Vasco Seabra projetou a receção deste sábado ao Benfica (D. R.)
Vasco Seabra projetou a receção deste sábado ao Benfica (D. R.)

Mourinho, Otamendi e a receita de Vasco Seabra no Arouca para travar o Benfica

Lobos da Serra da Freita confiantes na fórmula que poderá precipitar a primeira derrota dos encarnados na Liga esta época; Javi Sánchez e Tiago Esgaio de volta ao onze

Com o Arouca a crescer desde o arranque da segunda volta da Liga, Vasco Seabra espreita a oportunidade de poder não só somar três pontos frente ao Benfica como de saltar para as manchetes caso consiga consumar a primeira derrota dos encarnados no campeonato. E para isso conta com um duelo de casa cheia, este sábado (20h30), que admitiu ser de alta dificuldade, não obstante a ausência, por castigo, do treinador José Mourinho no banco das águias.

«Em todas as épocas que estive como treinador sempre conseguimos fazer pontos contra os grandes, e aqui incluo também o SC Braga. Por isso, esta é mais uma oportunidade, é mais um desafio. Acima de tudo, uma oportunidade para sermos Arouca, competirmos de forma muito intensa e agressiva frente a uma excelente equipa, num jogo que vai ter um ambiente fantástico, porque o estádio vai estar cheio. Queremos fazer aquilo que ninguém fez ainda nas competições internas, que é ganhar ao Benfica. É com essa ambição que vamos para o jogo, sabendo que teremos pela frente um adversário muito forte, uma excelente equipa, muito capaz e com um grande apoio nas bancadas», projetou o técnico, esta sexta-feira, na antevisão da partida.

Espero um Benfica intenso, a querer mostrar a sua força. Vai querer entrar forte no jogo e a pressionar-nos fortemente para tentar resolvê-lo

Admirador de José Mourinho, Vasco Seabra descartou, contudo, que a ausência de José Mourinho possa diminuir o alto potencial das águias.

«Naturalmente não vou comentar as opiniões de José Mourinho, ou aquilo que são as opções que tem, que são muitas e variadas, todas elas com muita qualidade e valiosas em termos financeiros. O treinador do Benfica é uma referência para mim, já disse isso várias vezes, mas quando entramos em campo é exatamente igual se estivéssemos a jogar, por exemplo, com o Famalicão e o Hugo [Oliveira] não estivesse. Defrontamos os adversários sempre da mesma forma, com o mesmo respeito, com a mesma intensidade e com a maior paixão», garantiu o técnico dos arouquenses, que espera um adversário intenso e fiel aos seus princípios.

«Espero um Benfica intenso, a querer mostrar a sua força. Vai querer entrar forte no jogo e a pressionar-nos fortemente para tentar resolvê-lo. Acabou o jogo com o FC Porto (2-2) de forma muito boa e por cima, a recuperar de uma desvantagem de dois golos contra a equipa que está em primeiro lugar, pelo que é também essa alma que trará para este jogo. Será um Benfica fiel àquilo que tem vindo a fazer nos últimos jogos, nas últimas semanas, uma equipa que procura naturalmente assumir o jogo, procura ser pressionante e dominadora», analisou, já com o trabalho de casa realizado.

Sabemos que vamos defrontar um excelente adversário que tem zero derrotas e, portanto, é a nossa oportunidade de nós conseguirmos resgatar uma vitória a uma equipa sem derrotas, é esse o nosso foco

«Tenho muitas dúvidas que o Benfica fique em bloco muito expectante. Pode num ou noutro momento baixar ligeiramente para poder depois a seguir voltar a ganhar metros, mas acredito que nos vai pressionar muito e querer empurrar-nos para trás. Portanto, temos que saber lidar com os momentos em que o Benfica está mais alto ou em que o Benfica está intermédio. Sabemos que contra estas equipas é difícil nós conseguimos instalar-nos completamente no último terço, obrigando o adversário a um bloco baixo; se o conseguirmos será fenomenal. Em termos táticos, acredito que não irá variar muito daquilo que tem vindo a fazer, acho que vai estruturar-se essencialmente num 4x2x3x1, sendo que o Rafa poderá ser um 10, ou um bocadinho mais segundo avançado. O Benfica é uma equipa completa, tem um jogo variado e cria muitas dificuldades aos adversários», explicou, deixando ainda os ideais que vão guiar a resposta dos lobos em campo.

