Portugal, dia 5
Tenho dito, e reafirmo, que Portugal pertence a um lote de oito seleções que podem sonhar com o título mundial. A Espanha, também. Um vai ficar pelo caminho, dando ‘falta de comparência’ aos ‘last eight’, que seria o seu ‘habitat natural’.
Será campeão do Mundo, dentro do grupo dos tais mais fortes, aquele que tiver o melhor alinhamento astral, seja nos duelos, seja, até, em eventuais desempates por penáltis. Recordo que ao longo da história Brasil (1994), Itália (2006) e Argentina (2022) venceram as respetivas finais dessa forma, e que Alemanha (1990), França (1998) e Argentina (2022) atingiram as finais depois de terem superado eliminatórias da marca dos onze metros. Também Portugal e Espanha têm um histórico nos desempates por penáltis: perdemos na meia-final do Euro/12 e ganhámos na final da Liga das Nações/95. Neste século, aliás, os confrontos entre portugueses e espanhóis têm sido marcados pelo equilíbrio, mas, desta feita, as exibições de ‘nuestros hermanos’ têm sido mais convincentes, o que revela um bom momento de forma e, também, a necessidade de nos preocuparmos com alguns dos pontos mais fortes da equipa de De La Fuente, nomeadamente a dinâmica do meio-campo. Se, nesse setor, não formos muito equilibrados, disciplinados e competentes, veremos reduzidas drasticamente as nossas possibilidades de chegarmos aos quartos-de-final.
É meu ‘feeling’, sem qualquer ‘inside information’, que tanto Roberto Martinez quanto a FPF já perceberam que o final da participação portuguesa no Mundial é o tempo certo para não prolongarem uma relação que já rendeu uma Liga das Nações. O técnico espanhol, que foi feliz nas substituições operadas na partida com a Croácia, quererá, mais do que ninguém, sair, como se diz na gíria, ‘por cima’.
Uma coisa, questões técnico-táticas à parte, parece-me certa: a motivação do selecionador e dos jogadores face ao confronto com a Espanha, está na quota máxima, o que é um ótimo sinal. O resto, é futebol, um vai rir, o outro, chorar…
PS - Alemanha, Países Baixos, e agora… Brasil. Há grandes a ir para casa cedo demais. Schjelderup a assistir e Haaland a faturar, desfizeram o ‘escrete’. À hora que escrevo não sei se a Inglaterra passou ou não. E logo, Portugal ou Espanha, um fica pelo caminho.
* Eusébio da Silva Ferreira jogou no México (CF Monterrey), Estados Unidos (Boston Minuteman, Las Vegas Quicksilver e New Jersey Americans) e Canadá (Toronto Metros-Croatia). O Mundial de 2026 joga-se onde o ‘King’ espalhou o que lhe restava de magia…