Inacreditável: erro de redação de contrato agrava crise financeira do Nice
Um erro administrativo no contrato de Sofiane Diop, que transformou valores brutos em líquidos, contribuiu para a elevada massa salarial do Nice, forçando o clube a uma reestruturação financeira para equilibrar as contas, revela o L'Équipe.
A recente análise salarial da Ligue 1, publicada pelo jornal francês, expôs a delicada situação financeira do emblema da Côte d'Azur. Embora a massa salarial média tenha diminuído de 110 mil para 98 mil euros mensais em relação à época passada, o clube ainda tem seis ou sete jogadores, incluindo Tanguy Ndombele, a auferir salários brutos de 200 mil euros por semana. Esta situação, agravada pelos salários de jogadores emprestados como Terem Moffi, ao FC Porto, e Jérémie Boga (Juventus), tem pesado nas contas e levou a empresa acionista Ineos a reconsiderar os seus investimentos iniciados em 2019.
O verão de 2022, marcado pela gestão de Dave Brailsford após a saída súbita do diretor de futebol Julien Fournier, foi um período particularmente problemático para o clube gaulês. Foi nessa altura que Diop foi contratado ao Mónaco, a troco de 22 milhões de euros, uma das transferências mais caras da história do clube.
O contrato do médio ofensivo marroquino, que previa um salário crescente e indexado à participação nas competições europeias, continha um erro crasso: os valores acordados como brutos foram transcritos como líquidos no contrato final. Esta falha resultou num aumento de cerca de 20% nos encargos salariais para o clube.
Este episódio, refere o Nice Matin, ilustra os desafios de gestão que o atual 15.º classificado do campeonato francês enfrenta, apesar dos lucros de 60 a 70 milhões de euros obtidos com transferências nos últimos dois verões. Florian Maurice, diretor desportivo, reconheceu a necessidade de vendas regulares. «No plano económico, somos obrigados a fazer vendas de forma regular. Mas também investimos de forma interessante», afirmou, acrescentando: «Depois, é preciso encontrar os perfis certos no plano desportivo e mental para que a equipa continue a ser competitiva».
No entanto, o recrutamento recente acabou por não gerar o valor esperado. Apenas Kojo Oppong, internacional ganês avaliado em 10 milhões de euros, se destaca como um ativo de valor, juntamente com Hichem Boudaoui (cerca de 12 milhões), Mohamed-Ali Cho e Melvin Bard.
Para o futuro, a estratégia do clube, caso se mantenha na Ligue 1, passa por vender mais e melhor, mas sobretudo por regressar a um modelo de recrutamento mais sustentável. A intenção é «voltar ao que soubemos fazer no passado: descobrir talentos a baixo custo em campeonatos menores que correspondam à identidade do clube».
Com Sofiane Diop no topo da lista dos mais bem pagos, é provável que muitos dos atuais jogadores com salários elevados não continuem no clube na próxima época.