Wilson Isidor festeja golo do Haiti (foto: IMAGO)
Wilson Isidor festeja golo do Haiti (foto: IMAGO)

1. JOHNY PLACIDE


Clube: Bastia

Data de nascimento: 29 de janeiro de 1988

Posição: Guarda-redes

A carreira de Johny Placide foi construída com paciência, resiliência e uma autoridade conquistada da forma mais difícil. Formado no Le Havre, trilhou o seu caminho no futebol francês antes de se tornar a última linha de defesa de confiança do Bastia. Sem espaventos, mas ferozmente fiável, Placide é conhecido pelos reflexos apurados, forte posicionamento e mãos seguras, qualidades que lhe valeram a alcunha de «O Guardião». Comanda a sua área vocalmente, brilha sob pressão e lê o jogo com a calma de um veterano. Nascido em Montfermeil, França, de pais haitianos, escolheu representar o Haiti, abraçando as suas raízes com orgulho. Um esteio desde 2011 e frequentemente capitão, Placide guiou os companheiros mais novos em campanhas exigentes, tornando-se um pilar de estabilidade durante a histórica caminhada de qualificação. Quando o sonho de 2026 se tornou realidade, declarou: «Estaremos lá para desfrutar e deixar o povo orgulhoso.»

23. JOSUÉ DUVERGER


Clube: Cosmos Koblenz

Data de nascimento: 27 de abril de 2000

Posição: Guarda-redes

Numa noite húmida durante a campanha de qualificação do Haiti, Josué Duverger esteve sozinho sob os holofotes, com o ruído a subir e a parada ainda mais alta. Tinha apenas 17 anos quando escolheu representar o Haiti, um adolescente com luvas grandes e reservas de coragem igualmente desmedidas. Nascido em Montreal e lapidado nas academias de Portugal, Duverger mistura a técnica latina com o fogo das Caraíbas. Rápido, corajoso no jogo aéreo e com "molas nos pés" no um contra um, é o tipo de guarda-redes que parece crescer à medida que os remates voam na sua direção. Ao nível de clubes, somou séries impressionantes sem sofrer golos, incluindo uma taxa de 50% de baliza invicta durante uma época no Campeonato de Portugal. Houve lições dolorosas, incluindo um humilhante autogolo após um duplo pontapé na atmosfera contra o Canadá — país onde nasceu e que representou nos sub-17 —, mas a história de Duverger não é sobre erros. É sobre a resposta: mergulhar, levantar, repetir.

12. ALEXANDRE PIERRE


Clube: Sochaux

Data de nascimento: 25 de fevereiro de 2001

Posição: Guarda-redes

Nas "gaiolas" de Aubervilliers, a norte de Paris, Alexandre Pierre aprendeu a voar. Filho de herança haitiana, lançava-se pelos campos muito antes de ter luvas adequadas, perseguindo um sonho que se estendia muito para além do périphérique. Hoje, com 1,91 m, comanda a sua área com autoridade. Rápido a sair dos postes e abençoado com reflexos felinos que transformam golos certos em suspiros. O caminho de Pierre passou pelo Stade Lavallois, Angers e Estrasburgo, onde assinou o seu primeiro contrato profissional em 2021, aguçando mais tarde as garras por empréstimo no Annecy. Pelo Haiti, tornou-se parte de uma nova geração que ousa pensar maior, participando em competições da CONCACAF e em eliminatórias para o Mundial. Calmo, mas ferozmente competitivo, Pierre joga como um homem que ainda mergulha no betão. Cada defesa é pessoal, cada jogo sem sofrer golos é uma promessa cumprida.

