Marco Silva, o quinto treinador a ser contratado pelo Benfica a clubes estrangeiros
O Benfica não tem apostado, nas últimas três décadas, na contratação de treinadores que estivessem a trabalhar em Portugal. Apenas Manuel José em 1997 (Marítimo), Jorge Jesus em 2009 (SC Braga) e Rui Vitória em 2015 (V. Guimarães) fogem a essa regra. Marco Silva segue a linhagem de Fernando Santos, Jorge Jesus, Bruno Lage, José Mourinho e, ainda no século XX, Artur Jorge. Todos trabalhavam no estrangeiro quando foram contratados pelos encarnados. E Marco estava na Premier League!
A tendência do Benfica tem sido contratar treinadores estrangeiros, como Graeme Souness (1997), Jupp Heynckes (1999), José Antonio Camacho (2002 e 2007), Giovanni Trapattoni (2004), Ronald Koeman (2005), Quique Flores (2008) e Roger Schmidt (2022). Destes, apenas Trapattoni e Schmidt se sagraram campeões. Houve também alguns interinos pelo meio, como Shéu Han (1999), Fernando Chalana (2002 e 2008) e Nélson Veríssimo (2020 e 2021), mas a maior tendência, sobretudo na última meia dúzia de anos, tem sido resgatar treinadores portugueses que estavam no estrangeiro.
O primeiro caso aconteceu há pouco mais de 30 anos. No verão de 1994, com o Benfica campeão sob a direção de Toni, o presidente Jorge de Brito foi buscar Artur Jorge ao PSG. A aposta não teve êxito: os encarnados terminaram na terceira posição, a oito pontos do Sporting e a 15 do campeão FC Porto.
O segundo, já neste século, foi Fernando Santos. Depois de passar pelo FC Porto (onde ganhou uma Liga, duas Taças e duas Supertaças) e pelo Sporting, estava nos gregos do AEK quando foi contratado para a época 2006/2007. Terminou igualmente no terceiro lugar, embora numa luta muito renhida: FC Porto com 69 pontos, Sporting com 68 e Benfica com 67.
Há seis anos, em plena pandemia, deu-se o maior regresso de que há memória: Jorge Jesus. Tinha ganho três Ligas, uma Taça de Portugal, uma Supertaça e cinco Taças da Liga na Luz entre 2009 e 2015, antes de se transferir para o Sporting num dos momentos mais controversos do futebol nacional. Depois de passagens pelo Al Hilal e pelo Flamengo, onde ganhou quase tudo, regressou ao Benfica, mas não teve sorte: zero troféus entre agosto de 2020 e dezembro de 2021. Na Liga, terminou na terceira posição, a quatro pontos do FC Porto e a nove do Sporting.
Em 2024, foi a vez de Bruno Lage voltar ao Benfica. Tinha sido campeão em 2019, saiu em 2020 e aventurou-se no estrangeiro ao serviço do Wolverhampton e do Botafogo. Estava sem clube quando Rui Costa o convidou para substituir Roger Schmidt em setembro de 2024. Ganhou uma Taça da Liga e uma Supertaça Cândido de Oliveira, acabando por sair em setembro de 2025.
No dia seguinte entrou José Mourinho, que estava desocupado após ter sido afastado do Fenerbahçe. Mourinho já tinha passado pelo Benfica em 2000 e pelo FC Porto entre 2002 e 2004. Após 21 anos fora de Portugal — com passagens por Chelsea, Inter, Real Madrid, Manchester United, Tottenham, Roma e Fenerbahçe —, regressou ao país. Contudo, tal como Artur Jorge, Fernando Santos e Jorge Jesus, não passou do terceiro lugar.
Agora, chega Marco Silva. Começou no Estoril (2011 a 2014), onde foi campeão na Liga 2, passou pelo Sporting (2014/2015), ganhando uma Taça de Portugal, e emigrou. Foi campeão no Olympiakos e saltou para Inglaterra, onde representou Hull City, Watford, Everton e, nos últimos cinco anos, o Fulham.
Marco Silva segue, assim, a linhagem de Artur Jorge, Fernando Santos, Jorge Jesus, Bruno Lage e José Mourinho. Estava fora de Portugal quando aceitou o desafio do Benfica. Mas, ao contrário dos outros, não veio do futebol francês, grego ou brasileiro, nem do desemprego: estava no campeonato mais aliciante do mundo, a Premier League, e aceitou voltar.