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Mundial 2026: perfis dos jogadores do Equador
1. HERNÁN GALÍNDEZ
Data de nascimento: 30 de março de 1987
Clube: Huracán
Posição: Guarda-redes
O guarda-redes número 1
Após ser dispensado na juventude pelo Rosario Central, o clube da sua terra natal na Argentina, Galíndez reconstruiu a sua vida em Quito e abraçou o Equador como a sua nova casa e identidade. Hoje, com mais de 300 jogos disputados e momentos inesquecíveis, como o de selar a qualificação para o Mundial precisamente diante da Argentina, é visto como um ícone nacional, mas recusa gabar-se. «Não sou um super-herói, sou apenas um jogador de futebol e nada mais». Aos sete anos, em Rosário, ao testar-se entre os postes pela primeira vez, devido à lesão do habitual titular, enfrentou um jovem rival muito dinâmico. «Joguei nesse torneio e sofri apenas um golo. Até hoje, a minha mãe guarda uma placa que diz ‘guarda-redes menos batido’. E esse golo foi marcado por Lionel Messi». Agora, aos 38 anos, é uma das figuras de proa da equipa.
12. MOISÉS RAMÍREZ
Data de nascimento: 9 de setembro de 2000
Clube: AE Kifisia
Posição: Guarda-redes
Munido de reflexos apurados, uma distribuição calma e uma mentalidade forte, Ramírez teve um início fulgurante na carreira, conquistando títulos importantes e chamadas à seleção AA em tenra idade. Contudo, o início do seu percurso não ficou marcado apenas pelos troféus; foi também moldado pela pressão e pelas críticas que se seguiram a alguns erros muito mediáticos, o que o obrigou a crescer depressa. O seu empréstimo ao estrangeiro, do Independiente del Valle para a Real Sociedad, em 2019, ajudou-o a evoluir e a tornar-se mais resiliente. O próprio recorda: «As críticas tornaram-me pessoalmente mais forte, amadureci e passei a tomar melhores decisões.» Atualmente joga na Grécia, ao serviço do AE Kifisia.
22. GONZALO VALLE
Data de nascimento: 28 de fevereiro de 1996
Clube: LDU Quito
Posição: Guarda-redes
Valle estabeleceu-se como um guarda-redes fiável e mentalmente forte, que ganhou reconhecimento continental após uma enorme exibição na Taça Libertadores de 2025, assinando uma série de defesas decisivas contra o São Paulo, em pleno Morumbi. Em janeiro, porém, Valle fez manchetes pelas piores razões, ao ser detido após acusar positivo num teste de balão durante uma operação de trânsito em Quito. Cumpriu uma pena de 20 dias, pagou uma multa e ficou com a carta de condução suspensa. A LDU também tomou medidas disciplinares, mas apoiou-o ao longo do processo. Recebeu ainda o voto de confiança de Miguel Ángel Loor, presidente da Liga Profissional de Futebol do Equador, que afirmou: «Ele certamente sairá deste problema em breve e continuará a sua carreira de forma impecável, sendo quem é: o melhor guarda-redes do país.»
3. PIERO HINCAPIÉ
Data de nascimento: 9 de janeiro de 2002
Clube: Arsenal
Posição: Defesa-central / Lateral-esquerdo
Líder nato
Um dos defesas equatorianos mais completos da sua geração, conhecido pela inteligência táctica, qualidade na saída de bola e polivalência para atuar como central e lateral-esquerdo. Formado no sistema juvenil do Independiente del Valle, passou pelo Talleres antes de brilhar ao serviço do Bayer Leverkusen, mudando-se para o Arsenal no ano passado num negócio por empréstimo inicial. «Bastou uma conversa para me sentir seguro da decisão que estava a tomar ao vir para aqui. Estou nas nuvens... Quero ganhar títulos por este clube, fazer o meu nome e deixar uma marca». Internacional AA desde muito jovem, já disputou um Mundial e a Copa América, afirmando-se progressivamente como um verdadeiro líder na retaguarda.