4. RICARDO ADÉ


Clube: LDU Quito

Data de nascimento: 21 de maio de 1990

Posição: Defesa-central

Chamam-lhe «O Muro» por uma razão. Ricardo Adé não se limita a defender; ele comanda o jogo a partir de trás, anulando ataques antes mesmo de começarem. Rápido de pés mas imbatível no ar, lê o campo como um mestre de xadrez, sendo a sua veia destemida a âncora da defesa do Haiti há anos. A história de Adé é ainda mais inspiradora do que as suas exibições. No início da carreira, ficou retido na Tailândia após uma transferência falhada, sobrevivendo com pouco mais do que pão e leite condensado durante uma semana; uma provação que forjou a resiliência por trás do jogador. No LDU Quito, os seus cabeceamentos potentes e a distribuição calma transformaram jogos tensos em triunfos, ajudando-o a erguer quatro troféus domésticos. «Defender é sobre ler o jogo e estar pronto para a batalha», afirma, e cada duelo prova-o. Fora de campo, Adé carrega a mesma autoridade silenciosa, representando a identidade haitiana com orgulho e profissionalismo por onde quer que passe.

2. CARLENS ARCUS


Clube: Angers

Data de nascimento: 28 de junho de 1996

Posição: Lateral-direito

Das ruas vibrantes de Port-au-Prince, onde desfrutou de «uma infância muito feliz e muito tranquila», ao rugido das finais da Gold Cup da CONCACAF, Arcus tem usado os desafios com orgulho, como se fossem medalhas. Rápido, destemido no ataque e dotado de uma resistência tremenda, personifica o lateral moderno: primeiro defesa, criador quando é preciso e competidor sempre. Pilar da seleção do Haiti desde 2016, Arcus fez o cruzamento que selou o primeiro apuramento para um Mundial desde 1974, pondo fim a um jejum de 51 anos. «Sempre tive dois sonhos na vida», disse depois. «Já tinha alcançado o primeiro, que era assinar um contrato profissional. O segundo acaba de se realizar». Arcus deu-se a conhecer em França no Auxerre, onde as suas subidas no terreno e consistência o tornaram indispensável, antes de refinar o seu jogo no Vitesse Arnhem, nos Países Baixos.

3. KEETO THERMONCY

Data de nascimento: 29 de março de 2006

Clube: Young Boys

Posição: Defesa-central

Quando veste as cores do Haiti, Thermoncy carrega duas identidades em cada passada. Criado na Suíça, mas ferozmente ligado às suas raízes haitianas, o jovem defesa explicou outrora a sua ligação à seleção nacional: «Quando olhamos para a história do Haiti e para tudo o que o seu povo tem suportado ao longo de décadas, vestir esta camisola significa muito mais do que futebol.» É o tipo de reflexão que revela a maturidade por trás de uma das mais brilhantes promessas do Haiti. Formado nos disciplinados corredores da academia do Young Boys (embora ainda não se tenha estreado pela equipa principal), Thermoncy é um defesa-central moderno: veloz sobre o relvado, dominador no jogo aéreo e suficientemente calmo para iniciar lances ofensivos a partir de trás. Com mais de 1,80 metros de altura, alia o poder atlético a um timing elegante, deslizando para os desarmes com a segurança de um profissional experiente. A sua estreia na seleção principal do Haiti na fase de qualificação para o Mundial pareceu menos um primeiro passo e mais uma afirmação. Agora, Thermoncy já parece talhado para ser a âncora da próxima geração haitiana.

22. JEAN-KÉVIN DUVERNE


Clube: Nantes

Data de nascimento: 12 de julho de 1997

Posição: Defesa

A história de Jean‑Kévin Duverne é uma de tenacidade silenciosa e respeito conquistado a pulso. Num campo banhado pelo sol na Guiana Francesa em 2024, quando ergueu o braço para o céu após somar a sua primeira internacionalização pelo Haiti, houve uma emoção palpável; não era apenas mais um defesa a estrear-se, mas um Grenadier a marcar a sua posição ao nível internacional. O momento foi o culminar de anos nas ligas implacáveis de França, onde aprendeu a misturar a sua velocidade pura com uma garra defensiva inabalável. Esta temporada tem atuado na Bélgica, no Gent, por empréstimo do Nantes; este defesa atlético e destemido sente-se tão confortável a comandar a linha defensiva como a lançar ataques de trás. Duverne tornou-se um símbolo de orgulho para os adeptos haitianos, um guardião no centro das suas esperanças. Fora de campo, é reservado mas intenso, uma presença firme cuja história continua a ser escrita a cada desarme destemido.

