Mundial: Portugal à espreita de um dia mau da Austrália

Treinador adjunto, João Mirra quer aproveitar mau momento australiano. Levar a decisão do jogo até perto do final. Lobos estudaram a lição com o País de Gales.

O Campeonato do mundo de râguebi não tem «sorrido» à Austrália, depois de ter sofrido a maior derrota nos confrontos com o País de Gales (40-6) e perdido diante as Fiji. Algo que não acontecia há 69 anos. Por outro lado, os elogios a Portugal subiram de tom após o empate (18-18) com a Geórgia.

Ora, é exatamente um outro dia não dos Wallabies que Portugal espera agarrar domingo, em Saint-Étienne (16.45h), na despedida da fase de grupos da nação do hemisfério sul, ex-campeã do mundo, frente aos Lobos, seleção do tier 2. 

Recorde-se que os australianos ficam automaticamente de fora do Mundial França-2023 e, pela primeira vez, na fase de grupos, caso, sábado, o XV fijiano vença a Geórgia com ponto de bónus.

«Se formos uma excelente versão nossa e apanharmos uma Austrália num dia mau, pode acontecer», sublinhou João Mirra, treinador-adjunto da Seleção Nacional, referindo-se a uma hipotética vitória. 

«O que queremos é estar numa situação de agarrar essa oportunidade. Se estivermos a 20 pontos no final do jogo, a Austrália até pode ter um deslize, mas nós não vamos estar em condições de ganhar», justificou em conferência de imprensa no Parc des Sports de Perpignan, quartel-general dos lobos no França-2023. 

Para João Mirra, o XV nacional tem a lição estudada depois da derrota com o País de Gales. «Não conseguimos chegar ao fim do jogo com a possibilidade de o ganhar», relembrou o adjunto de Patrice Lagisquet. 

Para domingo, frente a uma Austrália ferida no orgulho, o propósito passa por levar a decisão do resultado «até ao fim do jogo», tentar «estar mais perto» dos australianos para, caso a oportunidade espreite, conseguir «agarrá-la», sublinhou. 

«Queremos fazer essa melhoria, mas isso tem muito mais a ver connosco do que com o adversário que temos à frente», comparou Mirra.

Otimismos à parte, João Mirra deixa, no entanto, uma ressalva sobre uma seleção «poderosíssima». «Também sabemos que uma Austrália má pode ganhar a um Portugal bom. Mas não vamos ser hipócritas. Quando dizemos que queremos ser competitivos é para chegarmos ao fim do jogo em posição em que o consigamos ganhar», assumiu o técnico, procurando que os lobos tentem dar «um passo à frente do que fizemos contra o País de Gales», sem menosprezar o adversário. “Gostamos de ser underdogs, damo-nos bem e estamos confortáveis com isso», frisou. 

«Queremos sair em alta e, quem sabe o que poderá acontecer este fim de semana, mostrar ao país e aos nossos adeptos que nos preocupamos. Queremos mostrar uma performance enorme», antecipou Lalakai Foketi, no encontro com os media de antevisão da partida com a seleção portuguesa. 

«Num Mundial não podemos dar-nos ao luxo de perder. Queremos ganhar todos os jogos, mas obviamente não o fizemos. Somos uma equipa jovem, mas não há desculpas, queremos sair em alta se tal for o caso», reiterou.

Questionado sobre a partida de preparação para o Mundial que opôs Portugal à Austrália “A”, seleção secundária, realizada em Paris (vitória 30-17), o centro australiano, nascido na Nova Zelândia, foi lacónico. «Assistimos a algumas imagens do jogo e, como disse, [Portugal] são uma boa equipa de sevens», referindo-se especificamente à velocidade e manuseamento das linhas atrasadas portuguesas.