Nottingham Forest pondera queixa à Premier League por castigo do Chelsea
O Nottingham Forest está a ponderar apresentar uma queixa formal à Premier League relativamente à sanção aplicada ao Chelsea por pagamentos não declarados. A direção do clube de City Ground sente-se injustiçada pela disparidade de critérios, depois de ter sido penalizada com a perda de quatro pontos em março de 2024 por violação das Regras de Lucratividade e Sustentabilidade (PSR).
Na origem da controvérsia está a multa de 10,75 milhões de libras (cerca de 12,4 milhões de euros) e uma proibição de transferências suspensa aplicadas aos blues na semana passada. A sanção surgiu após o próprio clube londrino ter reportado pagamentos ocultos no valor de 47,5 milhões de libras (cerca de €55 M) a agentes e jogadores, efetuados ao longo de um período de sete anos, entre 2011 e 2018. Muitos no mundo do futebol consideraram a punição branda, uma vez que o Chelsea evitou qualquer sanção desportiva direta.
Recorde-se que a penalização do adversário do FC Porto nos quartos de final da UEFA Europa League, que na altura lutava pela manutenção na Premier League, esteve relacionada com a venda de Brennan Johnson ao Tottenham no último dia do mercado de transferências de 2023. A transferência ocorreu dois meses após a data limite de 30 de junho para a avaliação do PSR.
O clube, orientado agora por Vítor Pereira, tinha um limite de perdas permitido de 70 milhões de euros para a época 2022/23, mas excedeu esse valor em 40 milhões num período de três anos. Se a venda de Johnson tivesse sido concluída antes do prazo, o Forest poderia ter cumprido as regras, embora provavelmente por um valor inferior. Na altura, o clube argumentou que a situação deveria ter sido considerada uma falha por margem mínima, numa campanha em que investiu 165 milhões de euros em 19 novos jogadores após a subida do Championship.
Por sua vez, o caso do Chelsea foi revelado pelos seus atuais proprietários, a Clearlake Capital e Todd Boehly, que reportaram a situação à Premier League, à FA e à UEFA. Os 36 pagamentos não declarados ajudaram o clube a contratar jogadores como David Luiz, Willian e Eden Hazard. Estas irregularidades, ocorridas sob a anterior administração de Roman Abramovich, foram descobertas durante as negociações para a venda do clube. Durante esse período, o Chelsea conquistou dois títulos da Premier League e outros seis troféus.
A temporada 2023/24 ficou também marcada pela dedução de oito pontos ao Everton por duas infrações distintas às regras do PSR, o que acentua a sensação de tratamento desigual sentida por outros clubes.