8. MARTIN EXPÉRIENCE


Clube: AS Nancy

Data de nascimento: 9 de março de 1999

Posição: Lateral-esquerdo

Há algo de apropriado no apelido de Martin Expérience. No campo, joga com uma experiência que vai além da sua idade. Nascido em França, mas orgulhosamente ligado às suas raízes haitianas, traçou o seu caminho nas duras divisões inferiores antes de conquistar o seu lugar no Nancy, onde está a trocar o anonimato por bancadas cheias e palcos maiores, como parte da equipa que garantiu a subida à Ligue 2 em 2025. Quando o Haiti selou o lugar no Mundial de 2026, Expérience mal se conseguiu conter. «Jogar num Mundial é extraordinário, não importa quem enfrentemos», disse — antes de o sorteio os colocar frente ao Brasil, o país do seu ídolo de infância, Neymar. Desde que se estreou pelo Haiti em 2021, trouxe fibra e resistência à linha defensiva dos Grenadiers, um lateral moderno moldado por quilómetros difíceis, grandes sonhos e uma bandeira que usa com orgulho.

5. HANNES DELCROIX


Clube: Lugano

Data de nascimento: 28 de fevereiro de 1999

Posição: Defesa-central

Nascido no Haiti e criado na Bélgica, Delcroix cresceu entre duas culturas futebolísticas: o espírito das Caraíbas e a precisão europeia. No Anderlecht poliu o seu talento; no Burnley aprendeu a arte penosa da sobrevivência — e a necessidade de paciência. «As minhas características são as de alguém calmo, fora de campo e também dentro de campo», afirma e, após mudar-se do Waalwijk para o Burnley, em 2023, teve de ter calma enquanto esperava pela sua oportunidade. Acabou por perceber que esta não chegaria e, depois de ser deixado de fora da lista de inscritos no início da temporada, procurou «um clube que garantisse muito tempo de jogo e um papel importante». Encontrou-o no Lugano. A estreia internacional seguiu-se em outubro e rapidamente se tornou titular habitual. Rápido sobre a relva e dominante no ar, Delcroix é o tipo de central que sobe até ao meio-campo com autoridade calma antes de lançar uma diagonal de 40 metros como se fosse a coisa mais natural do mundo. Os treinadores elogiam o seu timing; os colegas falam da sua voz: firme, composta, intransigente.

24. WILGUENS PAUGAIN


Clube: Zulte Waregem

Data de nascimento: 24 de agosto de 2001

Posição: Lateral-direito

O currículo de Wilguens Paugain parece o guião de um filme: nascido em contexto de pobreza extrema, em Thomazeau, no Haiti, foi adotado aos cinco anos por uma família da França rural e observado pelo Nancy-Lorraine aos 12. No entanto, sofreu uma lesão grave aos 18 anos que descarrilou a sua carreira, afastou-o do futebol durante oito meses, custou-lhe a oportunidade de um contrato profissional e empurrou-o para trabalhar durante uns tempos como estafeta de pizzas. Mas lutou para voltar e passou por balneários espalhados pelo Chipre, Letónia e Áustria, com cada paragem a adicionar uma nova camada ao seu jogo, antes de chegar à Bélgica. Paugain é o tipo de lateral que primeiro sprinta e depois pensa, mas o seu instinto revela-se normalmente correto. Mistura o atletismo puro com uma crescente craveira técnica, surgindo no ataque como se a linha lateral fosse uma pista de descolagem. «Esta é uma oportunidade para o mundo deixar de negligenciar o Haiti», afirma. «Quando as pessoas falam do país, é sobre desastres naturais, instabilidade política e gangues, raramente sobre algo positivo. Espero que o Mundial traga o respeito de volta à nossa equipa e ao nosso país.»

