Francês Alexis Guerin (Anicolor) bateu o colombiano Javier Jamaica (NU Colombia) ao sprint na 3.ª etapa do GP Anicolor

GP Anicolor: etapa e geral para Guerin em jornada épica

Francês da equipa Anicolor reeditou o triunfo de 2025 com ataque a mais de 70 km da meta da dantesca terceira e última tirada, descrita pelo destronado camisola amarela Tiago Antunes como a mais dura que correu em Portugal

Uma etapa de montanha digna de uma grande Volta, a que conquistou Alexis Guerin em Águeda e consagrou o francês da Anicolor-Campicarn, pelo segundo ano consecutivo, como vencedor do Grande Prémio Anicolor. Triunfo ao sprint sobre o colombiano Javier Jamaica, da equipa NU Colombia, após duelo de mais de 70 quilómetros em fuga por estradas em constante sobe e desce, ascensões duríssimas, incluindo seis categorizadas entre muitas mais que totalizaram mais de 4100 metros de desnível acumulado. 

O grupo perseguidor, com o derrotado camisola amarela Tiago Antunes, chegou 1.34 minutos após o duo num grupo liderado pelo russo Artem Nych (Anicolor), o terceiro classificado na terceira e última etapa, a rainha da prova que este ano foi promovida à categoria 2.1 da UCI (equivalente à da Volta a Portugal).

As exigências do percurso começaram pouco depois da partida de Mortágua, com duas contagens de montanha de 3.ª e 2.ª categoria, a abrir as hostilidades. Um grupo de 15 corredores que integrava alguns elementos a 10 segundos do líder da geral Tiago Antunes destacou-se nos primeiros quilómetros, mas teve a oposição da equipa do camisola amarela, Efapel, e da Anicolor, que trazia estratégia a cumprir.

 

Por isso, a aventura madrugadora pouco durou, e o pelotão manteve-se compacto até à contagem de montanha seguinte (3.ª cat. em Candal), a cerca de 100 quilómetros da chegada, quando a equipa de Águeda fez a primeira jogada, atacando com Alexis Guerin, vencedor da edição de 2025 deste Grande Prémio e oitavo da geral. 

Com o trepador francês, que ocupava a 8.ª posição da geral a apenas 10 segundos da liderança, isolaram-se também o colombiano Javier Jamaica (NU Colombia; a 24 s) e José Neves (Simoldes-Oliveirense, a 10 s), que foram ganhando uma vantagem sobre o pelotão, então liderado apenas pela Efapel, que atingiu 2.30 minutos no alto da Coelheira (1.ª), a 87 km da meta, sensivelmente a meio da etapa e já depois de o português não ter resistido ao ritmo dos companheiros de fuga e ser reabsorvido mais tarde pelo grupo perseguidor cada vez mais reduzido.

Chegou-se, enfim, aos últimos 50 km e às duas contagens de montanha (2.ª) que decidiram a vitória na etapa e a classificação geral. Após a transposição da primeira das subidas (Dornelas), a vantagem do duo de fugitivos superou os 3 minutos, apesar dos esforços de perseguição da Efapel num pelotão restringido a tão-só 18 unidades. Complicou-se seriamente a defesa da amarela de Tiago Antunes. E ainda mais difícil ficou na subida final (Talhadas, 2.ª cat), quando começaram os ataques no grupo principal, com Artem Nych (Anicolor) a destacar-se durante a longa descida para a meta. 

Na frente, com a vitória e a camisola quase garantidas, abriram-se as hostilidades entre Guerin e Jamaica, com o colombiano a tentar isolar-se para superar a desvantagem de 14 segundos para o francês na geral. Perto do topo da ascensão, após sucessivas tentativas de escapar, o sul-americano conseguiu o objetivo, mas quando Guerin se debatia para não ficar para trás, o corredor da Anicolor é auxiliado pelo carro da equipa - com a entrega de um bidão, que não deveria ter sido autorizado pelo comissariado da corrida -, voltando assim a juntar-se a Javier Jamaica. No entanto, a desconfiança estava definitivamente instalada entre os fugitivos, que não voltaram a separar-se até à chegada, onde Guerin se impôs ao sprint para fazer o doblete: etapa e geral.