«Nós queremos competir contra isso, queremos ser capazes de ser protagonistas no jogo, sermos uma equipa proativa que procura gatilhos de pressão para conseguirmos fazer aquilo que a gente quer que é roubar a bola ao adversário e, obviamente, termos os nossos momentos com bola para conseguirmos protagonizar um bom espetáculo, conseguirmos muitas situações de finalização e conquistarmos pontos», assentou, sem se deter:

«Compete à nossa equipa saber identificar aquilo que o adversário está a fazer, ter a capacidade e a maturidade que tem vindo a demonstrar nos últimos jogos, sentirmo-nos confiantes, tranquilos e seguros de que temos todas as condições para, estando no máximo nível de agressividade, assumirmos o jogo com coragem e personalidade. Sabemos que vamos defrontar um excelente adversário que tem zero derrotas e, portanto, é a nossa oportunidade de nós conseguirmos resgatar uma vitória a uma equipa sem derrotas, é esse o nosso foco.»

Referiu-se, ainda, a eventuais ilações quando à forma como a equipa do FC Porto explorou as transições na ronda anterior, na Luz.

«É óbvio que vimos o jogo do Benfica contra o FC Porto, é óbvio que vimos também momentos em que o FC Porto esteve muito bem e conseguiu bloquear em termos defensivos aquilo que o Benfica fazia e vice-versa e aquilo que conseguia fazer para desbloquear. Mas estamos a falar de adversários diferentes e também de jogadores diferentes. Temos as nossas características, a nossa própria forma de jogar. Temos sempre de racionalizar e trazer as coisas para aquilo que são as nossas características, aquilo que é a nossa forma de ser e esta, tentando tirar proveito daquilo que é a forma de jogar do Benfica e daquilo que são as nossas capacidades.» defendeu.

Vasco Seabra congratulou-se ainda com o regresso às opções de duas unidades que estiveram ausentes da jornada anterior [derrota por 0-1], em Famalicão.

«São jogadores importantes e que fazem sempre falta. O Javi Sánchez trouxe maturidade, estabilidade também e segurança com bola; é um jogador maduro que acrescentou energia à equipa. O Tiago Esgaio é capitão de equipa, importante naquilo que dá à equipa e na forma como se liga ao jogo. Mas é importante também sabermos que temos outras opções válidas no plantel e nas quais confiamos, como o Popovic, o Matías Rocha, o Omar, que não tem sido convocado, mas é um jogador com muito talento, ou o Diogo Monteiro, que é um internacional sub-20 que tem jogado à direita, mostrando qualidade e competência, ou ainda o José Silva, que tem vindo a entrar e está a crescer connosco», avaliou.

Face a uma eventual ausência, por lesão, do experiente central Nicolás Otamendi, Vasco Seabra descartou que isso se possa traduzir em vantagens para a sua equipa. 

«Não jogando o Otamendi, jogarão provavelmente António Silva e Tomás Araújo. Portanto, o Otamendi tem a dimensão que tem e que toda a gente lhe reconhece, mas os outros também têm muita qualidade. Não creio que seja essa uma grande diferença para nós. O poderio do Benfica é coletivo e individual», respondeu.

Vasco Seabra concluiu, depois, apontando a continuidade no crescimento global da equipa como arma essencial para alimentar a crença numa vitória sobre o Benfica, algo que os lobos apenas conseguiram por uma vez, em agosto de 2015, graças a um golo de Roberto.

«A nossa equipa está mais estável defensivamente, mais estável ofensivamente e nas ligações que o fazem. Além de que nas bolas paradas temos sido também mais finalizadores e temos concedido menos, portanto, na globalidade a nossa equipa tem vindo a crescer naquilo que é o processo, naquilo que é o entendimento também das coisas e, portanto. sentimos a equipa mais preparada, mais capaz e isso naturalmente cria mais sensações de que podemos fazer mais golos e sofrer menos. É verdade que vimos de duas derrotas, mas sentimos muita segurança nessas duas derrotas, foram jogos em que poderíamos ter trazido pontos», argumentou.

Já sem unidades entregues ao departamento médico, os lobos vão apresenta-se praticamente na máxima força, sendo que apenas Pedro Santos e Mateo Flores estarão indisponíveis, ainda à procura das melhores condições físicas.