Lukebakio no dia da apresentação no Watford (IMAGO)
Lukebakio no dia da apresentação no Watford (IMAGO)

Marco Silva e Lukebakio falharam encontro por nove dias

Atual treinador do Benfica saiu do Watford a 21 de janeiro de 2018. O extremo belga entrou a 30 de janeiro. Foi internacional pelo Congo ao lado de Mbemba e Bolasie. Estreou-se na Bélgica com Roberto Martínez

Marco Silva vai, por fim, trabalhar com o belga Dodi Lukebakio. Há pouco mais de oito anos, em janeiro de 2018, os dois estiveram muito perto de partilhar o balneário no Watford. Só não o fizeram por escassos nove dias.

O treinador português assumiu o comando técnico dos hornets no início da época 2017/18, sucedendo ao italiano Walter Mazzarri, que cessou funções a 17 de maio de 2017. Dez dias depois, a 27, o Watford anunciava a contratação de Marco Silva para as duas temporadas seguintes.

Porém, a aventura duraria pouco. A 21 de janeiro de 2018, após uma derrota, por 0-2, no terreno do Leicester, a direção do clube — liderada por Gino Pozzo (que acumulou 19 treinadores entre 2012 e 2026!) — decidiu afastar o técnico luso.

Marco Silva no último jogo pelo Watford (IMAGO)

Na altura, a equipa ocupava a 10.ª posição da Premier League, com 24 jogos cumpridos (7 vitórias, 5 empates e 12 derrotas). Para justificar a chicotada, o emblema de Vicarage Road apontou o dedo à abordagem que o Everton fizera a Marco Silva em novembro, classificando-a publicamente como o «catalisador» para a quebra de rendimento e subsequente divórcio.

A ironia do destino bateu à porta logo a seguir. Apenas nove dias após a saída do português, a 30 de janeiro de 2018, o Watford anunciava a contratação de Dodi Lukebakio. O extremo, então com 20 anos, chegava proveniente do Anderlecht, por cinco milhões de euros, assinando por quatro épocas e meia, depois de ter estado emprestado ao Toulouse e ao Charleroi.

Marco Silva foi substituído por Javi Gracia, vindo dos russos do Rubin Kazan, mas o espanhol não operou milagres: o Watford terminou a Premier League num cinzento 14.º lugar, somando meros 15 pontos nas 14 jornadas sob o seu comando.

A 31 de maio de 2018, Marco Silva rumava finalmente ao Everton. Por sua vez, Lukebakio teve uma passagem curtíssima por Inglaterra, somando apenas um jogo em 2017/18: 15 minutos na estreia, diante do West Ham, saltando do banco para o lugar do espanhol Gerard Deulofeu.

Entre 2018 e 2026, os caminhos divergiram. Marco Silva construiu uma carreira muito sólida em Inglaterra, primeiro no Everton e, a partir de 2021, no Fulham. Já Lukebakio iniciou um périplo europeu por cinco clubes: Fortuna Dusseldorf (2018/19), Hertha de Berlim (2019 a 2023), Wolfsburgo (2021/22), Sevilha (2023 a 2025) e, finalmente, o Benfica, onde ingressou na época 2025/26.

Agora, mais de oito anos após o desencontro no Watford, Lukebakio e Marco Silva vão, finalmente, cruzar-se na Luz. A não ser, claro, que o internacional belga decida saltar para o seu sexto clube desde que deixou o futebol britânico há oito anos e meio.

A nível internacional, o percurso de Lukebakio — que possui dupla nacionalidade — acrescenta uma curiosadade a este reencontro na Luz. O extremo estreou-se pela RD Congo em outubro de 2016, num particular frente ao Quénia. Jogou, a 4 de outubro de 2016, ao lado de Chancel Mbemba (capitão congolês que passou pelo FC Porto e defrontou Portugal na estreia deste Mundial 2026) e também de Yannick Bolasie, que representou o Sporting em 2019/20.

Contudo, Lukebakio optou mais tarde por representar a Bélgica, estreando-se pelos diabos vermelhos a 11 de novembro de 2020, precisamente sob a liderança de Roberto Martínez, atual selecionador de Portugal.

Com Martínez, o extremo faria mais quatro jogos na seleção: três na qualificação para o Mundial do Qatar e um na Liga das Nações. De 2023 para cá, primeiro com Domenico Tedesco (2023-2025) e, mais recentemente, com Rudi Garcia, o jogador do Benfica somou mais 25 internacionalizações. Totaliza, agora, 30 jogos e seis golos.

Lukebakio integra o lote dos 26 belgas presentes na fase final deste Mundial. Não foi utilizado na estreia diante do Egito (1-1) e tem ainda, no Grupo G, a possibilidade de ir a jogo frente ao Irão (hoje, às 20 horas) e à Nova Zelândia (27 de junho, às 4 horas da madrugada de Portugal Continental).

Para merecer a confiança de Rudi Garcia, contudo, o benfiquista enfrenta uma forte concorrência no ataque belga. Se a rota do golo central pertence ao histórico Romelu Lukaku (126 jogos e 90 golos), as vagas nas alas e no apoio ao avançado são caríssimas, disputadas com nomes como Leandro Trossard (51 jogos, 12 golos), Jérémy Doku (43 jogos, 7 golos), Charles De Ketelaere (30 jogos, 6 golos) e o jovem Matias Fernandez-Pardo (3 jogos, 0 golos).

Lukebakio na Seleção belga com Lukaku (IMAGO)

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