17. ÁNGELO PRECIADO
Data de nascimento: 18 de fevereiro de 1998
Clube: Atlético Mineiro
Posição: Lateral-direito
Moldado na academia do Independiente del Valle, superou uma infância difícil para chegar a este patamar. Quando tinha 16 anos, o seu pai, que acompanhava de perto a evolução do filho, foi detido. O choque tornou Preciado ainda mais determinado e, desde então, cresceu até se tornar uma figura influente no Equador. Ajudou a garantir a libertação do progenitor e disse-lhe: «Agora podes ver aquele menino que tinhas ao teu lado a participar no maior torneio do mundo». Para alguns, poderá ser mais conhecido por um incidente em fevereiro de 2018, quando se tornou viral na internet após as imagens de televisão o mostrarem a usar uma bandeira de canto para se defender durante uma batalha campal na Copa Libertadores de Sub-20.
2. FÉLIX TORRES
Data de nascimento: 11 de janeiro de 1997
Clube: Internacional
Posição: Defesa-central
Torres surpreendeu tudo e todos com a sua evolução. Sendo um rapaz franzino de Esmeraldas, não parecia um candidato óbvio a futuro central dominador da seleção. Contudo, Daniel Peña, um olheiro de um clube que realizava uma observação em 2015 para avaliar outro jogador num treino do Alianza del Pailón, reparou em Torres e recrutou-o. Peña recordou em 2023: «Este miúdo tinha um bom controlo de bola, bom posicionamento. Fazia as coisas difíceis parecerem fáceis. O lado negativo era não saber cabecear e ser muito magro. Mas hoje em dia o seu físico e o jogo aéreo são as suas maiores forças». Um autêntico líder, estreou-se pela seleção principal em 2019 e confere maturidade e cultura de trabalho à linha defensiva.
25. JACKSON POROZO
Data de nascimento: 4 de agosto de 2000
Clube: Tijuana
Posição: Defesa-central
O Equador tem alguns talentos excecionais no centro da defesa. Willian Pacho e Piero Hincapié enfrentaram-se na final da Liga dos Campeões em maio. Mas, longe destes consagrados defesas-centrais de elite, Porozo, que joga no México, oferece opções ao seu selecionador. Convocado aos 22 anos para o seu primeiro Campeonato do Mundo, no Catar, foi lançado no onze inicial de Gustavo Alfaro para o segundo jogo da fase de grupos contra os Países Baixos, quando o Equador mudou de uma linha de quatro para uma defesa a três. Porozo adapta-se melhor do que ninguém ao lado direito de uma linha de três centrais. Com 1,93m, é também uma grande ameaça em lances de bola parada e desviou de cabeça um livre num amigável de preparação contra a Arábia Saudita. O jogador atribui a sua versatilidade ao facto de ter jogado futebol na rua quando era jovem. «Tenho os atributos para jogar em qualquer posição», disse há uns anos. «O meu pai sempre quis que eu fosse futebolista. Graças a Deus, surgiu a oportunidade de jogar profissionalmente.»
26. YAIMAR MEDINA
Data de nascimento: 5 de novembro de 2004
Clube: Genk
Posição: Defesa
A primeira internacionalização de Medina não aconteceu num jogo qualquer – aos 19 anos, saltou do banco em Curitiba para se estrear a nível internacional contra o Brasil. Na altura, ainda jogava no Independiente del Valle e estava a habituar-se à ideia de jogar fora da sua posição original – começou por ser extremo-esquerdo. «Não me sinto um convidado, sinto-me parte do grupo e estou aqui para conquistar o meu lugar», disse Medina antes da sua estreia. Poucas semanas após esse batismo de fogo – que terminou com uma derrota por 1-0 –, Medina estava a caminho da Europa, dando o já habitual primeiro passo dos jogadores equatorianos rumo à Bélgica e ao Genk. Numa demonstração da confiança que Sebastián Beccacece tem no lateral-esquerdo, a única outra partida de qualificação em que Medina participou foi o jogo da segunda volta contra o Brasil – quando o Equador manteve a baliza a zeros num empate sem golos. Versatilidade e entusiasmo são o tipo de qualidades que garantiram a Medina um lugar no avião para a América do Norte.
