Kiko Costa, jogador de andebol do Sporting (foto Orlen Wisla Plock, joaomorais)
Kiko Costa, jogador de andebol do Sporting (foto Orlen Wisla Plock, joaomorais)
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Kiko Costa: «Ainda sou meio jogador mas quero ser o melhor do mundo»

O jovem estrela do Sporting e da seleção nacional deu uma entrevista à EHF em que se descreve e revela o que pretende para atingir os objetivos pessoais. Ambiciosos

Francisco Kiko Costa, lateral-direito do Sporting, diz-se ainda «meio jogador» e quer ser tornar-se, não apenas um jogador completo, mas o melhor jogador do mundo. A afirmação reflete as metas elevadas a que o jovem de 21 anos se impõe, após se ter afirmado na Liga dos Campeões e na Seleção como uma das maiores estrelas em ascensão na modalidade.

Em entrevista à série Handball Through My Eyes - Andebol aos meus olhos - da Federação Europeia de Andebol, Kiko Costa revelou que a evolução como jogador se deve, em grande parte, ao treino intenso. «Penso que melhorei no que faço desde que me mudei para o Sporting, e muito disso vem do treino árduo. Como disse uma vez o Rafael Nadal, o treino tem de ser ainda mais duro do que os jogos se quisermos progredir. E essa é uma regra que sigo todos os dias», afirmou.

Apesar da juventude, o jogador já é reconhecido como um dos maiores talentos ofensivos, destacando-se pela impressionante capacidade no um-para-um e pelo remate de longa distância. «Gosto de fazer tudo isso, não há nada de que goste mais», explicou, acrescentando que a sua habilidade no confronto direto é algo que desenvolveu desde jovem e que foi aprimorando com o tempo.

«Preciso treinar muito, e outra vez…»

Na opinião do internacional português, a excelência no andebol reside na execução perfeita dos gestos mais simples. «Os melhores jogadores de andebol fazem as coisas simples, mas de forma perfeita. Veja-se o Gisli Kristjansson, ele consegue fazer o um-para-um, jogar com o pivô e rematar em corrida na perfeição. Pode parecer simples, mas acreditem, não é», comentou.

Kiko Costa, jogador de andebol do Sporting (foto Orlen Wisla Plock, joaomorais)

No entanto, o processo defensivo é uma área que, por própria admissão, não lhe agrada. Contudo, o mais novo dos irmãos Costa do andebol mundial sabe que, para estar entre os melhores, precisa de evoluir nesse aspeto. «Não acho que precise de mudar nada no meu jogo para o conseguir fazer, mas preciso de treinar, treinar muito e de treinar outra vez... Na minha opinião, toda a gente consegue rematar. Nem toda a gente consegue marcar, mas toda a gente consegue rematar. Mas nem toda a gente consegue defender», refletiu.

«Quando me tornar um defesa, vou retribuir todas as pancadas que levo»

Dominar a arte de defender poderá, no futuro, dar-lhe a oportunidade de retribuir a dureza da marcação de que é sujeito pelos adversários. «Quando me tornar um jogador de defesa, farei aos meus adversários o mesmo que eles me fazem a mim. Levo muitas pancadas e espero poder retribuir algumas um dia», disse. Ainda assim, ser o alvo principal das defesas não o intimida. «Não, porque eu gosto. Não tenho medo do contacto físico, sei que o meu estilo de jogo é feito disso», garantiu, revelando que o segredo é «muito trabalho no ginásio para estar pronto para levar estas pancadas em todos os jogos».

Kiko Costa, jogador de andebol do Sporting (foto Orlen Wisla Plock, joaomorais)

No que se refere à componente mental do atleta, Kiko Costa afirma maturidade precoce. «Adoro a pressão e adoro as responsabilidades, não tenho medo delas», insistiu, explicando que o seu objetivo é sempre encontrar a melhor forma de ajudar a equipa. «Quero ajudar os meus colegas, quero que nós, como equipa, encontremos a melhor solução para marcar um golo em cada ataque».

Nos minutos finais de um jogo equilibrado, o processo de decisão é complexo. «Penso em todas as opções, quem está em campo, quem não está. Preciso de rematar? Preciso de passar? Ou preciso apenas de recuar?», descreve. A experiência, que o leva a ponderar mais as suas ações em momentos cruciais, contrasta com a sua abordagem de há alguns anos, quando apenas procurava divertir-se. «Agora sei que, se falhar, vamos perder o jogo, por isso tenho de tomar a ação certa na situação certa».

«Sou jovem mas não quero esperar muito tempo…»

Esta maturidade foi também forjada pelas desilusões. Nos últimos quatro anos, Kiko Costa e o Sporting falharam o acesso às finais e à Final Four da Champions por apenas um golo em cada ocasião, incluindo a mais recente eliminação frente ao Aalborg. «Foi frustrante e, claro, usei isso para me tornar um jogador ainda melhor», concluiu.

Apesar de já estar perto do topo, Kiko Costa mantém a ambição de continuar a evoluir, estabelecendo como objetivo final ser «o melhor jogador do mundo». O jovem atleta sublinha a dedicação necessária para alcançar tal feito.

«Tenho de treinar a 200 por cento todos os dias e tenho a certeza de que, se o fizer, posso chegar ao topo. Ainda sou um jogador jovem, mas não quero esperar muito tempo», afirmou.

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