Mãos de prata e pés de ouro: PSG verga o Liverpool (crónica)
O PSG venceu o Liverpool por 2-0, em Anfield, repetindo o resultado da primeira mão, e garantiu a passagem às meias-finais. Não foi um jogo espetacular, porque para isso seria necessário que os reds conseguissem o que neste momento nenhuma equipa na Europa parece ser capaz: vergar o campeão europeu em título.
Com a obrigação de vencer, a formação inglesa tentou várias aproximações à área, mas apenas por uma ocasião conseguiu criar real perigo na primeira parte, num lance de bola corrida que contou com a participação dos dois centrais, Konaté e Van Dijk, e em que fez brilhar Safonov (e Marquinhos na fração de segundo seguinte).
Foi um primeiro tempo de certa forma atípico porque teve duas saídas forçadas, a primeira de Ekitiké (terá feito uma rotura no tendão de Aquiles, colocando-o fora do Mundial) e depois Nuno Mendes, que abandonou com queixas na coxa direita.
Salah beneficiou do azar do colega, ele que voltou a começar o jogo no banco. Mas o egípcio não fez a diferença, embora participando na jogada que viria a ser importante: penálti assinalado por falta de Pacho sobre Mac Allister, já à passagem da hora do jogo. Porém, convidado a rever o lance, o juiz italiano reverteu a falta, numa decisão discutível.
Apesar da descarga de adrenalina, o Liverpool não desistiu e nos pés de Rio Ngumoha podia ter saído um golo que faria explodir Anfield. Mas aí apareceu novamente Safonov, encarnando o espírito deste PSG: mesmo quando não abafa os adversários, apresenta um excelente desempenho defensivo, sobressaindo o trabaho dos centrais e dos médios, destacando-se novamente João Neves.
E quando era preciso um toque de classe, Dembelé teve-a a dobrar: primeiro num golo em que simula com o direito e remata com o esquerdo, depois a concluir jogada de contra-ataque, a régua e esquadro, espelho de uma equipa que parece roçar a perfeição e se adapta a todos os contextos.