7. PERVIS ESTUPIÑÁN
Data de nascimento: 21 de janeiro de 1998
Clube: Milan
Posição: Lateral-esquerdo
O explosivo lateral-esquerdo chegou ao Milan no ano passado num negócio histórico, tornando-se o primeiro equatoriano a vestir a camisola dos rossoneri. Tem sido uma caminhada e tanto. Em criança, conciliava o futebol com a ajuda na banca de almôndegas da mãe, onde vendia empanadas. A sua carreira futebolística começou seriamente na LDU Quito em 2015, levando-o a passar por Watford, Granada, Almería, Mallorca, Osasuna, Villarreal e Brighton antes de pisar o San Siro. Falando na sua apresentação, revelou ter recebido «tantas mensagens do Equador». «Toda a gente diz que é adepta do Milan desde pequenina só porque eu estou aqui. Só espero que comprem todos a camisola». As suas primeiras exibições no clube motivaram algumas críticas, mas, mesmo sob pressão, Estupiñán mantém-se mentalmente forte, aportando uma enorme bagagem à comitiva deste verão.
6. WILLIAN PACHO
Data de nascimento: 16 de outubro de 2001
Clube: Paris Saint-Germain
Posição: Defesa-central
O esteio defensivo
Oriundo das ruas humildes de Quinindé, Pacho teve uma ascensão meteórica desde o Independiente del Valle até à conquista da Europa, tornando-se o primeiro equatoriano a vencer a Liga dos Campeões na histórica goleada de 5-0 do PSG sobre o Inter, no ano passado. É conhecido por ser humilde e respeitador, qualidades que diz terem sido incutidas desde cedo. «A minha mãe sempre me ensinou que temos de respeitar sempre as pessoas, ser amáveis dentro e fora de campo... Sempre disse que, acima de todas as coisas, temos de respeitar toda a gente». Ela faleceu aos 51 anos; a sua camisola número 51 homenageia a sua memória. Nota ainda para a sua icónica ligadura no pulso — um amuleto que surgiu após uma lesão na mão sofrida ao serviço do Antuérpia. «Fraturei a mão, tive de colocar a ligadura e logo a seguir marquei um golo contra a Austrália. Desde aí uso sempre a ligadura porque me sinto bem». A sua primeira convocatória para a seleção AA apanhou-o de surpresa, dado que não somava qualquer internacionalização nas camadas jovens. «Fui direto à seleção principal, foi incrível, não esperava... Liguei à minha família, contei-lhes e gritaram todos, estavam tão felizes». Da mesma forma, quando assinou pelo PSG: «Liguei às minhas irmãs e elas choraram imenso.»
4. JOEL ORDÓÑEZ
Data de nascimento: 21 de abril de 2004
Clube: Club Brugge
Posição: Defesa-central
A caminho do topo
Ordóñez é um imponente defesa-central que se tornou num pilar do Club Brugge, elogiado pela sua maturidade e inteligência defensiva. Nascido em Guayaquil e formado no Independiente del Valle, mudou-se para a Bélgica em 2022 e foi construindo solidamente a sua reputação, deixando de ser uma promessa irreverente para se fixar como titular indiscutível e opção internacional pelo Equador. O seu crescimento espelha foco, paciência e consistência. Um dos seus primeiros treinadores recordou, contudo, que o trajeto poderia ter sido diferente, evocando o desejo de infância do jogador em ser a estrela do ataque, em «ser o Enner Valencia ou Balotelli». O seu futuro na retaguarda apresenta-se, porém, extremamente risonho tanto no clube como na seleção. Possui a mentalidade ideal para se fixar como um dos melhores defesas equatorianos da sua geração e tem sido sucessivamente apontado à Premier League.
23. MOISÉS CAICEDO
Data de nascimento: 2 de novembro de 2001
Clube: Chelsea
Posição: Médio-defensivo
O motor do meio-campo
Dos campos de terra batida de Santo Domingo até à quebra do recorde de transferências britânico, Caicedo tem protagonizado uma viagem memorável. Quando o Chelsea pagou 115 milhões de libras ao Brighton, em 2023, carimbou um contrato de oito anos, numa demonstração massiva de confiança financeira no seu valor. E, após o que descreveu como «um início difícil» - «senti a pressão» - tem correspondido ao estatuto em Stamford Bridge. Sendo de trato calmo e sensível, a alcunha de infância «Niño Moi» ficou colada e, no ano passado, lançou a sua Academia Niño Moi 23 em Guayas, desejando que esta possa «moldar tanto talentos desportivos como cidadãos exemplares, assentes em bons valores». A fé é o seu combustível: «Rezo em todos os jogos, ganhe ou perca... Peço a Deus que nos guie em cada partida sem lesões». Chegou ao Mundial condicionado por uma suspensão decorrente do cartão vermelho visto no jogo de qualificação do ano passado contra a Argentina, um desafio que começou com a sua mãe, Carmen, a entrar em campo para entregar a bola do jogo ao árbitro.
