melhor maneira e passar os nossos interesses também para o pessoal lá de cima da ATP», explicou, à agência Lusa, o melhor tenista nacional do ranking individual (45.º), que se encontra na Ásia a disputar o Hong Kong Open.
Torneio que escolheu para começar a temporada de 2026 e no qual entrou da melhor maneira ao bateu o bósnio Damir Dzumhur (66.º) pelos parciais de 6-4 e 6-3, num encontro que teve a duração de uma hora e 15 minutos.
Vitória que na próxima ronda, correspondente aos oitavos de final, o colocará frente ao croata Marin Cilic (70.º), campeão do Open dos Estados Unidos em 2014.
Recorde-se que, na passada quinta-feira, a ATP havia anunciado Borges, de 28 anos, como um dos quatro novos membros eleitos pelos tenistas para os representar no Conselho Consultivo de Jogadores até 2028 e num comunicado o órgão fez saber que o conselho, que faz recomendações à direção da organização, irá reunir-se pela primeira vez em 2026 na cidade de Melbourne, antes do início do Open da Austrália, a 12 de janeiro.
«Portanto, nem consigo dizer exatamente como é que está a cabeça dos jogadores, se estão muito revoltados ou não, mas eu creio que não», comentou ainda Nuno Borges.
Em março, a Associação de Jogadores Profissionais de Ténis (PTPA), juntamente com cerca de 20 outros intervenientes, interpôs uma ação judicial nos Estados Unidos, no Reino Unido e na União Europeia. O processo visa os operadores dos circuitos feminino e masculino, a Federação Internacional de Ténis, a Agência Internacional para a Integridade do Ténis e os quatro maiores torneios do mundo: Open da Austrália, Roland Garros, Wimbledon e Open dos Estados Unidos, designados de Grand Slam.
A PTPA acusou estas organizações de «abusos sistémicos, práticas anticoncorrenciais e um flagrante desrespeito pelo bem-estar dos jogadores», devido a «um calendário insustentável» com torneios em 11 meses do ano.
O processo exige uma maior fatia das receitas para os tenistas e alega que as atuais regras «limitam os prémios monetários atribuídos pelos torneios e restringem a capacidade dos jogadores de ganhar dinheiro fora do campo».
«Acho que isso, por incrível que pareça, transcende um bocadinho aqui o nosso mundo. Acho que aqui as coisas estão todas muito tranquilas (...) Antes de dizer que não e que está tudo mal, é preciso saber o porquê das coisas e é um bocadinho disso que também vou à procura», explicou o tenista natural do Porto.
A PTPA foi fundada em 2020 pelo canadiano Vasek Pospisil, entretanto já retirado, e pelo sérvio Novak Djokovic, vencedor de 24 torneios do Grand Slam. Mas, no domingo, o sérvio, de 38 anos, anunciou a saída da associação.
«Esta decisão deve-se a preocupações persistentes com a transparência, a governação e a forma como a minha voz e imagem têm sido representadas. Tornou-se claro que os meus valores e a minha abordagem já não estão alinhados com a atual direção da organização», justificou Djokovic, num comunicado publicado nas redes sociais.