Mas Kika(tegoria), Nazareth! Não há limites para a magia? (crónica)
O mérito é (sempre) coletivo, ao final do dia os três pontos são creditados à equipa, mas não podemos deixar de elevar Kika Nazareth ao patamar da excelência. Sendo que, aceitamos, falar da classe da criativa nacional não é propriamente novidade para ninguém. É lidar...
No entanto, e para gáudio de todos quantos apreciam momentos de pura magia, a camisola 7 da equipa das Quinas decidiu pintar a manta em Riga e catapultou as Navegadoras para uma vitória justíssima e que apenas peca por escassa. Porque quem tem o domínio que Portugal tem, quem joga tanto tempo no meio-campo ofensivo, quem tão bem explora os corredores laterais sem descurar a criação de jogo interior, e quem tem a capacidade de criar tantas situações de finalização, merece, naturalmente, vencer por uma margem dilatada. Foram três, podiam ter sido cinco ou seis. Sem favor nenhum e sem ponta de exagero.
Adivinhe, caro leitor, de quem vamos falar agora? Tem a certeza? Pois, é evidente: Kika Nazareth. A jogar numa posição que lhe permite orquestrar praticamente todas as movimentações de ataque, a (mega) talentosa jogadora do Barcelona começou, desde cedo, a tratar a bola por tu e aos 14 minutos não pediu licença para assinar a primeira obra de arte: livre direto à entrada da área, remate em jeito e bola a entrar junto ao poste esquerdo da baliza contrária. Se Portugal queria marcar cedo, Kika assim o fez. Mas fê-lo com arte. Daquela suprema.
Antes disso, refira-se, já Lúcia Alves (2') e Ana Capeta (6' e 10') tinham ameaçado. Pouco depois, aos 18', mais uma prova do domínio absoluto da formação orientada por Francisco Neto: cruzamento de... Kika Nazareth, domínio com o peito de Jéssica Silva, passe para Ana Capeta e assistência perfeita para o desvio vitorioso de Tatiana Pinto.
O único remate enquadrado das letãs surgiu aos 45', mas Inês Pereira negou os intentos a Maksone.
A etapa complementar voltou a ser apenas e só falada na língua de Camões e havia mais um poema para apresentar a todo o Mundo: Kika Nazareth ajeitou de calcanhar e atirou de pé esquerdo, em arco, colocando a bola no ângulo. Mas Kika(ramba), Nazareth! Não há limites para a magia? Que delícia!
Três jogos, três vitórias, nove golos marcados e nenhum sofrido. Venha a Eslováquia... e o Mundial!