21. ALAN FRANCO
Data de nascimento: 21 de agosto de 1998
Clube: Atlético Mineiro
Posição: Médio
Um elemento forte e versátil no miolo, sendo mais um produto das escolas do Independiente del Valle. O rumo da sua carreira foi moldado não apenas pelo futebol, mas por uma perda pessoal: o seu pai, Pedro Franco, faleceu durante a pandemia de Covid-19 em 2020, escassos dias antes de Alan assinar pelo Atlético Mineiro. Desde então, tem dedicado todos os troféus e golos a Pedro. Tratando-se de um jogador adaptável, chegou a ser apontado como futuro avançado por um dos seus treinadores na formação e já foi utilizado no setor recuado pela seleção. «Posso jogar em qualquer posição que me seja pedida», afirmou no ano passado. «Sou médio, sou lateral. As coisas mudam; no futebol tens de ser multifuncional. Não me incomoda; é algo de que gosto e considero positivo adaptar-me.»
14. ALAN MINDA
Data de nascimento: 14 de maio de 2003
Clube: Atlético Mineiro
Posição: Extremo
Um extremo explosivo, Minda é fruto da academia do Independiente del Valle, tendo subido patamares com experiências precoces na LigaPro, na Taça Libertadores, num Campeonato Sul-Americano de Sub-20 e num Mundial de Sub-20, a caminho de se firmar como uma das maiores esperanças ofensivas do Equador. Destacando-se pelo drible, aceleração e capacidade de romper as linhas defensivas, já faturou na Copa América e nas qualificações para o Mundial. Dando continuidade à sua evolução no Atlético Mineiro, após assinar um contrato de cinco anos em janeiro, Minda mostra-se destemido e decisivo nas transições. Afirmou anteriormente que a sua mentalidade passa por «ter total confiança e não ter medo de errar». «Persigo o sonho que tenho desde criança: jogar, emigrar e ajudar a minha família».
18. DENIL CASTILLO
Data de nascimento: 24 de março de 2004
Clube: Midtjylland
Posição: Médio-centro
Uma presença resiliente no coração do meio-campo, Castillo evoluiu imenso desde que se mudou para a Dinamarca, para representar o Midtjylland, em 2024, emergindo como uma das promessas mais risonhas do clube. Deixou a sua casa muito jovem para perseguir o sonho de singrar no futebol profissional, num trajeto que o levou do Shakhtar Donetsk, na Ucrânia, sob cenário de guerra, a uma breve passagem pelo Partizan de Belgrado, antes de rumar a solo dinamarquês, onde afirma sentir-se seguro, ambientado e confiante de novo. Calmo com a bola, tacticamente inteligente e mentalmente forte, Castillo carrega a sua história com orgulho, recordando o período na Ucrânia: «Ouviam-se as bombas todos os dias, mas eu tinha de me manter focado e continuar.»
9. JOHN YEBOAH
Data de nascimento: 23 de junho de 2000
Clube: Veneza
Posição: Extremo
Um atacante polivalente, Yeboah nasceu em Hamburgo e era elegível para representar a Alemanha e, por via dos pais, o Gana e o Equador. Alinhou pelas camadas jovens da Alemanha desde os Sub-16 aos Sub-20, mas acabou por escolher o Equador em 2023. Sentindo-se confortável a atuar como extremo, segundo avançado ou médio-ofensivo, destaca-se pela agilidade, controlo de bola em terrenos curtos, movimentação perspicaz entre linhas e capacidade para desequilibrar os defesas no um contra um. O seu trajeto por Alemanha, Países Baixos, Polónia e agora Itália, ao serviço do Veneza, moldou um futebolista resiliente, adaptável e de mentalidade forte. Falando em janeiro sobre a opção pelo Equador, afirmou: «A Alemanha é uma nação que me deu imensas oportunidades tanto no futebol como na vida, mas o meu coração e a minha alma pertencem obviamente ao Equador. Estou pronto para dar tudo pela seleção.»
