O Aves SAD festeja na Choupana o primeiro triunfo como visitante na Liga. -Foto: HOMEM DE GOUVEIA/LUSA
O Aves SAD festeja na Choupana o primeiro triunfo como visitante na Liga. -Foto: HOMEM DE GOUVEIA/LUSA

Ne(i)va na Choupana, com Aves libertas a voarem alto (crónica)

Aves SAD alcançou com justiça o primeiro triunfo fora de casa na Liga. Madeirenses entraram bem, mas depois acusaram o golo do empate e caíram

Jogar sem pressão é bom. Pena, para o Aves SAD, que essa ausência de tensão esteja associada à já consumada descida. Foi com muito mérito que os avenses triunfaram na Choupana e, libertos, deram sequência à qualidade que têm revelado nos últimos jogos, depois da sentença estar traçada. A equipa de João Henriques não perdeu os últimos quatro jogos e na Choupana obteve a primeira vitória fora de casa no campeonato.

No campo oposto, com a manutenção ainda por carimbar, o Nacional tremeu depois de sofrer o primeiro golo e não conseguiu discernimento, coletivo e individual, para reverter.

Com o intuito de fechar as contas sem depender de terceiros e não ter de sofrer com a calculadora na mão nas duas jornadas finais, o Nacional entrou a todo o gás e chegou cedo ao golo, por Filipe Soares, com um tiro de primeira de fora da área na sequência de canto que Adriel socou para a frente e dominou até ao golo de Pedro Lima, que devolveu o empate ao Aves SAD.

Entre esses dois momentos, os madeirenses desperdiçaram por Jesús Ramírez num desvio subtil ao primeiro poste, que saiu ao lado, e Leonardo Rivas, por duas vezes, evitou que Léo Santos e José Gomes marcassem após um canto. O Nacional foi perdulário e pagou bem caro, tanto no sofrimento, como no resultado.

O jogo virou quando Tunde Akinsola serpenteou pela defesa madeirense e convidou Pedro Lima a cabecear para o empate, num cruzamento milimétrico. Os madeirenses acusaram o golo e viram o Aves SAD crescer e a mandar, criando muito perigo e chegando com justiça à vantagem na sequência de uma transição perfeita que começou num lançamento longo de Pedro Lima, com Diego Duarte, de calcanhar, a servir Guilherme Neiva, que finalizou solto na esquerda. Simples e eficaz.

Os forasteiros geriram depois a vantagem sem problemas e aproveitaram o avanço dos madeirenses para manterem a baliza de Kaique sob ameaça e por duas vezes estiveram perto de elevar o avanço. Primeiro por Tunde Akinsola, que não aproveitou o espaço na área, atirando por cima, e depois com o guarda-redes a brilhar para evitar um tiro de Pedro Lima.

O ataque final do Nacional para tentar evitar a derrota surgiu apenas nos últimos minutos, e reduzido a 10 por expulsão de Zé Vitor, contudo Chucho Ramírez não estava nos seus dias. A eficácia do avançado venezuelano foi diferente da habitual e falhou, quando não costuma falhar, principalmente no último lance do jogo, quando Witi colocou-lhe a bola em espaço vazio na pequena área só com Adriel pela frente, com o desvio de cabeça a sair bem ao lado. Um lance que ilustra bem a falta de serenidade dos madeirenses, que toldou a maioria do tempo.

A figura do Nacional: Filipe Soares

Ultrapassadas as lesões que o afetaram ao longo da época, o médio voltou a estar em bom plano, dando continuidade à prestação da ronda anterior, em Tondela, mostrando a Tiago Margarido ser uma opção válida para as finais que faltam para o final da Liga. A boa leitura e ocupação dos espaços, esteve patente no golo que marcou, quando surgiu solto para atirar após uma bola que Adriel socou para a frente.

As notas dos jogadores do Nacional (4x2x3x1): Kaique (5), Alan Nuñez (5), Léo Santos (5), Zé Vitor (5), José Gomes (5), Laabidi (5), Filipe Soares (6), Gabriel Veron (4), Daniel Júnior (4), Paulinho Bóia (5), Jesús Ramírez (5), Liziero (5), Pablo Ruan (5), Lucas João (4), João Aurélio (-) e Witi (-)

O melhor em campo: Pedro Lima (Aves SAD)

Marcou pela terceira jornada consecutiva, o seu quarto golo na Liga, e empatando o jogo. Um tento que se tornou crucial na viragem do sentido da partida até à reviravolta no resultado, quando lançou o contra-ataque para Neiva finalizar. O médio brasileiro não engana: é tecnicamente evoluído e tem visão de jogo acima da média, e é um dos rostos do bom momento que o Aves SAD vive.

As notas dos jogadores do Aves SAD (4x1x4x1): Adriel (6), Mateus Pivô (5), Paulo Vitor (6), Devenish (6), Leonardo Rivas (6), Tiago Galleto (5), Tunde Akinsola (7), Roni (5), Pedro Lima (7), Guilherme Neiva (7), Diego Duarte (6), Carlos Ponck (5), Tomané (4) e Molina (-)

Tiago Margarido, treinador do Nacional

«Entramos bem e isso deslumbrou um pouco a equipa. Na 1.ª parte tivemos momentos que poderíamos ter competido melhor, tínhamos de ser mais agressivos na primeira e segunda bola. O adversário foi crescendo ao longo do jogo, porque não fomos competentes no duelo. Na 2.ª parte procuramos de outras formas chegar à baliza e verdade é que conseguimos. Houve competência do adversário, que soube fechar bem os espaços e saiu em transição e sempre mais serenos que nós.»

João Henriques, treinador do Aves SAD

«Não foi uma boa entrada, para mais com um golo sofrido e com algumas situações em bola parada que tivemos dificuldade. Boa reação da equipa após os 20 minutos e até ao final tivemos variadíssimas oportunidades para dilatar o marcador. O resultado é justo e é para os jogadores, pelo que fizeram durante a época. Queremos chegar aos cinco jogos consecutivos a pontuar.»

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