Central brasileiro não esconde que terá sempre o emblema minhoto no coração — Foto: D. R.
Central brasileiro não esconde que terá sempre o emblema minhoto no coração — Foto: D. R.

Jogou nos dois clubes e projeta: «Betis pode ter vantagem, mas acredito no SC Braga»

Paulão, antigo defesa-central, não esconde que gostaria de ver os arsenalistas na final da Liga Europa. Brasileiro teve esse privilégio, na época 2010/2011, agora sonha com algo mais. O carinho que nutre pelos bracarenses e o reconhecimento profundo que tem por António Salvador

O SC Braga está na montra internacional. Os guerreiros têm realizado um extraordinário percurso europeu — recorde-se que entraram em competição na 2.ª pré-eliminatória, pelo que tiveram de ultrapassar três obstáculos (Levski Sofia, da Bulgária, Cluj, da Roménia, e Lincoln Red Imps, de Gibraltar) antes de disputarem a fase de liga e, depois, deixarem pelo caminho os ingleses do Nottingham Forest, já nos oitavos de final — e a chegada a tão elevado patamar, como são os quartos de final, diz muito da competência que os arsenalistas têm demonstrado na segunda prova mais importante de clubes da UEFA.

Olhando aos números, são 16 os jogos já disputados na presente edição da Liga Europa (qualificação e fase de liga), com 11 vitórias, três empates e apenas duas derrotas. Mas o saldo de golos também é elucidativo: 29-9.

Segue-se o Betis, nos quartos de final, duelo que levou A BOLA ao contacto com Paulão, brasileiro que representou os dois clubes. O antigo defesa-central entrou no futebol português pela porta da Naval, transferindo-se em seguida para os bracarenses, cuja camisola vestiu entre 2009 e 2011. Daí rumou a França, ao Saint Etiènne, passo que antecedeu a mudança para Espanha, jogando pelo emblema de Sevilha a partir da segunda metade da época 2011/2012 e até final de 2013/2014 — jogou depois no Atlético San Luis (México), antes de terminar a carreira em Portugal, no Olhanense.

O centralão antevê uma eliminatória marcada pelo equilíbrio, ainda que projete algum favoritismo para o lado do conjunto do país vizinho. Mas tem esperança.

«Acima de tudo, acho que serão dois jogos extremamente competitivos e que, em teoria, têm tudo para ser duas grandes partidas de futebol. Talvez possa assumir que o Betis entre com alguma vantagem, mas, muito sinceramente, acredito no SC Braga», começou por projetar.

E qual é, então, a razão para que Paulão aposte nuns guerreiros de mangas arregaçadas e com possibilidades reais de lograrem o apuramento para as meias-finais? «O jogo em casa, na primeira mão, será muito importante. É fundamental que o SC Braga consiga uma vitória neste primeiro desafio. E acredito bastante que isso possa acontecer. Estamos a falar de um jogo na Pedreira, num estádio que deverá estar muito bem composto ou até mesmo cheio, pelo que a força dos adeptos pode ser tremendamente importante para que a equipa alcance esse triunfo. Se assim for, tudo pode acontecer, depois, na segunda mão.»

HISTÓRIA E... SALVADOR

Nos dois anos que jogou pelos arsenalistas, Paulão ficou à beira da meia centena de jogos: fez 49, apontando cinco golos e realizando duas assistências. Além dos belíssimos momentos que diz ter vivido na formação minhota, o brasileiro não esconde a admiração pelo histórico presidente do clube.

«Claro que terei eternamente o SC Braga no meu coração. Guardo um pouco de cada clube que representei e o SC Braga, claro, não foge à regra. Mas além desse carinho, assim como pelos adeptos e pelos meus antigos companheiros de equipa, não posso deixar de dizer que tenho uma tremenda admiração por António Salvador. É um verdadeiro líder, um presidente com todas as letras. Muito do crescimento e do sucesso que o SC Braga tem tido nos últimos anos a ele se deve, fruto do extraordinário trabalho que tem realizado. E se há pessoa que merece voltar a uma final europeia e, quem sabe, vencer, é o presidente António Salvador. Na nossa época não lhe conseguimos oferecer esse título, mas talvez agora a história possa ser outra», assumiu, sem rodeios.

AQUELA FINAL DE 2011...

Recuemos a 18 de maio de 2011. Nessa data, o SC Braga atingia um dos mais altos patamares da sua história: a final da Liga Europa. No Aviva Stadium, na Irlanda, os guerreiros tinham pela frente... o FC Porto. Uma final 100 por cento portuguesa. O duelo foi equilibrado do início ao fim e acabou por pender para os dragões, fruto de um golo solitário de Radamel Falcao, mesmo em cima do intervalo.

Eis a equipa inicial do SC Braga na final da Liga Europa da época 2010/2011. Em cima: Artur Moraes, Alberto Rodríguez, Miguel Garcia, Custódio e Vandinho (c); Em baixo: Paulo César, Alan, Sílvio, Lima e Hugo Viana

O conjunto então orientado por Domingos Paciência não conseguiu tocar o céu, mas não deixou de ser glorificado pelo feito alcançado. Porque mesmo perdendo, essa equipa ficou no livro de honra dos bracarenses. E nessa formação pontificava Paulão. Que recorda bem esse encontro.

«Foi um grande jogo. Fizemos um percurso incrível e a partir do momento em que eliminámos o Liverpool [nos oitavos de final, com 1-0 em Portugal e 0-0 em Inglaterra] acreditámos ainda mais que seria possível chegarmos à final e, porventura, conquistar a Liga Europa. Infelizmente, acabámos por perder com o FC Porto, mas essa final também poderia ter caído para o nosso lado, fizemos uma tremenda exibição», nota o antigo defesa-central.

E se a atual equipa do SC Braga superar essa caminhada e chegar ao título europeu? «Que assim seja! Nem posso imaginar como eu próprio ficaria feliz. Seria um momento inesquecível para o clube e para os seus adeptos, pelo que fico a torcer que isso possa acontecer. Se eliminarem o Betis, as possibilidades aumentam bastante», concluiu, ele que é agora proprietário de uma escola de futebol no Brasil.