13. DUKE LACROIX


Clube: Colorado Springs Switchbacks

Data de nascimento: 14 de outubro de 1993

Posição: Lateral-esquerdo

Antes de andar a patrulhar o flanco pelo Haiti, Duke Lacroix era um estudante-atleta na Universidade da Pensilvânia, equilibrando palestras — licenciou-se em sociologia e fez um mestrado em psicologia desportiva — com sonhos que se estendiam muito para além do campus. Rápido, destemido e abençoado com a resistência de um velocista, Lacroix joga como lateral-esquerdo mas parece um extremo disfarçado. Sobe no terreno, tira cruzamentos, ganha lances de cabeça apesar de não ser o mais alto e recupera com uma velocidade impressionante. Desde que se comprometeu com a seleção do Haiti, em 2023, Lacroix tem vestido as cores com orgulho, encarando cada duelo como se fosse pessoal. Fora do futebol, está envolvido em política e ativismo social, como vice-presidente da United Black Players, presidente da USL Players Association (o sindicato dos jogadores da United Soccer League) e colaborando com a Onrise, que presta apoio ao nível da saúde mental a atletas e outras pessoas em funções de alta pressão.

10. JEAN-RICNER BELLEGARDE


Clube: Wolves

Data de nascimento: 27 de junho de 1998

Posição: Médio

Se o meio-campo fosse um tabuleiro de xadrez, Jean-Ricner Bellegarde seria a rainha: rápido, versátil e impossível de conter. Nascido em Colombes, França, poliu o seu talento nos sistemas de formação locais. No Estrasburgo, ganhou reputação pelas arrancadas, visão apurada e desarmes destemidos, traços que o levaram ao Wolverhampton Wanderers na Premier League. Apelidado de «O Arquiteto», Bellegarde prospera a ditar o tempo de jogo, a enfiar passes que parecem impossíveis e a lançar contra-ataques do nada. Ao mudar a sua lealdade para o Haiti depois de representar a França nas camadas jovens, trouxe classe e compostura à seleção nacional, inspirando jovens jogadores por todas as Caraíbas. «Ele tem uma capacidade natural para acelerar e ferir o adversário», disse uma vez o seu antigo treinador no Estrasburgo, Thierry Laurey, uma frase que capta perfeitamente a explosão, inteligência e imprevisibilidade que definem o jogo de Bellegarde.

14. LEVERTON PIERRE


Clube: Vizela

Data de nascimento: 9 de março de 1998

Posição: Médio

Há uma história que contam em Tabarre, no Haiti, sobre um miúdo magricela que corria atrás de bolas em betão rachado, carregando sonhos muito maiores do que as suas chuteiras. Esse rapaz tornou-se Leverton Pierre, um médio incansável. O seu estilo é simples mas letal: quebra linhas com um passe curto, recupera posição com uma determinação ferrenha e lê o jogo como um veterano. Numa noite fresca de 2017 assinou o seu primeiro contrato profissional em França com o Bastia e, desde então, tem sido o tipo de jogador que os treinadores adoram. A carreira de Pierre pode não brilhar com manchetes, mas tem um título da Ligue 2 no currículo e tornou-se um pilar para o Haiti, participando em três Gold Cups da CONCACAF e em quase todos os jogos de qualificação para este Mundial. Curiosidade: uma vez perseguiu um cão que roubou a bola do jogo pelo bairro fora, só parando quando este a enterrou no jardim de alguém.

