Sofiane Diop leva 36 jogos esta época pelo Nice
Sofiane Diop leva 36 jogos esta época pelo Nice - Foto: IMAGO

Inacreditável: erro de redação de contrato agrava crise financeira do Nice

Clube francês enfrenta graves problemas de tesouraria e luta pela manutenção na Ligue 1. Salário de Moffi, cedido ao FC Porto, também pesa (bastante) nas contas

Um erro administrativo no contrato de Sofiane Diop, que transformou valores brutos em líquidos, contribuiu para a elevada massa salarial do Nice, forçando o clube a uma reestruturação financeira para equilibrar as contas, revela o L'Équipe.

A recente análise salarial da Ligue 1, publicada pelo jornal francês, expôs a delicada situação financeira do emblema da Côte d'Azur. Embora a massa salarial média tenha diminuído de 110 mil para 98 mil euros mensais em relação à época passada, o clube ainda tem seis ou sete jogadores, incluindo Tanguy Ndombele, a auferir salários brutos de 200 mil euros por semana. Esta situação, agravada pelos salários de jogadores emprestados como Terem Moffi, ao FC Porto, e Jérémie Boga (Juventus), tem pesado nas contas e levou a empresa acionista Ineos a reconsiderar os seus investimentos iniciados em 2019.

O verão de 2022, marcado pela gestão de Dave Brailsford após a saída súbita do diretor de futebol Julien Fournier, foi um período particularmente problemático para o clube gaulês. Foi nessa altura que Diop foi contratado ao Mónaco, a troco de 22 milhões de euros, uma das transferências mais caras da história do clube.

O contrato do médio ofensivo marroquino, que previa um salário crescente e indexado à participação nas competições europeias, continha um erro crasso: os valores acordados como brutos foram transcritos como líquidos no contrato final. Esta falha resultou num aumento de cerca de 20% nos encargos salariais para o clube.

Este episódio, refere o Nice Matin, ilustra os desafios de gestão que o atual 15.º classificado do campeonato francês enfrenta, apesar dos lucros de 60 a 70 milhões de euros obtidos com transferências nos últimos dois verões. Florian Maurice, diretor desportivo, reconheceu a necessidade de vendas regulares. «No plano económico, somos obrigados a fazer vendas de forma regular. Mas também investimos de forma interessante», afirmou, acrescentando: «Depois, é preciso encontrar os perfis certos no plano desportivo e mental para que a equipa continue a ser competitiva».

No entanto, o recrutamento recente acabou por não gerar o valor esperado. Apenas Kojo Oppong, internacional ganês avaliado em 10 milhões de euros, se destaca como um ativo de valor, juntamente com Hichem Boudaoui (cerca de 12 milhões), Mohamed-Ali Cho e Melvin Bard.

Para o futuro, a estratégia do clube, caso se mantenha na Ligue 1, passa por vender mais e melhor, mas sobretudo por regressar a um modelo de recrutamento mais sustentável. A intenção é «voltar ao que soubemos fazer no passado: descobrir talentos a baixo custo em campeonatos menores que correspondam à identidade do clube».

Com Sofiane Diop no topo da lista dos mais bem pagos, é provável que muitos dos atuais jogadores com salários elevados não continuem no clube na próxima época.