Levar 'meia' carta a García requer paciência de... Santi (crónica)
Quando tanto (e cada vez mais) se fala no produto futebol português, devem enaltecer-se as equipas e os treinadores que contribuem para a valorização do desporto-rei cá no nosso burgo.
Se é (muitas vezes) fácil (embora também excessivo) apontar o dedo a quem joga para o (denominado) pontinho com as reservas que essas estratégias colocam ao engrandecimento do espetáculo, nunca será demais reforçar os elogios a quem tanto faz para que possamos dizer: belo jogatana!
E como é bom o futebol à tarde. A Reboleira, já de si um palco mítico, estava bem composta, o dia permitia aos artistas uma celebração especial, contemplando as mulheres (especialmente as das suas vidas), e tudo se conjugou para um espetáculo de grande monta.
Dispostos a reagirem às duas derrotas consecutivas — Benfica (1-2) e Estoril (1-3) —, algo que nunca tinha acontecido esta época, os gilistas entraram decididos a reverter o período menos bom e Santi Garcia, logo aos 9 minutos, obrigou Renan Ribeiro a aplicar. Fica a dúvida se o médio espanhol queria cruzar ou rematar, mas a verdade é que... cheirou a golo.
Não entrou nessa altura, entrou cinco minutos depois: Murilo, de penálti — falta de Kevin Jansson sobre Héctor Hernández que foi (bem) identificada pelo VAR e acabou confirmada por Luís Godinho, depois de o árbitro ir ver as imagens ao monitor —, colocou a formação de César Peixoto em vantagem.
O duelo entrou numa fase de parada e resposta e o perigo rondou as duas balizas. Mas o rótulo de mais azarado da tarde foi mesmo colocado no equipamento de Ianis Stoica. O extremo romeno festejou em dois momentos (27' e 39'), mas em ambos os casos teve de... baixar a guarda por estar em fora de jogo — no primeiro caso por apenas... seis centímetros.
As emoções subiram ainda mais de intensidade na etapa complementar. Jovane Cabral aceitou a assistência magistral de Paulo Moreira, de calcanhar (!), e empatou a contenda ao minuto 54.
Os tricolores cresceram e pouco depois completaram a cambalhota no marcador: Rodrigo Pinho soltou a bomba de livre direto, Lucão não segurou, e, na recarga, Abraham Marcus desviou certeiro.
Porém, apenas três minutos depois voltou a haver festa... minhota: passe de Héctor Hernández e Santi Garcia, já depois de suportar a pressão de Bruno Langa, atirou colocado para aquele que haveria de ser o resultado final.
O Gil Vicente continua a lutar pelo 4.º lugar com o SC Braga, o Estrela da Amadora mantém a segurança para os lugares de descida.
As notas dos jogadores do Estrela da Amadora:
Renan Ribeiro (6), Max Scholze (6), Luan Patrick (5), Stefan Lekovic (6), Bruno Langa (5), Alex Sola (5), Kevin Jansson (5), Paulo Moreira (7), Abraham Marcus (7), Jovane Cabral (7), Ianis Stoica (6), Rodrigo Pinho (6), Eddy Doué (5), Tom Moustier (5), Billal Brahimi (5) e Otávio Fernandes (5).
As notas dos jogadores do Gil Vicente:
Lucão (5), Hevertton Santos (5), Marvin Elimbi (6), Jonathan Buatu (5), Ghislain Konan (6), Facundo Cáseres (5), Luís Esteves (6), Murilo (7), Santi Garcia (7), Agustín Moreira (5), Héctor Hernández (7), Martín Fernandez (5), Gustavo Varela (5), Zé Carlos Ferreira (5), Antonio Espigares (-) e Rodrigo Rodrigues (-).
João Nuno (treinador do Estrela da Amadora):
Na primeira parte, mesmo com dois golos anulados, faltou-nos jogar mais para a frente. Melhorámos na etapa complementar, fizemos dois golos e virámos o jogo. Mas logo a seguir cedemos o empate. Até aos 85 minutos o Estrela foi melhor.
César Peixoto (treinador do Gil Vicente):
É um ponto, mas vamos chateados porque queríamos os três. Sinceramente, acho que merecíamos. Até para dedicá-los à nossa massa associativa, que voltou a ser fantástica e ajudou a equipa a empurrar o Estrela da Amadora para trás.
Notícia atualizada às 18h52