Abraham Marcus e Santi García inscreveram os seus nomes na lista de marcadores da partida - Foto: Manuel de Almeida/LUSA
Abraham Marcus e Santi García inscreveram os seus nomes na lista de marcadores da partida - Foto: Manuel de Almeida/LUSA

Levar 'meia' carta a García requer paciência de... Santi (crónica)

Médio espanhol devolveu os gilistas aos pontos. Antes disso, Jovane Cabral e Abraham Marcus tinham respondido ao penálti de Murilo. Europa e permanência

Quando tanto (e cada vez mais) se fala no produto futebol português, devem enaltecer-se as equipas e os treinadores que contribuem para a valorização do desporto-rei cá no nosso burgo.

Se é (muitas vezes) fácil (embora também excessivo) apontar o dedo a quem joga para o (denominado) pontinho com as reservas que essas estratégias colocam ao engrandecimento do espetáculo, nunca será demais reforçar os elogios a quem tanto faz para que possamos dizer: belo jogatana!

E como é bom o futebol à tarde. A Reboleira, já de si um palco mítico, estava bem composta, o dia permitia aos artistas uma celebração especial, contemplando as mulheres (especialmente as das suas vidas), e tudo se conjugou para um espetáculo de grande monta.

Dispostos a reagirem às duas derrotas consecutivas — Benfica (1-2) e Estoril (1-3) —, algo que nunca tinha acontecido esta época, os gilistas entraram decididos a reverter o período menos bom e Santi Garcia, logo aos 9 minutos, obrigou Renan Ribeiro a aplicar. Fica a dúvida se o médio espanhol queria cruzar ou rematar, mas a verdade é que... cheirou a golo.

Não entrou nessa altura, entrou cinco minutos depois: Murilo, de penálti — falta de Kevin Jansson sobre Héctor Hernández que foi (bem) identificada pelo VAR e acabou confirmada por Luís Godinho, depois de o árbitro ir ver as imagens ao monitor —, colocou a formação de César Peixoto em vantagem.

O duelo entrou numa fase de parada e resposta e o perigo rondou as duas balizas. Mas o rótulo de mais azarado da tarde foi mesmo colocado no equipamento de Ianis Stoica. O extremo romeno festejou em dois momentos (27' e 39'), mas em ambos os casos teve de... baixar a guarda por estar em fora de jogo — no primeiro caso por apenas... seis centímetros.

As emoções subiram ainda mais de intensidade na etapa complementar. Jovane Cabral aceitou a assistência magistral de Paulo Moreira, de calcanhar (!), e empatou a contenda ao minuto 54.

Os tricolores cresceram e pouco depois completaram a cambalhota no marcador: Rodrigo Pinho soltou a bomba de livre direto, Lucão não segurou, e, na recarga, Abraham Marcus desviou certeiro.

Porém, apenas três minutos depois voltou a haver festa... minhota: passe de Héctor Hernández e Santi Garcia, já depois de suportar a pressão de Bruno Langa, atirou colocado para aquele que haveria de ser o resultado final.

O Gil Vicente continua a lutar pelo 4.º lugar com o SC Braga, o Estrela da Amadora mantém a segurança para os lugares de descida.

O melhor em campo: Santi García (Gil Vicente)
O maestro deste belo conjunto de Barcelos. Com todo (mas mesmo todo) o respeito pelo Gil Vicente, o médio espanhol há muito que se projeta para outros voos. Joga sempre de cabeça levantada, tem uma qualidade de passe acima da média, e, além disso, ainda tem uma disponibilidade física que lhe permite aguentar a maioria dos duelos individuais. Ainda juntou um belo remate em arco: 2-2.
A figura: Paulo Moreira (Estrela da Amadora)
Joga com o número 19, mas pode ser 6, 8, 10, ou até... lateral-direito. Porque, no fundo, a polivalência é um dos trunfos do médio tricolor. É ele que coordena todos os movimentos do coletivo, seja a saltar à pressão, a dar indicações no posicionamento dos colegas, ou a iniciar a primeira fase de construção. E como tem chegada ao último terço, consegue fazer... isto: assistência de calcanhar (!) para o 1-1.

As notas dos jogadores do Estrela da Amadora:

As notas dos jogadores do Gil Vicente:

João Nuno (treinador do Estrela da Amadora):

Na primeira parte, mesmo com dois golos anulados, faltou-nos jogar mais para a frente. Melhorámos na etapa complementar, fizemos dois golos e virámos o jogo. Mas logo a seguir cedemos o empate. Até aos 85 minutos o Estrela foi melhor.

César Peixoto (treinador do Gil Vicente):

É um ponto, mas vamos chateados porque queríamos os três. Sinceramente, acho que merecíamos. Até para dedicá-los à nossa massa associativa, que voltou a ser fantástica e ajudou a equipa a empurrar o Estrela da Amadora para trás.

Notícia atualizada às 18h52