Houve coração para 90 minutos, mas não houve pernas para 120 (crónica)
A Liga dos Campeões proporciona noites como estas: a Juventus precisava de reverter uma desvantagem de três golos de Istambul após a derrota de 2-5 frente ao Galatasaray, viu-se a ganhar por 1-0 ainda na primeira parte, mas com a expulsão de Lloyd Kelly aos 48’ (João Pinheiro deu-lhe o segundo amarelo, mas foi ao VAR e reverteu a decisão para vermelho direto) pensava-se que a missão se tornaria quase impossível.
Mas os bianconeri organizaram-se, Locatelli (autor do 1-0, de penálti) desceu para central a defender e manteve-se a médio a atacar, e conseguiram o impensável: mais dois golos, ambos na sequência de bola parada – Gatti ao segundo poste aos 70’, após cruzamento de Kalulu, McKennie aos 82’ e a sensação de que, mesmo com menos um, a história podia fazer-se em Turim.
Francisco Conceição saíra aos 68’, Zhegrova entrara para o lugar dele e trouxe mais agitação ao ataque e durante muito tempo o Galatasaray tremeu, sem conseguir superiorizar-se em qualquer variável do jogo mesmo tendo mais um jogador.
No tempo extra, a Juventus foi mais comedida. Já não precisava de jogar só com o coração, podia fazê-lo também com a cabeça, ainda assim teve uma grande oportunidade, mas Zhegrova desperdiçou na cara de Cakir.
A partir daí e após as substituições, os turcos começaram a encontrar espaços no contra-ataque. E Osimhen, que até aí tivera uma exibição cinzenta, fez o que está ao alcance só dos grandes pontas de lança: marcou na grande oportunidade de que dispôs: o passe foi de Yilmaz, Gatti (até aí um leão) falhou o corte e o nigeriano não deu hipótese, sem festejar em respeito por um clube onde desejou jogar e em respeito por Spalletti, com quem foi campeão no Nápoles.
A partir daí voltou o coração a mandar nos italianos, mas já não as pernas. Em contra-ataque, Yilmaz fez o segundo dos turcos e acabava aí com a eliminatória, passando aos oitavos de final 12 anos depois. Os adeptos do Galatasaray aplaudiram, mas ainda mais os da Juventus: perceberam que a sua equipa tinha dado tudo perante as circunstâncias. Deu pelo menos para sonhar.