6. CARL SAINTÉ


Clube: El Paso Locomotive

Data de nascimento: 9 de agosto de 2002

Posição: Médio

Em Grand-Goâve, no Haiti, muito antes de se habituar aos holofotes dos estádios e ao brilho da MLS, Sainté aprendeu a jogar em campos poeirentos onde a bola saltava como uma pergunta. Ele responde a essas perguntas agora com autoridade. Alto, elegante e enganadoramente rápido sobre o terreno, Sainté é um médio que cobre distâncias sem esforço, ganha lances de cabeça com timing e enfia passes por entre o tráfego como se conseguisse ver os lances antes de eles acontecerem. Ajudou o Violette a conquistar um título da liga haitiana, ergueu o troféu da MLS NEXT Pro com o North Texas e subiu à Major League Soccer com o Dallas. Pelo Haiti, joga com o orgulho cosido em cada desarme, calmo no meio do caos, bravo no ar. Os colegas chamam-lhe «O Metrónomo», porque quando Sainté se mexe, toda a equipa encontra o seu ritmo. «Não nos limitámos a qualificar-nos, levámos o batimento cardíaco de uma nação para o campo», escreveu depois de o Haiti selar o lugar no Mundial. «O Haiti passou por tanto, mas continuamos a mostrar ao mundo o que é a resiliência.»

25. DOMINIQUE SIMON

Data de nascimento: 29 de julho de 2000

Clube: Tatran Presov

Posição: Médio

O viajante

O percurso de Simon tem sido tudo menos comum. De França à Estónia, passando pela Geórgia, Chéquia e agora Eslováquia, Simon construiu a sua carreira pelo caminho mais difícil, acumulando experiência pelos quatro cantos da Europa. Há algo de distintamente parisiense na sua forma de jogar: calmo sob pressão, tecnicamente evoluído e sempre um passo à frente dos demais. Formado na exigente academia do Paris Saint-Germain, aprendeu cedo que a sobrevivência no futebol de elite depende tanto da inteligência como do talento natural. Veloz na rotação, agressivo no desarme e surpreendentemente forte no jogo aéreo, combina na perfeição a raça com a subtileza, sendo capaz de travar uma jogada num instante e, no momento seguinte, lançar o ataque com um único passe tenso e preciso. Simon encarna o talento da nova geração da diáspora do Haiti: culto, resiliente e silenciosamente ambicioso. O tipo de médio em quem os treinadores confiam, com quem os colegas de equipa sabem que podem contar e que os adversários raramente gostam de defrontar.

26. WOODENSKY PIERRE


Clube: Violette AC

Data de nascimento: 30 de dezembro de 2004

Posição: Médio-defensivo

No ruído da Cité Soleil, no Haiti, onde o futebol é jogado por instinto e sobrevivência, Pierre aprendeu cedo que a hesitação sai caro. Os amigos recordam um miúdo magricela que jogava do nascer do sol até iluminarem-se os candeeiros de rua, destemido no ar apesar do seu tamanho, já a ladrar instruções como um veterano. Agora no Real Hope FA, Pierre é uma âncora no meio-campo com fibra e elegância: rápido em curtas distâncias e habilidoso o suficiente para escapar de espaços apertados antes de se lançar num desarme. Evoluiu no Violette, colecionando troféus domésticos e ganhando reconhecimento como um dos jovens "vincadores" mais fiáveis do Haiti. «Trabalha no duro e acredita em ti mesmo», afirma, uma mentalidade moldada pela sua criação. Com os olhos postos no sucesso no Mundial de 2026, Pierre joga como um homem numa missão, carregando não apenas a bola, mas as esperanças de onde veio.

