Lens empatou a três bolas em casa do Brest
Lens empatou a três bolas em casa do Brest - Foto: IMAGO

Implementada medida inédita na 31.ª jornada da Ligue 1

Jogadores do campeonato francês usam nomes de vítimas de discriminação nas camisolas

Numa iniciativa inédita, os jogadores da Ligue 1 e da Ligue 2 em França estão a entrar em campo com camisolas que exibem o nome de uma vítima de discriminação em vez do seu próprio. Nomes como Margaux ou Myriam substituem os habituais apelidos dos atletas, numa campanha simbólica contra o preconceito.

Esta ação surge após a controversa decisão da Liga de Futebol Profissional (LFP) de abandonar a tradicional «jornada arco-íris», na qual as camisolas ostentavam as cores da luta contra a homofobia. A medida, anunciada há mais de um mês, gerou acusações de que a LFP estaria a ceder à pressão de um pequeno número de jogadores que se recusavam a participar.

Em resposta, a LFP lançou uma nova campanha durante a 31.ª jornada da Ligue 1 e a 32.ª da Ligue 2. A iniciativa consiste em estampar nas camisolas 34 nomes selecionados em colaboração com associações como a Her Game Too (contra o sexismo), a Foot Ensemble (contra a homofobia) e a LICRA (Liga Internacional contra o Racismo e o Antissemitismo).

Segundo a LFP, a escolha dos nomes não foi aleatória. «Estes 34 nomes foram selecionados a partir de testemunhos de pessoas vítimas de discriminações no seu quotidiano», explicou o organismo, sublinhando que estes casos não são isolados. «Eles recordam que as discriminações assumem múltiplas formas — sexistas, racistas, homófobas, antissemitas — e que continuam a ser uma realidade que o futebol profissional se recusa a banalizar.»

A mudança de estratégia foi, curiosamente, impulsionada pelas próprias associações, que se mostravam cansadas das polémicas anuais. Yoann Lemaire, presidente da Foot Ensemble, esclareceu a posição: «Durante muito tempo, insistimos com a LFP para ter as cores nas camisolas. Há dois anos, insistimos para parar e fazer outra coisa. Porque era desgastante. Por causa de 5 ou 6 jogadores recalcitrantes, só havia polémicas». Lemaire considera positivo «tentar outra coisa com esta campanha e ver o que acontece».

Esta visão é partilhada por outros líderes associativos. Pierre Hocq, da Licra, concorda que «era preciso encontrar outra porta de entrada». Já Abel Boyi, da associação Tous Unis, defende a LFP das críticas de «retrocesso» e «cobardia», considerando-as «injustas». Para Boyi, a nova campanha, que encerra centenas de workshops realizados nos clubes, garante uma «adesão mais forte» por parte dos jogadores.

Para ampliar o impacto, os clubes irão divulgar a campanha nas suas redes sociais, partilhando imagens com os nomes e testemunhos das vítimas. O objetivo, segundo a LFP, é «humanizar estes nomes e recordar que, por trás de cada discriminação, há uma pessoa, uma história e uma vivência».