Jogar a 6 ou a 8, o futuro no Maiorca e as 'sociedades' que quer construir: tudo o que disse Samu Costa
-Já falou com o Roberto Martínez sobre o papel que vai ter nesta Seleção Nacional, porque estamos a falar de um dos melhores meios-campos do mundo.
- O meu papel é bastante claro. Estou ao serviço da Seleção para ajudar no que for preciso. Se tiver de jogar um minuto ou se tiver de jogar 90, estarei preparado. O mais importante é a equipa e quero também aprender com os meus companheiros de equipa e com a equipa técnica, para podermos, todos juntos, conquistar algo muito bonito.
- Mas em que posição é que mais gosta de jogar?
- A posição em que estou mais cómodo e em que me sinto melhor é a 6 ou a 8. Mas já tive a oportunidade de falar com o míster e também já lhe disse que, se tiver de jogar a lateral, estou ao serviço da Seleção. Como digo sempre, o mais importante é a equipa.
- Como é que lida com a concorrência pesada no meio-campo? Concorda que está a concorrer com os melhores médios do mundo.
- Quanto melhor a concorrência, melhor para a equipa. Temos os melhores jogadores do mundo em cada posição. Isto é superimportante para mim e estou bastante agradecido por poder treinar com eles todos os dias. Estou aqui para ajudar toda a gente.
- Como olha para esta chamada, uma vez que ganhou a concorrência a um jogador que era a base desta Seleção: João Palhinha?
- Trabalhei muito para estar aqui. Deve-se ao meu trabalho, à minha humildade e ao trabalho que fiz no clube diariamente. O estágio em março também foi superimportante para mim, pois tive a oportunidade de me mostrar como jogador e como pessoa. Quanto à concorrência, fiz o meu melhor para estar aqui. Apenas estou feliz por ser convocado e por fazer parte desta grande Seleção.
- O seu clube, o Maiorca, acabou de descer de divisão. Como é que perspetiva o futuro em termos de clube?
- Só estou focado na Seleção, o clube neste momento não é importante. O importante é a Seleção, é estar aqui e dar o meu melhor todos os dias. Podemos conquistar algo superbonito, mas para isso temos de trabalhar muito. E eu vou ser mais um a trabalhar.
- Esta foi a época em que teve mais contribuições de golos e agora vai para o Mundial. Que balanço faz da sua evolução ao longo desta época e também nos últimos anos?
- Comecei há uns anos como um 6 bastante posicional. Consegui melhorar o meu jogo para fazer diferentes posições no meio-campo. Depois de uns anos em que joguei mais como box-to-box, consegui ter mais chegada à área. Apenas fiz o que os treinadores me pediram. Consigo adaptar-me facilmente a qualquer posição e, como digo, o mais importante é que, se me pedirem para jogar em qualquer lado, vou dar o meu melhor. Procuro aprender também com os companheiros da minha posição para poder melhorar a cada dia.
- O grupo está mais pressionado nesta edição do que em qualquer outra até ao momento, por sermos candidatos?
- Não sei, porque não estava nos outros grupos. Sempre vai haver pressão, todas as seleções têm pressão, é a maior competição do mundo e todos querem ganhar. Para mim, vejo a pressão como algo positivo. Se há pressão é porque esperam coisas boas de ti; de certeza que as pessoas esperam boas coisas da Seleção. Não vou falar de candidatos nem de favoritos. O mais importante para mim é o dia a dia. É começarmos a construir boas sociedades, começarmos a construir boas químicas entre os jogadores e a equipa técnica. O dia a dia agora é o mais importante, e o foco é o jogo de amanhã.
-Falou dessas sociedades. Alguma dessas sociedades atrás de si ou à sua frente está a trabalhar melhor até agora?
- Tenho criado bastantes sociedades e relações com todos os meus companheiros, o que é importante para um médio-centro. Por exemplo, criar boas relações com os centrais, com os laterais, com o 10, com os extremos. É importante que comecemos a criar essas sociedades para chegarmos ao Mundial e quase jogarmos sem pensar muito. As coisas têm de ser fluidas e para isso temos trabalhado bastante.
- Qual é a diferença entre jogar amanhã ou jogar nos Estados Unidos?
- A intensidade somos nós que temos de a colocar. Eu encaro um jogo de preparação igual a um jogo oficial, e treino igual a um jogo oficial. Portanto, amanhã temos na cabeça que é como se se tratasse de um jogo oficial, temos de colocar bastante intensidade. É um jogo bastante importante ao nível físico para começarmos a somar minutos nas pernas e para nos prepararmos para o primeiro jogo. Vamos encarar este jogo com 100% de seriedade.
- Que é que você prioriza para ter mais espaço na equipa? Entrar nestes amigáveis? Mostrar trabalho na frente dos adeptos?
- O importante é o dia a dia, sejam jogos ou treinos. O míster insiste bastante que o fora do campo também é bastante importante: o descanso, os almoços, os jantares. Tudo o que pudermos dar ao nosso máximo para ajudar a Seleção, temos de dar. E se me pergunta se são mais importantes os treinos ou os jogos, quando estou lá dentro, no campo, tenho de dar tudo o que tenho.
- Esta seleção chilena não é a seleção de Vidal, Alexis Sánchez ou Claudio Bravo; é uma seleção de renovação. O que sabem sobre esta seleção?
- Sabemos que é uma seleção que está num processo de reconstrução. É uma equipa que tem jogadores novos, que tem bastante energia e bastante vontade de poder mostrar que merecem estar numa grande seleção como a do Chile. Conheço também alguns jogadores, como o Cepeda e o Suazo, que jogam na Liga espanhola, e o Maripán, um central bastante experiente. Esperamos uma equipa muito intensa, bastante atrevida, que pode jogar com linha de quatro ou linha de cinco. Temos de estar preparados para uma seleção que vem com muita vontade de fazer uma boa partida. Respeitamo-los ao máximo. Por isso, estamos a trabalhar muito duro e a analisar o Chile.