Ricardo Soares

Gil Vicente: Ricardo Soares recorda as vitórias na Luz e acredita numa nova surpresa

O técnico foi o último treinador gilista a vencer o Benfica, em 2021/2022, numa temporada em que os galos conseguiram o seu único apuramento para uma competição europeia

Já lá vão quatro anos desde a última vitória do Gil Vicente frente ao Benfica. Foi a 2 de fevereiro de 2022 que os galos voaram mais alto do que as águias, com a equipa então orientada por Ricardo Soares a vencer por 2-1 em pleno Estádio da Luz, com golos de Samuel Lino e Giorgi Aburjania

Desde então, disputaram-se sete jogos entre galos e águias, com a vitória a sorrir sempre aos encarnados. Na segunda-feira, às 20h15, em Barcelos, César Peixoto procurará inverter essa tendência e repetir uma façanha que, curiosamente, já tinha sido alcançada um ano antes, em 2020/2021, também por 2-1, também na Luz. 

A Bola falou com o técnico das últimas vitórias gilistas frente aos encarnados, para perceber que semelhanças existem de 2022 para 2026, sendo que, em ambos os casos, a equipa encontra-se na luta por lugares europeus. 

Ricardo Soares recorda diferenças claras entre as duas vitórias. «No meu primeiro ano no Gil Vicente, estávamos a lutar pela manutenção. Precisávamos desesperadamente de vencer», sublinha. Numa altura em que o Benfica atravessava uma série de sete vitórias consecutivas, os minhotos entraram fortes. «Estávamos a vencer por 2-0 e o Benfica faz o 2-1, perto do fim. Mas fizemos um jogo muito competente.» 

Já em 2021/2022, época do apuramento histórico para a Liga Conferência, o cenário era outro. «O Gil Vicente estava, entre aspas, em piloto automático. Era uma equipa muito confiante, com excelentes individualidades.» A estratégia passou por assumir riscos. «Fomos arrojados, fomos crentes. Acreditávamos que podíamos jogar na Luz de igual para igual, pressionar alto o Benfica e surpreendê-lo.» 

Num palco onde, por norma, «há aspetos defensivos que assumem primazia», o treinador optou por uma abordagem ousada, «um futebol mais agressivo e dominante.» O resultado voltou a ser um 2-1, que o técnico considera «sem margem para dúvidas». 

Dois maestros em orquestras diferentes 

Sobre paralelismos entre a equipa de 2022 e a atual, onde eram protagonistas Fran Navarro, Samuel Lino ou Pedrinho e a atual formação, Ricardo Soares assume que há pontos de contacto, deixando elogios à equipa treinada por César Peixoto. 

«Esta equipa do Gil tem algumas parecenças na forma consistente como defende. A minha tinha mais posse, era mais agressiva com bola. Esta é, na minha opinião, mais forte na transição defesa-ataque e ataque-defesa.» 

Em comum entre 2022 e 2026 existe um cérebro a meio-campo que vai dando nas vistas: Pedrinho e Luís Esteves. «São jogadores que percebem muito bem o jogo e sabem onde encontrar espaços, têm capacidade de adaptação e inteligência para reajustar durante os jogos. Feliz do treinador que tem jogadores assim.» 

Da última vitória frente ao Benfica, há um nome que atravessa sobrevive: Zé Carlos. «Fomos buscá-lo ao SC Braga porque víamos nele potencial, encaixava na perfeição», recorda. Hoje, considera que o lateral-direito está «em ponto de rebuçado. É um jogador mais maduro, mais ‘jogador’, percebe melhor quando deve atacar ou defender.» Para Ricardo Soares, é, a par de Murilo, outro jogador que representou os galos em 2021/2022, mas não participou na vitória na Luz, «um dos destaques» de uma equipa que classifica como «absolutamente incrível». 

Sobre o desafio frente ao Benfica, o técnico é cauteloso. «O Benfica está forte e atravessa um bom período. É uma equipa que reage muito bem à perda de bola, está mais matreira, mais madura.» 

Apesar dos elogios ao Benfica, Ricardo Soares relembra a forma recente dos galos e aponta outra semelhança com a equipa de 2022. «Não nos podemos esquecer de que o Gil Vicente ganhou quatro dos últimos seis jogos. Isso demonstra grande qualidade. Este Gil entra sempre para ganhar, Gil também têm essa característica.» 

Reconhecendo que «a diferença entre Benfica e Gil Vicente continua a ser significativa», não descarta uma surpresa. «É uma equipa organizada, sofre poucos golos, é matreira e pode perfeitamente fazer um bom resultado.» 

Quanto ao futuro europeu, há a convicção de que o feito de 2021/2022 pode ser repetido: «Incluo claramente o Gil Vicente nessa luta. Acho que está preparado para atacar novamente uma qualificação europeia.» 

Na segunda-feira, Barcelos volta a acreditar. O passado mostra que é possível. O presente diz que há argumentos. Resta saber se os galos conseguem, de novo, voar mais alto do que as águias.