5. JORDY ALCÍVAR
Data de nascimento: 5 de agosto de 1999
Clube: Independiente del Valle
Posição: Médio-defensivo
Sendo um médio equilibrado e inteligente, Alcívar transformou-se numa peça preponderante no Independiente del Valle como pivô defensivo e organizador. Nascido em Manta, destaca-se pela solidez defensiva, qualidade na distribuição de bola, disciplina táctica e polivalência no setor intermédio. Formado na LDU Quito, onde era conhecido pela alcunha de «La Bochorna 44» («Jogávamos Free Fire online e eu precisava de um nome de utilizador. Escolhi esse e têm-me chamado assim desde então»), ganhou projeção internacional no Charlotte FC, da MLS, antes de regressar ao Equador em 2023, onde desde então ergueu troféus importantes, incluindo a Serie A e a Taça do Equador em 2025. É internacional AA desde 2021.
10. KENDRY PÁEZ
Data de nascimento: 4 de maio de 2007
Clube: River Plate
Posição: Médio-ofensivo / Extremo-direito
A força criativa
O talento geracional do Equador, um prodígio canhoto transbordante de criatividade e audácia. Desenvolvido no Independiente del Valle, estreou-se no escalão principal com apenas 15 anos e atraiu rapidamente o interesse mundial; o Borussia Dortmund e o Manchester United foram associados antes de ele selar uma transferência de 17 milhões de libras para o Chelsea em 2023. Após um período de evolução em França, ao serviço do Estrasburgo, juntou-se ao River Plate este ano. É internacional AA desde setembro de 2023, quando se estreou com 16 anos e 131 dias num jogo de qualificação para o Mundial contra o Uruguai — ficando a apenas 11 dias de bater o recorde de Diego Maradona como o jogador masculino mais jovem a alinhar por uma seleção sul-americana. Um mês depois marcou à Bolívia, tornando-se o marcador mais jovem de sempre em qualificações da CONMEBOL para o Mundial. Em janeiro, o treinador do Chelsea, Liam Rosenior, apelidou-o de «um miúdo que tem um dom, ultratalentoso», ao passo que o colega de equipa Moisés Caicedo afirmou: «Toda a gente sabe que ele é grande e se fizer a sua parte e se dedicar todos os dias, nos treinos e fora deles, será um fora de série total. O talento que ele tem é incrível.»
15. PEDRO VITE
Data de nascimento: 9 de março de 2002
Clube: Pumas UNAM
Posição: Médio-ofensivo
Um talentoso criador de jogo canhoto
Estreou-se em termos competitivos em 2019, na Serie B, pelo escalão satélite do Independiente del Valle, o Independiente Juniors, antes da estreia na Serie A principal em 2021. Em agosto desse ano, com 19 anos, deu o salto para a MLS pela porta do Vancouver Whitecaps, onde o seu progresso — em termos de consistência, maturidade e liderança — foi supersónico. No ano passado mudou-se para o México para representar o Pumas UNAM. Fala abertamente sobre as dificuldades que sentiu com as saudades de casa na juventude e sobre a saúde mental, de uma forma geral. «Quando fui para Quito, para o Independiente, foi difícil porque era muito apegado à minha mãe. Saí aos 12 anos e chorei até aos 14 ou 15. Não conseguia adaptar-me a Quito; gostava dos meus companheiros, mas tinha saudades de estar com a minha mãe. As nossas vozes quebravam quando finalmente conseguíamos falar! Sofri, e tenho psicólogo desde os 12 anos. As pessoas precisam de mudar a forma como veem isso nas suas mentes; acham que se tens um é porque estás mal ou maluco, mas um psicólogo ajuda-te a crescer como pessoa.»
