Rui Costa ganhou as última eleições, em novembro, com 65,89 por cento dos votos — Foto: Bruno de Carvalho/Kapta+
Rui Costa ganhou as última eleições, em novembro, com 65,89 por cento dos votos — Foto: Bruno de Carvalho/Kapta+

João Gabriel: «Rui Costa tem condições para continuar? É a ele que lhe cabe responder!»»

Antigo diretor de comunicação do Benfica considera que «sinais de desgaste acumulam-se, os erros são visíveis e a contestação cresce», mas acrescenta que não pode ser ultrapassada a linha da «deslegitimação precipitada»

João Gabriel defende que «a liderança de Rui Costa no Benfica vive hoje um momento de tensão evidente», que «os sinais de desgaste acumulam-se, os erros são visíveis e a contestação cresce». O antigo diretor de comunicação do Benfica, porém, acrescenta: «Mas há uma linha que não deve ser ultrapassada: a da deslegitimação precipitada de um presidente que, há menos de meio ano, foi reforçado por duas votações expressivas dos sócios.»

«Num clube democrático como o Benfica, a legitimidade não é um conceito abstrato nem moldável ao sabor da frustração desportiva. Apesar da gestão errática, sem uma linha estratégica clara e consistente, um passivo consolidado que aumentou 189 milhões em cinco anos, a perda de peso nas instâncias desportivas e uma política de contratações dispendiosa e sem eficácia, a tentação de respostas musculadas cresce. Foi desta frustração que nasceu, esta semana, uma petição para a convocação de uma Assembleia Geral com carácter destrutivo», escreveu num artigo partilhado na rede social LinkedIn.

João Gabriel critica gestão de Rui Costa — Foto: Sérgio Miguel Santos

Para João Gabriel, esse caminho não é a solução. «Seria um ato de instabilidade que pouco acrescentaria à resolução dos problemas reais. Pior: poderia fragilizar ainda mais o clube num momento em que precisa de foco, reorganização e clareza», justifica.

«Há, no entanto, um cenário distinto que não pode ser ignorado: o próprio Rui Costa reconhecer que já não tem condições para continuar. Essa é uma decisão que só ao próprio compete, mas que exige lucidez e sentido de responsabilidade. Se entender que perdeu capacidade de liderança, apoio interno ou margem para inverter o ciclo desastroso em que mergulhou o clube, então deve assumi-lo com frontalidade», prossegue.

«Até lá, importa separar duas coisas: a crítica legítima e necessária — a deslegitimação apressada. O que precisamos mesmo saber é se Rui Costa continua a entender ter condições para continuar», argumenta.

João Gabriel entende, ainda, que «a tribuna presidencial da Luz é hoje o espelho do que tem sido esta Direção do Benfica». «Quem ajudou a construir a história do clube merece todo o respeito e reconhecimento, mas a tribuna presidencial é — devia ser — um espaço de representação, de afirmação e de construção de futuro. É ali que se estabelecem relações, que se reforça o peso do clube e que se projeta o Benfica. Novos ou melhores contratos, lobby, parcerias estratégicas, influência institucional. Continuar fechado sobre o passado é ignorar as exigências do presente e comprometer aquilo que o Benfica pode e deve ser no futuro», sublinha.

O antigo diretor de comunicação do Benfica fez a comparação com o que se passa no Sporting e FC Porto: «Enquanto em Alvalade ou no Dragão vemos o Primeiro-Ministro, ministros, presidentes de câmara e figuras relevantes da sociedade a nível nacional e internacional, na Luz assistimos, jogo após jogo, a uma presença massiva de ex-jogadores (e quase sempre os mesmos). Sinal claro da falta de trabalho institucional, o que obriga depois a ir correr a Assembleia da República.»