Jogo «desafiante», arbitragem 'à Netflix' e uma baixa inesperada: o que disse Farioli
— Que peso tem este primeiro clássico para a equipa do FC Porto?
— É a véspera de um jogo importante, com certeza. Como disse, estando tão cedo na época para falar sobre um jogo decisivo, acho que é demais, mas, com certeza, é um jogo importante para a tabela e, claro, pelo valor que tem para a época, para o clube, para os adeptos e para todos nós.
— Qual a condição de Froholdt?
— Sobre a situação médica, Nehuén Pérez e Seko [Fofana] tiveram um pequeno problema durante a semana. Todos os outros estão prontos para jogar o jogo.
— Que diferenças estabelece entre este Benfica deste ano e o do ano passado? É um Benfica diferente para melhor na sua opinião? E que cuidados tem o FC Porto de ter face a este novo Benfica de Marco Silva?
— Não, há com certeza algumas semelhanças, muitos jogadores são os mesmos, claro que com mais um ano de experiência, alguns deles a render a um nível muito alto, mais, claro, um mercado de transferências importante como fizeram, e também com a mudança de treinador, que acho que melhorou ou, realmente, de facto, encontrou a chave para trazer para a equipa, o seu conceito e a sua forma de jogar. Por isso, vai ser definitivamente um jogo desafiante, que vai exigir do nosso lado a melhor exibição, mas, de novo, com o espírito, com o desejo, em frente dos nossos adeptos. Há todas as condições para abordar o jogo com o estado de espírito certo e com a vontade de ganhar.
Vai ser definitivamente um jogo desafiante, que vai exigir do nosso lado a melhor exibição, mas, de novo, com o espírito, com o desejo, em frente dos nossos adeptos. Há todas as condições para abordar o jogo com o estado de espírito certo e com a vontade de ganhar
— Tem vantagem o Benfica por conhecer o modelo do FC Porto, enquanto o FC Porto ainda está a tentar entender a filosofia do Benfica?
— Acredito que a identidade de ambos os clubes é muito clara. As equipas sabem o que querem e como tentam abordar o jogo. Depois, na análise nunca é apenas sobre os jogos mais recentes, mas também é sempre interessante trabalhar no passado de outros treinadores que vamos defrontar. O que treinador fez no Fulham é bastante claro, e podemos ver certos padrões que são naturalmente repetidos. Algumas coisas são ligeiramente diferentes do que estava a fazer no passado, Benfica está mais agressivo com a bola, e isto é uma das principais diferenças do Fulham com o que está a fazer agora.
O que treinador fez no Fulham é bastante claro, e podemos ver certos padrões que são naturalmente repetidos. Algumas coisas são ligeiramente diferentes do que estava a fazer no passado, Benfica está mais agressivo com a bola, e isto é uma das principais diferenças do Fulham com o que está a fazer agora
— Se o FC Porto ganhar aumenta a vantagem para cinco pontos sobre o Benfica. Vale mais o clássico que esses três pontos?
— A última parte é matemática, não é nada mais do que isso. Depois, como disse, é um jogo importante, com certeza. Num jogo direto, temos a oportunidade de fazer o resultado total para também parar o opositor e ganhar pontos, mas isto não é realmente algo a que devamos dar muita atenção. Tentamos prestar atenção a todos os jogos da mesma forma, no mesmo estado de espírito. Claro, um clássico, seja onde for, mas especialmente quando é no Dragão, é algo especial. Os adeptos vão trazer-nos uma gasolina extra para fazer o esforço extra que é sempre preciso, e especialmente amanhã.
— Foi para si uma deceção verificar que o Gimenez foi chamado para quatro jogos nos Estados Unidos ao serviço do México, quando o máximo de tempo de jogo que tem numa partida é de 30 minutos contra o Casa Pia?