«Recompensa para Louis Ferreira»

Alexis Guerin dedicou a vitória ao companheiro de equipa Louis Ferreira, que fraturou três vértebras em consequência de uma queda na primeira etapa. 

«Disse ontem [sábado] à minha equipa que queria atacar como ano passado, a 80-70 km da meta, e a equipa acreditou na minha capacidade. Estou feliz, porque é uma recompensa para a equipa e para o meu companheiro que caiu na primeira etapa e tem três vértebras fraturadas. É um grande amigo. É importante para a minha família também. Estou emocionado», afirmou o francês de 33 anos, que alcançou a terceira vitória esta temporada, após o triunfo na quarta etapa da Volta ao Alentejo, no alto da Serra de São Mamede. O corredor da Anicolor descreveu ainda o duelo com o colombiano Javier Jamaica. «Sabia que ele estava forte, viu-se na primeira etapa [em que se isolou nos últimos 30 km só foi alcançado pelo pelotão a 500 metros da meta]. Ele atacou-me e eu disse-lhe para trabalhar comigo, que podia vencer a etapa e eu a geral, mas ele não concordou. São assim as corridas»

Tiago Antunes: «Adversários foram mais fortes»

Camisola amarela durante esta etapa, Tiago Antunes reconheceu ter sido batido decisivamente por adversários mais fortes. «Foi uma etapa extremamente dura, das mais duras que já fizemos em Portugal. Penso que a equipa correu bem, tentámos controlar a etapa da maneira que podíamos, mas os corredores da frente estavam simplesmente muito fortes. Não conseguimos anular a fuga e começámos a pensar na guerra do pódio e na parte final tentámos que chegasse tudo junto porque sabia que tinha a vantagem do meu lado das bonificações e felizmente conseguimos manter o terceiro lugar no pódio», começou por declarar o líder destronado da prova.

«Eles [Guerin e Jamaica] atacaram bastante cedo na etapa. Ainda tínhamos vários corredores da equipa e acreditámos sempre que a força coletiva fosse mais forte, mas infelizmente os corredores estavam muito fortes e acho que hoje ganham os melhores», admitiu Tiago Antunes, que terminou a 1.33 minutos do vencedor do GP Anicolor, Alexis Guerin.

Classificação da 3.ª etapa

1.º Alexis Guerin (Anicolor) 4:46.14 horas

2.º Javier Jamaica (NU Colombia) m.t.

3. Artem Nych (Anicolor) +1.33 m

4.ª Xavier Berasategi (Euskatel) +1.34 m

5.º Rafael Reis (Anicolor) m.t.

6.º Gonçalo Carvalho (Tavfer) m.t.

7.º Joan Bou (Caja Rural) m.t.

8.º Jesus del Pino (Aviludo) m.t.

9.º Gotzon Martí (Euskatel) m.t.

10.º Tiago Antunes (Efapel) m.t.

Classificação geral


1.º Alexis Guerin (Anicolor) 13:23.54 h

2.º Javier Jamaica (NU Colombia) +18 s

3.º Tiago Antunes (Efapel) +1.33 m

4.º Xavier Berasategi (Euskatel) +1.37 m

5.º Joan Bou (Caja Rural) +1.38 m

6.º Gotzon Martín (Euskatel) m.t.

7.º Artem Nych (Anicolor) +1.39 m

8.ª Gonçalo Carvalho (Tavfer) +1.40 m

9.º Jonathan Lastra (Euskatell) +1.40 m

10.º Jesus del Pino (Aviludo)+1.43 m

A BOLA viajou a convite de GP Anicolor

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