17. DANLEY JEAN JACQUES


Clube: Philadelphia Union

Data de nascimento: 20 de maio de 2000

Posição: Médio

Nos campos movimentados de Petit-Goâve, no Haiti, Danley Jean Jacques desarmava como se a sobrevivência estivesse em jogo. Os amigos juram que ele odiava tanto a derrota que repetia os jogos na cabeça antes de dormir. Esse fogo levou-o dos títulos nacionais no Don Bosco para a labuta no Metz e, depois, para Filadélfia em 2024. Rápido na relva, poderoso no ar e destemido no duelo, joga como uma tempestade no coração do meio-campo. Em França, Jean Jacques "atropelou" jogos, ajudando o Metz a garantir a subida à Ligue 1. Pelo Haiti, marcou golos vitais, punhos cerrados e olhos fechados em gratidão, enquanto os Grenadiers perseguiam a história. Cinco anos depois de deixar o Haiti rumo a França, não perdeu o amor pela cultura e gastronomia haitianas — o seu prato favorito é o diri ak sos pwa, arroz com puré de feijão preto. «É o melhor», diz. «Especialmente quando é a minha mãe a cozinhar». Sentir-se-á particularmente em casa quando o Haiti defrontar o Brasil — o jogo será disputado no Philadelphia Stadium, o seu reduto habitual.

9. DUCKENS NAZON


Clube: Esteghlal

Data de nascimento: 7 de abril de 1994

Posição: Avançado

Conhecido pela velocidade, fisicalidade e queda para faturar nos maiores palcos, Nazon certamente não passa ao lado dos jogos: ele choca contra eles. Criado nos subúrbios de Paris, aprendeu cedo que o espaço tem de ser conquistado, não oferecido. Essa agressividade acompanhou-o desde a academia do Lorient até estádios em vários continentes — os seus atuais empregadores, o Esteghlal de Teerão, são a 11.ª equipa da sua carreira sénior, que incluiu passagens por Coventry, Oldham e St. Mirren, além de períodos na Bulgária e na Índia. É conhecido como «A Besta», e não é por acaso. Nazon tem o hábito de guardar o seu melhor para as noites mais barulhentas: eliminatórias de Mundiais, batalhas da CONCACAF, momentos em que os nervos apertam. Antes do jogo decisivo contra a Nicarágua, Nazon fez um discurso no balneário: «Aqui no Haiti, algumas pessoas só têm alguns dólares no bolso. Não têm mais nada. Só nos têm a nós», disse. «Se não vencermos, eles não ficam com nada. Hoje, temos a oportunidade de lhes dar um sorriso. Podemos fazê-los chorar de alegria. Eles contam com os nossos pés. Por favor, não os deixem ficar mal.» As suas palavras surtiram efeito.

11. LOUICIUS DEEDSON


Clube: FC Dallas

Data de nascimento: 11 de fevereiro de 2001

Posição: Ala

A primeira coisa que se nota em Deedson é o vulto: quando os defesas reagem, ele já se foi. Do Haiti para os Estados Unidos — para onde se mudou aos 15 anos — passando pelos campos ventosos da Dinamarca, para Deedson cada sprint parece pessoal, cada golo uma mensagem para casa. Joga no limite do caos: habilidoso, sempre a conduzir para a frente como se o campo estivesse inclinado a seu favor. Pelo Haiti, tornou-se mais do que uma ameaça: é uma faísca. Marcou o primeiro golo no jogo contra a Nicarágua que selou o lugar da sua nação no Mundial, um remate carregado de história. Deedson ainda não se define por troféus, mas sim pela sensação que deixa para trás. «Esta é a melhor sensação da minha carreira até agora», disse sobre esse golo. «É a minha sensação, e depois a dos adeptos, e depois a da minha família lá em casa». Fora de campo, é mais calmo, mantendo os pés assentes na terra devido ao seu percurso. Quem lhe é próximo fala de um jogador profundamente ligado ao Haiti, carregando a sua bandeira com orgulho onde quer que vá, como se o futebol não fosse apenas uma carreira, mas uma responsabilidade.

