'Je suis Paulinho' e o leitor também, aposto
Deixo os números de lado, de propósito, para permitir a eventualmente justa retaliação dos puristas da estatística.
Deixo as considerações técnico-tático-estratégicas de lado, para permitir as avisadas explicações de quem percebe imenso do 4x3x3, do 4x4x2 ou do 5x3x1, do 3x4x3 ou da fórmula que mais apreciarem. Bom proveito.
Detenho-me no essencial: Paulinho era bom jogador no Gil Vicente, há muitos anos, isto para não falar do Santa Maria ou do Trofense; Paulinho foi muito bom no SC Braga, e por isso foi transferido a peso de ouro para o Sporting; Paulinho foi extraordinário no Sporting, a todos os níveis, incluindo o nível dos títulos nacionais; Paulinho é uma estrela no México desde que se transferiu para o Toluca.
Num país que anda há três décadas a queixar-se da falta de pontas de lança, Paulinho tem três internacionalizações A. Com dois golos pelo meio, é apenas um pormenor.
Quando saiu a última convocatória da Seleção Nacional AA, Paulinho não estava escolhido. Porque, justificou o selecionador, é parecido com Cristiano Ronaldo e Gonçalo Ramos (dou de barato a discussão sobre todas as comparações desta equação, que eu na verdade não tenho estudos).
Quando se soube que Rodrigo Mora e Rafael Leão não podiam ir correr meio mundo para jogar particulares na América… Paulinho foi chamado. A explicação, ou falta dela, faz-se sozinha.
De cada vez que leio ou vejo alguém falar sobre a influência de empresários e clubes na Seleção Nacional eriçam-se-me os pêlos, assim com acento.
Declaração de interesses sempre que falo destes temas: trabalhei na FPF ente 2012 e 2023.
Estamos, no fundo, a falar de escolhas. Feitas por seres humanos. E como tudo o que é humano, essas escolhas estão sujeitas à crítica. Não se trata de destratar quem quer que seja nem achar que temos mais razão que os outros.
Mas aposto que muitos, como eu, são Paulinho no que à Seleção Nacional diz respeito. E é importante que ela seja Nacional…