Treinador do Benfica deixou bicada ao FC Porto na antevisão ao clássico

Mourinho falou em parolice, mas até Terry lhe elogiou manhas «na margem»

Treinador do Benfica mandou bicada a Farioli relativa ao jogo do FC Porto com o Sporting

Na antevisão ao clássico deste domingo, no Estádio da Luz, entre o Benfica e o FC Porto, José Mourinho deixou elogios ao adversário, mas não perdeu a oportunidade para mandar uma discreta bicada ao rival.

«De facto, o FC Porto em Alvalade utilizou uma variante que, de certa maneira, até me surpreendeu. Cria dificuldades diferentes ao adversário. Trabalhámos relativamente ao que o FC Porto tem feito toda a época e depois ao que fez no jogo com o Sporting, com o ala esquerda a jogar por dentro e a criar um quadrado na zona central. De resto, até podem aparecer com outra variante. Se isso acontecer, temos de ser capazes de ler o jogo, comunicar e de nos organizarmos, sem fazer a parolice de mandarmos o Trubin para o chão, para me reunir com os jogadores num timeout», atirou o técnico.

Aquela referência do técnico dos encarnados à «parolice» referia-se a um momento do jogo entre o FC Porto e o Sporting, a contar para a Liga, quando, aos 12’, Diogo Costa ficou a pedir assistência médica para que Farioli pudesse ajustar a equipa à forma como os leões estavam a condicionar os portistas.

Outrora, porém, Mourinho era bastante conhecido pelas ‘manhas’ que utilizava e que o faziam estar «à frente do seu tempo».

Uma dessas situações foi destacada por John Terry, antigo capitão do Chelsea, já depois de ter terminado a carreira.

«Um dia, Mourinho disse-me a mim e ao Cahill: se dois centrais [da mesma equipa] saltarem, chocarem um com o outro [e receberem assistência], nenhum tem de sair do campo. Por isso, por vezes, nos últimos 10/15 minutos, viam-me a mim e ao Cahill no chão porque ele dizia-nos: ‘se a bola entrar na área, assegurem que chocam e caem os dois’», introduziu.

«Nós nunca tínhamos ouvido falar daquilo. Houve um jogo em que estávamos a ganhar 1-0, eu vi o Cahill cair e pensei ‘é melhor eu cair também’. O árbitro mandou-nos sair e eu disse-lhe para ele rever a regra. Ele consultou o árbitro assistente que lhe confirmou que não tínhamos de sair», acrescentou, arrancando gargalhadas no estúdio.

Terry elogiou por isso o português, pelo que conseguia antecipar. «Ele estava tão à frente com esses detalhes e essas coisas que ficavam ali na margem… E são os melhores treinadores que encontram essas margens», sublinhou o antigo defesa-central internacional inglês.