16. LENNY JOSEPH

Data de nascimento: 12 de outubro de 2000

Clube: Ferencváros

Posição: Avançado

Joseph sempre jogou como se tivesse pressa de chegar a algum lado. Há algo de futebolista de rua na sua forma de atuar: astuto, destemido e jogando sempre como se o toque seguinte pudesse mudar tudo. Criado em Paris e lapidado na academia do Paris Saint-Germain, cresceu num mundo onde o talento era a moeda de troca e a sobrevivência significava dar nas vistas. A sua ascensão no futebol francês acabou por levá-lo até Budapeste e ao Ferencváros, onde as noites europeias e o sucesso interno lhe aguçaram o instinto. Com uma velocidade fulminante nos primeiros metros, inteligente no jogo aéreo apesar da sua fisionomia franzina e dotado de habilidade suficiente para desenvencilhar-se de defesas em espaços curtos, carrega consigo a rara capacidade de fazer o caos parecer coreografado. Com apenas 25 anos, joga com uma fome insaciável: o tipo de avançado que parece encarar cada desmarcação como uma afirmação. Para o Haiti, Joseph representa mais do que uma promessa: parece ser a próxima grande manchete prestes a acontecer.

20. FRANTZDY PIERROT


Clube: AEK Atenas

Data de nascimento: 29 de março de 1995

Posição: Avançado

Quando Pierrot se lança no ar, o tempo parece parar. Depois, a rede balança. Apelidado de «A Montanha», o avançado haitiano faz com que os cabeceamentos pareçam inevitáveis, superando os centrais no ar enquanto os surpreende na relva com toques suaves e tabelas inteligentes. Nascido em Cap-Haïtien mas criado em Massachusetts, a sua jornada para a Europa foi tudo menos direta, passando pelo futebol universitário americano antes de aprender a prosperar sob pressão em palcos maiores na Bélgica, França, Israel e Grécia. No AEK Atenas parecia destinado a ser a referência no ataque, o homem que os colegas procuram quando os jogos apertam e os cruzamentos começam a voar. Mas uma lesão afastou-o da equipa no final do ano passado e mudou-se por empréstimo para o Caykur Rizespor, da Turquia, em fevereiro. Fora de campo, Pierrot mantém um perfil discreto. Habitual no Haiti, com uma média impressionante de um golo a cada 1,5 jogos, carrega as expectativas do seu país com orgulho silencioso, refletindo uma personalidade mais ponderada do que vistosa: focado, humilde e focado no esforço coletivo em vez do destaque individual.

18. WILSON ISIDOR


Clube: Sunderland

Data de nascimento: 27 de agosto de 2000

Posição: Avançado

Isidor era o rapaz em Rennes que perseguia o futebol como se este lhe devesse algo, correndo entre carros em campos improvisados em becos, celebrando golos imaginários. Alto e rápido, com instinto de predador, é igualmente perigoso no ar e na rotação, misturando força com uma elegância surpreendente. O seu percurso levou-o das camadas jovens do Mónaco para os troféus na Rússia com o Zenit São Petersburgo, onde ergueu títulos de campeão e da taça antes de se lançar no ataque do Sunderland. Representou a França nos escalões de formação mas, em março, o Haiti finalmente conseguiu o seu homem; Isidor confirmou a sua decisão há muito esperada nas redes sociais: «Vi todas as vossas mensagens… pediram por mim, esperaram por mim, e aqui estou». Estreou-se pela seleção principal contra a Islândia e marcou o seu primeiro golo nesse mesmo jogo. Traz um currículo de peso à linha avançada do Haiti, a promessa não apenas de golos, mas de acender o sonho de um país no Mundial.

7. DERRICK ETIENNE JR.


Clube: Toronto FC

Data de nascimento: 25 de novembro de 1996

Posição: Ala

Há algo de elétrico em Derrick Etienne Jr. quando encara um defesa: uma finta de corpo, uma explosão de velocidade e, de repente, está a fugir pelo flanco fora. Nascido na Virgínia mas criado com uma dieta de orgulho haitiano, seguiu o seu pai — também Derrick — para a seleção nacional e foi, por sua vez, seguido pela sua irmã, Danielle. Quando se comprometeu pela primeira vez com o Haiti, falou com o entusiasmo de um jogador que abraça mais do que apenas o futebol: «Estou ansioso por começar… acho que terei a oportunidade de fazer parte de algo especial». Provou ser mais do que palavras e tornou-se uma missão. Rápido, habilidoso e surpreendentemente forte no jogo aéreo, Etienne prospera nos grandes momentos. Com o Columbus Crew, ergueu a MLS Cup em 2020, uma de várias honras numa caminhada na MLS moldada pela resiliência e pela reinvenção.

