Loila Zabala tem um alarme no telemóvel a dizer «Continuo viva»
A halterofilista espanhola Loida Zabala conquistou a medalha de prata no Campeonato da Europa de halterofilismo paralímpico, em Tbilisi, na Geórgia, demonstrando uma força notável enquanto se encontra em tratamento a um cancro incurável. A atleta da Estremadura, que se estreou na categoria de -73 kg, alcançou o feito meses após ter sido diagnosticada, em outubro de 2023, com um cancro no pulmão com metástases no fígado, rim e vesícula biliar.
Le diagnosticaron un cáncer incurable. Metástasis con 9 tumores cerebrales, en pulmón, hígado, riñón, bazo y vesícula biliar. Estadio 4. Tiene una alarma programada en el móvil que pone "Sigo Viva"
— Athenea (@Athenea2026) March 8, 2026
Hoy se ha proclamado SUBCAMPEONA DE EUROPA 🥈pic.twitter.com/nNL3dRTaAr
Em competição, Zabala realizou três levantamentos válidos, sendo o último de 105 quilos, marca que iguala o seu recorde pessoal, mas que tinha sido estabelecido na categoria inferior de -67 kg. A atleta, que já participou em cinco edições dos Jogos Paralímpicos, ficou a apenas dois quilos da medalha de ouro, conquistada pela russa Nasdezhda Sycheva. O pódio ficou completo com a cipriota Maria Markou, que levantou 103 quilos.
Antes da prova, a atleta já demonstrava a sua determinação: «O meu sonho é subir ao pódio, estou ainda mais motivada porque continuar viva é algo que valorizo imensamente e que me faz sentir muito afortunada», afirmou a Zabala que aos 11 anos, ficou paraplégica devido a mielite transversa, uma inflamação da medula espinal.
💪 La extremeña @LoidaZabala desafía al cáncer y sueña con Los Ángeles: "Estoy más motivada que nunca"
— COPE Extremadura (@CopeExtremadura) March 5, 2026
‼️ La haltera afronta el Europeo de Georgia, clave para los Juegos, mientras lidia con la enfermedadhttps://t.co/S4WTm4h41U
Visivelmente emocionada após a conquista, Zabala dedicou a medalha à sua avó. «Antes do terceiro levantamento, quando me deitei no banco, quase comecei a chorar de emoção. Normalmente, deixo a mente em branco, mas desta vez veio-me uma frase à cabeça: “avó, ajuda-me”. Espero que ela me esteja a ver lá de cima para que saiba o quanto me ajudou a realizar o meu sonho, que era subir ao pódio», declarou, agradecendo também ao seu treinador, Óscar Sánchez, e às entidades que a apoiam.
Superação extraordinária
O percurso de Loida Zabala é um exemplo de resiliência. Antes do diagnóstico, competia na categoria de -50 kg. No entanto, os tratamentos oncológicos e os corticoides fizeram-na perder força e aumentar de peso, chegando a uma fase em que mal conseguia levantar 40 quilos. Para participar nos Jogos Paralímpicos de Paris, na categoria de -50 kg, submeteu-se a um esforço extremo, com horas de sauna e restrição de líquidos, para conseguir atingir o peso necessário e cumprir o sonho de competir na sua quinta edição dos Jogos.
Posteriormente, viu-se obrigada a subir para a categoria de -67 kg, na qual, no ano passado, bateu por duas vezes o recorde de Espanha ao levantar 105 quilos. Agora, na nova categoria de -73 kg, repetiu a mesma marca.
Numa entrevista em dezembro, Zabala revelou como a doença se tornou uma fonte de motivação. «O cancro deu-me muita motivação porque passei a valorizar imenso o facto de estar viva, a oportunidade de sentir, de aprender, de crescer», explicou. A atleta referiu ainda que aprendeu a contornar o esgotamento provocado pela medicação através de atividades como passear a sua cadela, treinar e estar com as pessoas de quem gosta, de forma a «‘hackear’ o cérebro para que continue no máximo».