— Temos de respeitar a chamada das seleções nacionais. Isto não é realmente algo que controlemos. Acredito que agora não é altura para barulho extra. Acredito que o verão do Gimenez já foi cheio de barulho, títulos nos jornais e em todos os canais, e o que queremos aqui é nunca ter manchetes por este tipo de coisas, mas queremos ter manchetes pelas excelentes exibições dos nossos jogadores. Por isso é nisto que estamos focados. Claro que adoraríamos tê-lo aqui para trabalhar nas próximas semanas, mas vamos gerir. Vamos estar em contacto, se ele vai jogar, se não vai jogar, como maximizar este tempo fora do clube, para regressar nas duas semanas em melhor forma e melhor condição.
Acredito que o verão do Gimenez já foi cheio de barulho, títulos nos jornais e em todos os canais, e o que queremos aqui é nunca ter manchetes por este tipo de coisas, mas queremos ter manchetes pelas excelentes exibições dos nossos jogadores
— Depois do que disse sobre «coisas muito estranhas» em Rio Maior, sente que a equipa e o clube devem estar especialmente atentos à arbitragem neste clássico?
— Na semana passada, fui bastante claro no que diz respeito à arbitragem. Senti que estava numa série da Netflix, que por acaso passava na Sport TV, mas não fomos só nós a sentirmos isso. Foi apenas um comentário que deixei. Sobre o jogo de amanhã e todo o ruído que cria pelo passado, é passado e estamos focados no jogo de amanhã, desejando sempre que haja uma gestão justa e apropriada das situações que iremos presenciar.
Na semana passada, fui bastante claro no que diz respeito à arbitragem. Senti que estava numa série da Netflix, que por acaso passava na Sport TV, mas não fomos só nós a sentirmos isso
— Foi anunciada a convocatória da seleção nacional e o Diogo Costa e o André Silva voltaram a não ser convocados. Pergunto se falou com os jogadores para lhes dar uma força e se sente que eles mereciam ser convocados?
— Se mereciam ou não a convocatória? Só posso dizer que estão a exibir-se a um nível muito alto, mas não é o meu trabalho fazer a convocatória da Seleção Nacional. Teríamos ficado muito contentes se isso tivesse acontecido, mas também ficámos felizes por eles continuarem a trabalhar connosco, a treinarem-se bem e a prepararem-se para o que se avizinha após a paragem internacional. Senti-os relaxados, ficaram contentes por estarem na pré-convocatória, claro que adorariam ter sido convocados, mas ficam felizes por continuar a trabalhar e a evoluir connosco.
[Sobre Alberto e André Silva não irem à Seleção] Só posso dizer que estão a exibir-se a um nível muito alto, mas não é o meu trabalho fazer a convocatória da Seleção Nacional. Teríamos ficado muito contentes se isso tivesse acontecido, mas também ficámos felizes por eles continuarem a trabalhar connosco
— Até que ponto as escolhas do Benfica para o onze inicial vão ter impacto na estratégia defensiva do FC Porto?
— As caraterísticas de certos jogadores vão definir a estrutura deles e a rotação que irão fazer. Claro que querem colocar os jogadores o mais confortáveis possível e, por isso, devem fazer algumas adaptações, o que também vai suscitar algumas adaptações da nossa parte.
— Está preparado para dar a iniciativa ao Benfica em certos momentos ou vamos ver um FC Porto diferente, mais mandão?
— Já estou aqui no FC Porto há um ano e meio e apenas me lembro do Manchester City ter dominado com bola aqui. Há aqui um desentendimento entre dar a posse de bola ao adversário e ser bom e sólido sem a bola — porque a nossa equipa tenta fazer as coisas certas com e sem bola —, até porque a posse de bola não ganha jogos. Há momentos em que temos de ter a bola e fazer o que há para fazer, e creio que a equipa tem provado em diferentes momentos ter capacidade e clarividência para fazer o que queremos quando temos a bola. Mas também sabe ser corajosa e proativa nos momentos em que não a temos. Falamos sobretudo de organização e é algo que tem de estar presente amanhã.
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