Martínez elogia espírito de conquista dos portugueses: «Fiquei surpreendido»
Em entrevista à DAZN, Roberto Martínez abordou a sua experiência em Portugal e destacou a mentalidade dos jogadores lusos, traçando um paralelo com a história do país.
O selecionador nacional mostrou-se impressionado com a capacidade de adaptação do povo português, que considera refletir-se nos futebolistas. «Acredito que, a nível histórico, há 500 anos, o povo português viajava, conquistava e não tinha medo de sair, aprender idiomas», afirmou, sublinhando a facilidade com que os jovens dominam outras línguas. «Fiquei muito surpreendido que aqui os filmes não são dobrados. Então, a geração jovem já fala inglês, espanhol e português. Tem essa abertura e considera sempre que a Europa está aqui. Por isso, sair, para o jogador português, não custa nada».
No que toca ao ambiente na equipa das Quinas, Martínez realçou o forte sentido de identidade e a inspiração em figuras icónicas do futebol nacional. «Na Seleção Nacional, existe este fenómeno de ter muito claro o que significa representar a Seleção e a camisola de Portugal. Os grandes jogadores como Rui Costa, Luís Figo e João Pinto, que foram campeões mundiais Sub-20, são sempre uma referência e dão um pouco a ideia do que é estar na Seleção».
Questionado sobre o futuro, nomeadamente acerca de um possível regresso à Premier League, onde orientou Wigan e Everton, ou um convite para comandar a seleção espanhola, o selecionador deixou todas as portas abertas, revelando a sua filosofia de trabalho.
«A verdade é que nunca planeio. Sou muito chato nesse sentido. Quando estou focado no que faço, é tudo o que me enche, é a intensidade. E quando chega o momento para um próximo projeto, estou aberto a tudo», confessou.
Para Martínez, o mais importante num novo desafio não é o país ou a liga, mas sim a confiança das pessoas por trás do projeto. «Acredito muito na pessoa que te oferece o projeto. Não é o país, a liga ou a instituição. É aquela pessoa ou grupo de pessoas que acreditam no teu trabalho e que te podem dizer: ‘Acreditamos no que queres fazer, vamos apoiar-te ao máximo e vamos sobreviver a três derrotas consecutivas juntos’», explicou, reconhecendo a pressão que os treinadores enfrentam atualmente. «Hoje em dia a verdade é que a dificuldade do treinador é ter tempo para desenvolver plenamente a ideia futebolística no campo a um bom nível, porque quando há três derrotas, surgem dúvidas sobre a posição do treinador».