«Ir à Reboleira obriga o Sporting a ser uma equipa muito operária»
Durante quase um quarto de século Nélson Pereira esteve ligado ao Sporting. Primeiro como guarda-redes, depois como membro das equipas técnicas. Foi bicampeão, conquistou três Taças de Portugal, outras tantas Supertaças e duas Taças da Liga. Envergou a braçadeira de capitão e tornou-se figura incontornável do clube de Alvalade.
Também foi tricolor, tendo defendido as redes do Estrela da Amadora em duas épocas (2007/2008 e 2008/2009), e igualmente capitaneado a equipa amadorense. Em vésperas da visita do Sporting à Reboleira, em jogo da 29.ª jornada da Liga, Nélson realçou, em declarações exclusivas a A BOLA, a importância deste encontro, que, não esconde, o deixa dividido.
«São dois clubes que representei com muito orgulho, o Sporting tenho uma ligação enorme, de muitos anos, o Estrela da Amadora foram dois anos difíceis, mas que vivem realidades diferentes e o Sporting ao dia de hoje é o clube que o melhor futebol pratica em Portugal, está numa luta titânica com o FC Porto, aproveitando o empate [com o Famalicão, 2-2] e relançou, de que maneira, o campeonato. O Estrela vai continuar à procura dos seus pontinhos para ter uma reta final sossegada, mas o Sporting é favorito à vitória», destacou.
Contudo, o antigo guardião deixou um alerta: «Ir à Reboleira obriga Sporting a ser uma equipa muito operária, porque o Estrela, por tradição, bate-se muito em casa, causa dificuldades a qualquer adversário e tenho a certeza que, mesmo depois da jornada europeia em que o Sporting fez excelente exibição com o Arsenal, e tendo de mudar o chip para voltar à Liga — o Rui Borges tem feito muito bem esse trabalho de mentalização dos atletas —, sinto que a equipa está bastante unida e focada naquilo que são os objetivos, que é conquistar o tricampeonato.»
Champions é o campeonato
Desafiado a analisar o recorrente discurso de Rui Borges de que a Champions do Sporting é o campeonato, Nélson não tem dúvidas de que é um recado para dentro.
«Desde início que foi assumido o objetivo revalidar o título nacional, sabendo que está a fazer uma grande campanha na Champions, que lhe permite ir sonhando, mas nada como tentar voltar a vencer o campeonato, o que também lhes permite continuar na Liga dos Campeões na próxima época, assim tal como o segundo lugar, mas acho que a mensagem que é passada e está muito na cabeça dos jogadores e é preciso lutar até ao fim», disse.
«É uma equipa que se conhece bastante bem, que tem processos muito bem assimilados e muda pouco a forma de jogar da Champions para a Liga, por isso é que a oscilação de exibições não é tão grande. O Sporting, como tem mostrado, consegue manter uma regularidade que lhe permite ir lutando por todas as competições em que está a participar», finalizou.