20. NILSON ANGULO
Data de nascimento: 19 de junho de 2003
Clube: Sunderland
Posição: Extremo
A carreira sénior de Angulo começou em 2021, na LDU Quito, onde o seu talento atraiu rapidamente as atenções dos olheiros estrangeiros. Mudou-se para os belgas do Anderlecht em 2022, com um contrato de cinco anos, e as suas exibições consistentemente produtivas na equipa principal valeram-lhe o interesse de vários clubes da Premier League antes de o Sunderland o contratar por 17,5 milhões de libras na última janela de inverno. O então diretor desportivo do clube, Kristjaan Speakman, apelidou Angulo de «uma promessa incrivelmente entusiasmante, rápido e criativo, [que] sobressai em todas as ações fulcrais necessárias para causar impacto no último terço». O próprio Angulo afirmou: «A minha evolução como jogador no Anderlecht foi fantástica, mas espero continuar a melhorar ainda mais no Sunderland. Acredito nas minhas capacidades». Cresceu a ver vídeos de fintas de Neymar. «O meu ídolo é o Neymar. Quando jogava com os meus amigos, tentava sempre imitá-lo».
19. GONZALO PLATA
Data de nascimento: 1 de novembro de 2000
Clube: Flamengo
Posição: Extremo
Um jogador a acompanhar
Um futebolista de flanco explosivo que pode ser uma verdadeira ameaça a partir da ala direita ou como avançado interior. Começou no Independiente del Valle, onde credita o treinador Juan Carlos León por lhe mudar a mentalidade. «Era muito conflituoso em criança, irritava-me com tudo em campo. Era expulso porque os jogadores adversários me batiam ou insultavam e eu caía na provocação deles. Também era muito preguiçoso, não gostava muito de treinar, não gostava de correr, não gostava da vertente física. Ele fez-me mudar essa forma de ser, essa forma de jogar, para colocar muito mais pressão sobre mim próprio». O trajeto da sua carreira em clubes levou-o a passar pelo Sporting, pelo Real Valladolid em Espanha e pelo Al Sadd no Qatar, antes de rumar ao Brasil para representar o Flamengo, a partir de 2024. O percurso nem sempre se fez sem precalços: em 2021, o Valladolid emitiu um comunicado a «lamentar» o seu comportamento após este se envolver num acidente de viação de madrugada. Plata assumiu: «Não há justificação para o que aconteceu. Foi uma má ação da minha parte. Deixei-me levar pela vida noturna.»
24. JEREMY ARÉVALO
Data de nascimento: 19 de março de 2005
Clube: Estugarda
Posição: Avançado
Uma das promessas mais risonhas do ataque do Equador, combinando poder físico com qualidade técnica e a inteligência de um avançado-centro moderno. Nascido em Espanha, filho de pais equatorianos, Arévalo formou-se na academia do Racing de Santander e mudou-se para o Estugarda em janeiro passado num negócio de 6,5 milhões de libras. Detentor de dupla nacionalidade, representou a Espanha no escalão de Sub-18 antes de comprometer o seu futuro com a La Tri, estreando-se em novembro passado num jogo diante do Canadá. Fabian Wohlgemuth, dirigente do Estugarda, afirmou: «Ele já possui muitos dos atributos que um avançado necessita, ainda é jovem e vemos nele um grande potencial. Queremos potenciá-lo juntos». Esteve no centro de uma polémica no ano passado, face a relatos de que o selecionador do Equador, Sebastián Beccacece, o teria afastado de um particular por a estrutura considerar que Arévalo se tinha apresentado no estágio acima do peso. Arévalo respondeu de forma simples: «Estou aqui para continuar a evoluir, passo a passo. Sinto um orgulho incrível em cada minuto que consigo jogar pela seleção equatoriana.»
11. KEVIN RODRÍGUEZ
Data de nascimento: 4 de março de 2000
Clube: Royale Union Saint-Gilloise
Posição: Avançado-centro
Emergindo do Imbabura, na Serie B do Equador, a rápida ascensão de Rodríguez surpreendeu os adeptos, sendo a sua convocatória para o Mundial de 2022 muito criticada pelo facto de atuar no segundo escalão. Mas esse momento marcou uma mudança de velocidade na sua carreira: pouco depois assinou pelo Independiente del Valle e causou uma rápida impressão nos olheiros internacionais devido à sua estatura e força física. Conhecido como «La Rola», mudou-se para a Bélgica para representar a Union Saint-Gilloise em 2023, estreando-se num jogo da fase de grupos da Liga Europa frente ao Toulouse. Sentiu dificuldades para encontrar o caminho dos golos numa fase inicial, mas recuperou a forma no momento ideal para carimbar o seu lugar na comitiva para o Mundial deste verão.
