Sporting-Nacional: Luis Suárez fez golo e assistência - FOTO: Miguel Nunes/A BOLA
Sporting-Nacional: Luis Suárez fez golo e assistência - FOTO: Miguel Nunes/A BOLA

Leão sorriu com Suárez e geriu a mostrar os dentes (crónica)

Sporting controlou todo o jogo, podia ter acabado a golear uma equipa em transição de treinador, mas teve pela frente um guarda-redes inspirado que só caiu perante a felicidade do colombiano

Um sorriso ansiado deixou Alvalade em pé a celebrar e catapultou o Sporting para uma vitória contestada pela grande exibição do guarda-redes do Nacional. Ninguém se vai lembrar, no final da época, do que fez Renato Marin frente aos leões, porque ao fim e ao cabo, os verdes e brancos somaram a quarta vitória na Liga, cumpriram o objetivo, isolaram-se no segundo lugar e, do outro lado, há a história de um colombiano para contar e que pode ser ponto de viragem nas narrativas.

O golo e assistência de Luis Suárez, mas sobretudo o festejo no 1-0 - até porque o avançado não deixara de marcar até aqui - tranquilizaram os adeptos. O ponta de lança teve uma exibição que fez toda a diferença, basta olhar para o marcador. Já o Sporting teve um jogo de paciência primeiro, uma gestão estratégica depois, e continuou a bater contra um muro: Renato Marin.

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A primeira parte em Alvalade traduzia com perfeição o que é o futebol português, muitas vezes, para uma equipa grande: monólogo de posse, paciência ofensiva, e uma margem no marcador que não refletia a discrepância exibida no relvado. O Sporting tentou desbloquear o 5x4x1 defensivo do Nacional com Geny Catamo a invadir o espaço nas costas dos madeirenses, mas foi uma combinação no meio que levou Zalazar a um remate perigoso, aos 10'.

O que se seguiu dava a ideia de que o leão podia ter exibição sonolenta, mas voltou a acordar pelos 26' minutos. Maxi Araújo começou a invadir zonas interiores, as combinações no corredor central melhoraram e o leão conseguiu abrir brechas na defensiva contrária. Em seis minutos, o Sporting rematou por Geny, Zalazar e Maxi Araújo. O golo não surgiu porque Marin defendeu tudo, até que o lateral-esquerdo «jogou» na roleta e sofreu penálti. Luis Suárez marcou e o Sporting inteiro sorriu.

O golo não mudou nada no jogo, mas o festejo pode ter feito qualquer coisa ao universo leonino, abalado apenas por um remate de Jensen, que Rui Silva defendeu em cima do intervalo.

Se este era um jogo típico de um grande em casa na I Liga frente a uma equipa que está em transição de treinadores, o Sporting sabia que apesar do controlo era necessário fechar a vitória. Isso sucedeu pela visão de jogo de Debast, o altruísmo de Suárez e o sorriso que o colombiano pôs na cara de Flávio Gonçalves, autor do 2-0.

No fundo, o leão fechou aos 49' o trabalho que fizera até então para justificar um triunfo claro. O Nacional até mexeu primeiro, mas foi o Sporting quem decidiu jogar outro jogo: o de quarta-feira, com o Galatasaray.

O 2-0 era perigoso pela pouca diferença, mais do que aquilo que se via no relvado. Sentindo o mesmo, Rui Borges tirou os melhores até aí - Suárez e Geny (e Zalazar), ficando apenas Maxi mais um pouco. Também aí se viu uma evolução.

Se noutras noites foi um risco, pois na mente de adeptos não se esquece facilmente a Reboleira e o triunfo sobre o Vitória de Guimarães, desta vez foi a injeção de energia e ambição necessárias para que o leão continuasse a mostrar os dentes e as garras ao adversário. Luís Guilherme, Ioannidis e Irankunda foram todos a jogo e todos eles tiveram ocasiões para marcar, assim como Fresneda. O Nacional nunca teve argumentos para travar o leão, a não ser um: Renato Marin. Mas quando Suárez sorri, raramente o leão não é feliz.

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