21. JOSUÉ CASIMIR


Clube: AJ Auxerre

Data de nascimento: 24 de setembro de 2001

Posição: Ala

Nos campos ensolarados de Guadalupe, Josué Casimir aprendeu futebol da maneira difícil. Sem espaço, sem tempo, apenas instinto. Cresceu numa casa onde o jogo era menos um passatempo e mais uma linguagem. Quando chegou à academia do Le Havre, já jogava com desafio. Os treinadores aprenderam rapidamente a não o enjaular. «Deixem-no correr», terá brincado um deles, e ele corre mesmo. Casimir é elétrico: rápido em cinco metros, destemido no ar embora não seja particularmente alto, e abençoado com a arrogância saudável de um extremo. Não se limita a bater os defesas; ele provoca-os. Joga com um sorriso que quase se consegue ouvir. Mas para além do espetáculo, há algo mais profundo. Jogou nas seleções jovens de Guadalupe, país pelo qual o seu irmão Stevenson joga na defesa, mas escolher o Haiti, a terra natal dos seus pais, deu à sua carreira um batimento cardíaco diferente.

15. RUBEN PROVIDENCE


Clube: Almere City FC

Data de nascimento: 7 de julho de 2001

Posição: Ala/Avançado

Nos campos da academia do Paris Saint-Germain, Providence era o tipo de extremo que transformava o treino em teatro: fintas, explosões de velocidade e defesas deixados a correr atrás de sombras. Esse instinto foi moldado nos seus primeiros dias no clube, mas quando se mudou para a Roma em 2019, o talento bruto encontrou estrutura, lapidado num dos ambientes mais exigentes da Europa, onde conquistou títulos jovens e uma vertente tática mais apurada. Rápido e habilidoso, Providence joga com a liberdade de um jogador de rua e a disciplina de um graduado de dois gigantes europeus. A sua passagem pelo TSV Hartberg adicionou fibra à sua seda, trazendo golos, assistências e o gosto pela luta. Agora no Almere City, no segundo escalão neerlandês, joga com liberdade e intenção. Em 2025, escolheu representar o Haiti, uma decisão enraizada no orgulho mais do que na conveniência. Providence não está apenas a perseguir uma carreira; está a perseguir uma história que valha a pena contar.

19. YASSIN FORTUNÉ


Clube: Vizela

Data de nascimento: 30 de janeiro de 1999

Posição: Avançado/Ala

Há uma história contada no Arsenal sobre um Fortuné adolescente que deixava os defesas a perseguir sombras, com uma velocidade impossível de enjaular. Mas fora do campo, a história suaviza-se. Criado nos subúrbios de Paris numa família muito unida, Fortuné mantém-se profundamente humilde, preferindo passar tempo com os seus entes queridos do que perseguir manchetes. O Arsenal contratou-o ao Lens aos 16 anos, mas ele nunca jogou pela equipa principal, mudando-se para o Sion, na Suíça, três anos depois. No verão passado, juntou-se ao Vizela, da segunda liga portuguesa, e num mês já era internacional AA, depois de ter representado a França em vários escalões jovens. Fortuné é explosivo, habilidoso e surpreendentemente forte no ar. Os colegas descrevem frequentemente um caráter calmo, focado, alguém que deixa o seu futebol falar por si. No entanto, há também um lado brincalhão, caracterizado pela música, pelas gargalhadas no balneário e por aquela inconfundível veia de futebol de rua que nunca o abandonou.

Textos de Pierre Richard Midy. Estes textos foram escritos no âmbito da Guardian Experts' Network, a rede de troca de conteúdos para o Mundial 2026, liderada pelo jornal inglês The Guardian e que tem A BOLA como representante português, e foram traduzidos com recurso a Inteligência Artificial.

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