13. ENNER VALENCIA
Data de nascimento: 4 de novembro de 1989
Clube: Pachuca
Posição: Avançado-centro
A figura de proa
Conhecido como «Super-Homem» por uma razão. O melhor marcador de sempre da sua nação apresentou-se neste torneio com um recorde de seis golos marcados em Mundiais pelo Equador, e continua em grande forma aos 36 anos, após regressar ao Pachuca, onde outrora ergueu a Bota de Ouro da Liga MX. Desde dormir no estádio do Emelec em criança e arranjar dinheiro para o seu primeiro par de botas a ordenhar vacas na quinta do pai até brilhar ao serviço de West Ham, Everton, Tigres, Fenerbahçe, Internacional e agora de regresso ao México, o seu trajeto tem sido pleno de drama e também de algum caos. Durante um célebre jogo de qualificação para o Mundial em 2016, contra o Chile, em Quito, jogava sob a ameaça de um mandado de detenção devido a um litígio relacionado com pensões de alimentos e reparou que a polícia rondava a linha lateral para o deter ao apito final. Assim, aos 82 minutos, desabou no relvado, foi retirado numa maca com uma máscara de oxigénio e transportado à pressa para uma ambulância, que foi depois perseguida pelo grupo de polícias ao redor da pista de atletismo. Conseguiu escapar para uma clínica; a disputa legal seria resolvida mais tarde.
16. JORDY CAICEDO
Data de nascimento: 18 de novembro de 1997
Clube: CA Huracán
Posição: Avançado
Um número 9 clássico, Caicedo garante poder físico, presença na área, instinto matador e uma forte capacidade no jogo aéreo. Em 2019 falou sobre os seus primeiros passos no futebol, crescendo no bairro humilde de Nuevo Pilo, em Machala. «Era uma zona economicamente pobre, mas havia muitos rapazes e nós não víamos a pobreza. Costumávamos jogar futebol de rua em bairros com miúdos ricos, apostávamos dinheiro e ganhávamos sempre. Éramos os melhores. Usávamos o dinheiro para comprar pão e refrigerantes». Quando não estava a jogar, ajudava o pai a sustentar a família. «O meu pai vendia sumo de coco e de tamarindo, bem como doces de coco na rua e na praia, e eu ajudava-o». Isso cessou quando, aos 13 anos, Caicedo foi referenciado no seu clube local. Aos 17 anos tornou-se profissional na Universidad Católica de Quito. Desde então a sua carreira somou passagens por Brasil, Bulgária, México, Turquia e Espanha, mudando-se para a Argentina para representar o Huracán no ano passado.
8. ANTHONY VALENCIA
Data de nascimento: 21 de julho de 2003
Clube: Royal Antwerp
Posição: Avançado
Tal como Jackson Porozo, Valencia não prejudicou as suas hipóteses de ser incluído na lista final de 26 convocados ao balançar as redes na vitória do Equador no amigável contra a Arábia Saudita, no dia anterior ao anúncio. O jovem de 22 anos mostrou o seu instinto de avançado para marcar o seu primeiro golo internacional, desviando à primeira um remate que bateu o guarda-redes, em Nova Jérsia. Numa entrevista após o jogo, Valencia não conseguia parar de sorrir e agradeceu à sua mãe, que assistia a partir de casa. «Ela não está aqui, mas tenho a certeza de que está muito feliz», afirmou. O atacante passou quase toda a sua carreira sénior no Royal Antwerp, desempenhando um papel secundário na conquista do primeiro título da liga belga do clube em 66 anos, em 2023. Não sendo de todo um goleador prolífico, Valencia sente-se confortável a jogar atrás do avançado principal ou até mesmo como ala direito.
Textos de Francisco Limongi, do Studio Fútbol. Estes textos foram escritos no âmbito da Guardian Experts' Network, a rede de troca de conteúdos para o Mundial 2026, liderada pelo jornal inglês The Guardian e que tem A BOLA como representante português, e foram traduzidos com recurso a Inteligência Artificial.