João Félix: «Quero fazer a assistência para o golo 1000 do Cristiano»
João Félix está num grande momento de forma e admitiu que, apesar de estar feliz na Arábia Saudita, ao lado de Cristiano Ronaldo no Al Nassr, um regresso à Europa está nos seus planos, com o Barcelona a permanecer um clube especial.
Considerado uma das futuras referências do futebol português, a transferência para a Arábia Saudita parece ter-lhe devolvido a confiança, algo visível no recente jogo contra o País de Gales, no qual marcou o golo da vitória, tendo sido também muito elogiado pelo selecionador Jorge Jesus, que o treinou na Arábia na última época.
Apesar do sucesso individual, Félix não esquece as ambições com a equipa das quinas, depois de Portugal ter sido eliminado pela Espanha no último Mundial. «Quero ganhar um grande título com a seleção, a Espanha impediu-nos no Mundial. Foi a melhor», afirmou, em entrevista ao jornal espanhol AS. «Como é lógico, queríamos chegar mais longe, mas jogámos contra a Espanha, que foi a melhor seleção. Tivemos o jogo controlado e no final marcaram-nos aquele golo. O futebol é assim», lamentou, acrescentando que a Espanha foi uma justa vencedora. «Estiveram bem. Defendiam e atacavam bem. Tinham as ideias muito claras e foram campeões porque o mereceram, considerou».
A nível pessoal, a última temporada foi de grande sucesso para João Félix, que se sagrou campeão com o Al Nassr, um título que o clube não conquistava há sete anos. «Estou obviamente contente, sobretudo por ser campeão após uma época dura», confessou. «A campanha correu-me muito bem e tenho de estar contente com isso».
O jogador sente que a experiência o tornou mais completo: «Sinto-me melhor como jogador, entendo melhor o jogo, os momentos da partida. Não é o mesmo ter 26 anos do que ter 20 ou 21. Sinto-me muito mais jogador agora, também pelo facto de jogar na minha posição, num estilo de jogo que tira partido das minhas capacidades em benefício da equipa. Isso ajudou-me e, dessa forma, consigo ajudar mais a equipa. Como sempre disse, tenho confiança em mim próprio e acredito que, jogando na minha posição, posso sempre ajudar muito mais a equipa, que foi o que aconteceu no ano passado.»
Apesar de se confessar «muito contente no Al Nassr», o regresso ao futebol europeu está no horizonte. Aos 27 anos, que completará no final da presente temporada, o jogador revelou o desejo de voltar a competir na Europa, apontando a UEFA Champions Legue como uma motivação extra. «Tenho pensado, embora talvez não para já, em voltar à Europa. Não sei se no final desta temporada ou da próxima, mas tenho vontade de voltar», afirmou, sublinhando a diferença de competir no mais alto nível. «Dá-te uma motivação extra jogar na Europa, jogar a Champions, jogar com as melhores equipas do mundo e, obviamente, tenho isso na minha cabeça», acrescentou.
O orgulho de jogar com Cristiano Ronaldo
O atleta recordou ainda o título conquistado na época passada como «muito especial» por ter ajudado Ronaldo a alcançar um objetivo que procurava desde a sua chegada, o título na Arábia. A possibilidade de assistir para o milésimo golo da carreira de CR7 é um cenário que o entusiasma: «Já pensei nisso. Quando lhe faltar um, cada vez que tiver a bola vou olhar para ver se lhe posso fazer o passe. Esse golo vai ficar na história do futebol e estar lá seria um momento fantástico.»
Já pensei nisso. Quando lhe faltar um, cada vez que tiver a bola vou olhar para ver se lhe posso fazer o passe. Esse golo vai ficar na história do futebol e estar lá seria um momento fantástico
Colega de Cristiano Ronaldo na seleção e no Al Nassr, o jogador não esconde a admiração pelo capitão português e por estar numa posição rara. «É algo que pouca gente no futebol pode dizer que fez, jogar com ele na Seleção e no clube. É um orgulho. Crescemos a ver o Cristiano como o nosso ídolo, uma referência, e agora posso partilhar momentos com ele», afirmou.
O passado no Atlético e o sonho do Barcelona
Recordando a sua passagem pelo Atlético de Madrid, Félix foi questionado sobre se chegou muito cedo proveniente do Benfica, e gostaria que «as coisas tivessem corrido melhor». «Bem, não me arrependo, obviamente que não. Vivi momentos muito bonitos e muito importantes no Atlético. Claro que teria gostado que as coisas tivessem corrido melhor, mas isso é o futebol, faz parte do crescimento enquanto futebolista. Serviu para crescer e aprender, mas não, obviamente que não me arrependo de ter ido tão cedo.»
Já sobre a sua passagem pelo Barcelona, as memórias são muito positivas, apesar de ter sido apenas por empréstimo. «Bons, muito bons. No final não conseguimos ganhar nada, mas simplesmente jogar no Barcelona já me fez muito feliz», revelou. «Estou muito contente por ter vestido a camisola do Barça, que era um sonho de criança, meu, do meu pai e do meu irmão. Foi um orgulho».
Questionado sobre se lhe faltou jogar no Real Madrid, a resposta foi perentória, afastando qualquer possibilidade de representar o rival do Atlético e do Barcelona: «Seria o maior traidor do futebol. Não, não, não. Gostei muito de estar em Barcelona.»
Real Madrid? Seria o maior traidor do futebol. Não, não, não
O atleta abordou a ausência da lista de 30 nomeados para a Bola de Ouro, sugerindo que a liga saudita é subvalorizada. «Parece que por jogar na Arábia Saudita é preciso demonstrar mais do que os outros, mas acontece que há um jogador da liga saudita nomeado e não é o João Félix», notou, desvalorizando a sua própria ausência da lista. «Não são coisas que dependem de mim. Não estava muito preocupado com isso, talvez se tivessemos ido mais longe no Mundial... A verdade é que não entrei, mas também não estava à espera», confessou.
Lista da Bola de Ouro? Talvez se tivessemos ido mais longe no Mundial...
Questionado sobre o seu favorito ao prémio, a escolha recaiu sobre Lamine Yamal, a jovem estrela do Barcelona. «Sempre defendi que a Bola de Ouro é para o jogador que tu vês e dizes: ‘Uau’. Se há um jogador que te prende à televisão, esse é o Lamine. É verdade que Mbappé e Kane fizeram uma grande temporada, mas o Lamine é futebol», declarou, destacando ainda a importância da conquista do Mundial em anos de Campeonato do Mundo.