Treinador do Benfica na antevisão do jogo com o Hearts

Muito cedo para avaliar o mercado do Benfica, o Hearts, centrais e Schjelderup — tudo o que disse Marco Silva

Treinador dos encarnados fez esta quarta-feira a antevisão do jogo com os escoceses do Hearts, quinta-feira, na Luz, primeira mão da 3.ª pré-eliminatória da Liga Europa

De que forma é que o Benfica vai abordar esta partida? Sendo que nesta terceira pré-eliminatória tem a particularidade de ser ao contrário: primeiro jogo em casa e depois irá visitar a Escócia.
— Sim, tem essa particularidade diferente. Sabendo nós que estamos numa decisão a dois jogos, acaba por ser diferente nesse aspeto. O fator casa no momento decisivo, que é sempre a segunda mão, não o teremos, mas acredito que o impacto do fator casa, seja ele no primeiro jogo, também estará bem presente. É esse o nosso objetivo: jogar também com isso, saber e sentir a importância do que é jogar no Estádio da Luz a primeira mão de uma eliminatória e fazer com que esse impacto tenha um peso decisório no primeiro jogo. Nunca terá na eliminatória o peso que teve no segundo jogo contra o St. Gallen. Mas essa é a diferença e teremos que ser capazes de dar respostas àquilo que o jogo for ditando. Sobre a abordagem: é uma equipa diferente, na minha opinião. Tem algumas características similares, mas é uma equipa diferente na forma como aborda o jogo, quer no momento defensivo, quer no momento ofensivo, mas com maior incidência na diferença no momento defensivo. A ambição é claramente ganhar o jogo, não indo aqui pela questão de irmos confortáveis ou não para o segundo jogo com o resultado. Nós temos é que vencer, é essa a nossa ambição. Poderemos, sim, ir mais confiantes para o segundo jogo independentemente do que fizermos no primeiro, mas só isso, porque nada ficará decidido de certeza amanhã.

Vai mexer muito na equipa?
— Em relação à questão de poder haver alguma alteração ou não, uma já irá haver de certeza, como disse e bem. Isso é claro na questão do António [Silva], que já não está connosco e que fez o último jogo. Por aí, irá existir de certeza uma alteração. Quanto às outras... é um cliché, mas é verdade: terão que esperar por amanhã para perceber quais serão as minhas decisões em relação a isso. Posso confirmar, e acho que isso é lógico também, melhorias em relação ao aspeto físico de alguns jogadores que, no jogo com o St. Gallen, tinham praticamente apenas quatro sessões de treino — refiro-me principalmente aos jogadores que chegaram mais tarde do Mundial. Esses, naturalmente, com mais uma semana de trabalho e com treinos de características um pouco diferentes, estarão melhores. Fizemos um treino específico no dia seguinte ao jogo com o St. Gallen para dar um estímulo diferente a esses mesmos jogadores e aos que não foram tão utilizados. Esta foi a última semana em que tivemos uma semana completa para preparar o jogo. A partir de agora, e até à paragem das seleções, não haverá uma semana normal; iremos jogar praticamente de três em três dias. É a realidade. Nesse aspeto, esta semana foi importante para esses jogadores e estarão melhores. Se irão começar ou não, e se irão existir mais alterações para além da do central, é uma decisão que tomaremos amanhã.

Fizemos um treino específico no dia seguinte ao jogo com o St. Gallen para dar um estímulo diferente.

Já tem claro na sua cabeça qual será a hierarquia e que tipo de jogadores vai querer escolher para o papel de capitão?
— Dois elementos do grupo dos cinco capitães saíram do Benfica: um no final da época [Otamendi] e agora o António, há praticamente cinco dias. Portanto, desse mesmo grupo de cinco, três continuam connosco e farão parte do grupo de capitães. Nos próximos dias possivelmente saberão qual será o grupo definitivo. É uma decisão que irei tomar muito brevemente. Eu queria que o grupo estivesse mais completo. No último domingo antes do jogo com o St. Gallen finalmente completámos o grupo com os jogadores da época passada e algumas caras novas. É óbvio que haverá mexidas até ao final do mercado, mas o núcleo dos capitães de equipa está neste momento no clube. Há três que estão garantidos, pois já faziam parte do grupo no ano passado. Iremos acrescentar mais um ou dois. Em relação ao jogo de amanhã, não há muitas dúvidas: o Fredrik [Aursnes] estará fora do jogo, por isso é fácil calcularem quem poderá ser o capitão.

É uma decisão que irei tomar muito brevemente. Eu queria que o grupo estivesse mais completo.

Em que ponto é que está o Schjelderup para si: é um jogador que faz parte do lote dos imprescindíveis ou um jogador que aceitaria perder ainda neste mercado? E a baliza também é um dos locais onde o Benfica se pretende reforçar?
— Duas boas questões a que eu não vou responder diretamente. São boas tentativas de chegar a algum lado, mas não vou responder diretamente. A primeira é-me muito fácil comentar: eu percebo o porquê de tanta conversa sobre o Andreas [Schjelderup]. Primeiro, porque tem qualidade. O Benfica tornou pública a questão da possível renovação e da oferta que tem; a partir do momento em que isso é público, é compreensível que existam conversas. Pela qualidade que ele tem, pelos últimos cinco meses da última temporada e pelo excelente Campeonato do Mundo que fez... bem, acho que ao elogiá-lo desta forma já respondi se ele é fundamental ou não para mim. Pela forma como queremos jogar, os jogadores de corredor são fundamentais. Ele tem características muito próprias para enfrentar blocos baixos, é capaz de fazer algo diferente contra adversários que se organizam bem defensivamente — e vamos encontrar muitos no campeonato português. O Andreas é um jogador em quem eu acredito muito e é diferenciado. Tem trabalhado muito bem, está envolvido e é um excelente rapaz, sempre alegre no dia a dia. Só tenho coisas positivas a dizer. O nosso objetivo é tirar o maior rendimento dele e fazê-lo evoluir todos os dias para ajudar a equipa. Tenho a certeza de que o fará. Quanto à baliza, para já, não há nada a conversar sobre esse assunto. Percebo o ruído externo, mas para nós não é sequer um assunto.

O Andreas [Schjelderup] é um jogador em quem eu acredito muito e é diferenciado.

Com a saída de António Silva, tem apenas três centrais à disposição, sem contar com os jovens da formação. Pergunto-lhe se esperava por esta altura já ter um reforço para essa posição e, numa análise mais macro, se está satisfeito com o mercado que o Benfica tem feito até ao momento.
— Vou responder à questão do central. À segunda não vou responder porque é simples: não se fazem avaliações de mercado no princípio de agosto. Há questões que queremos que aconteçam mais depressa, mas nem sempre é possível. No mercado, especialmente nas entradas, nem tudo é linear. Nas saídas, às vezes acontecem coisas que nem estamos interessados que ocorram, mas não é fácil manter todos os jogadores. Sobre os centrais: no jogo passado tínhamos dois titulares e o Tomás [Araújo] no banco. No primeiro jogo, na Suíça, o Tomás estava no banco mas não estava em condições; se houvesse uma lesão ele teria de dar resposta, mesmo não estando no auge físico. No segundo jogo já estava muito mais disponível. Amanhã temos os três centrais, incluindo o Índio, mas o Índio é um jogador muito jovem. Vai demorar o seu tempo; vai precisar de jogar na equipa B para perceber a dimensão do Benfica e a exigência tática do jogo em Portugal. Temos de lhe dar tempo para não queimar etapas. Ele é focado e trabalhador, mas terá o seu tempo. Essa é a grande diferença do jogo passado para amanhã ao nível das soluções. Se for preciso, teremos de usar jogadores que possam fazer essa posição, não sendo a posição de raiz — refiro-me ao Manu ou até ao Enzo [Barrenechea]. Esta é a realidade do Benfica neste momento. Não falo em urgência, porque no futebol essa palavra tem um peso excessivo, mas estamos atentos. Queremos resolver a questão o mais rápido possível, mas queremos resolvê-la bem. Não queremos contratar um jogador para um ou dois jogos; queremos alguém que seja uma mais-valia para a época inteira. Perdemos um jogador importante, o António, e o objetivo é sempre melhorar a equipa. Toda a estrutura do Benfica quer reforços o mais depressa possível, até porque estamos em competição e esta é uma posição específica, mas queremos ser assertivos. Não vamos buscar alguém só por pressa se não estivermos totalmente confiantes na sua qualidade.

Não se fazem avaliações de mercado no princípio de agosto.

O que conhece do Hearts?
— Com certeza que conhecemos. Como sabem, estive na Premier League muitos anos e a liga escocesa é algo que acompanhamos. Lembro-me de ver o último jogo da época passada na televisão e toda aquela história incrível sobre a possibilidade de o Hearts ser campeão após tantos anos. Vão ser perigosos, com certeza. O ambiente no estádio deles no segundo jogo será forte, mas para nós o importante é sermos fortes amanhã em casa e mostrarmos a nossa qualidade. Respeitamos muito o que fizeram na época passada, têm um novo treinador e precisam de tempo para se adaptar, mas o Hearts é sempre uma equipa perigosa.

O Hearts é sempre uma equipa perigosa.

Que aspetos mais o impressionaram no Hearts?
— Têm semelhanças com o estilo da Premier League ou do Championship, na forma como competem. Como mencionei, o fator casa e o ambiente são muito importantes para eles. Amanhã jogam fora, mas têm capacidade para nos criar problemas. Temos de estar ao nosso melhor nível. Respeitamos a competição; na Escócia costumam ser os dois grandes clubes a lutar pelo título, mas na época passada houve outra equipa [Hearts] a intrometer-se nessa luta e a competir pelo acesso à Champions, o que é muito bom para a competitividade da liga.

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