Gerson Baldé, campeão mundial de salto em comprimento em pista curta

Gerson Baldé, campeão descontraído

No último salto da final do salto em comprimento, Gerson Baldé, «descontraído e calmo», transformou 20 centímetros do quinto lugar em glória mundial. Saltou mais 27 cm do que até então na noite na Arena Torun e 14 cm mais do que alguma vez conseguira: 8,32 metros do recorde nacional. Para o ouro

O atletismo sempre foi, e continua a ser, garantia de medalhas e títulos — mundiais e europeus — para Portugal. Nos últimos anos, sobretudo nas competições de pista. Este fim de semana trouxe mais uma distinção, em pista curta (outrora coberta), na Polónia, a enriquecer o medalheiro nacional. Agate Sousa e Gerson Baldé dominaram o salto em comprimento e conquistaram o ouro, enquanto Isaac Nader alcançou a prata nos 1500 metros.

Os três assinaram desempenhos exímios frente à elite mundial nas respetivas disciplinas, e os elogios já lhes foram amplamente dirigidos. Restam, por isso, curiosidades e pormenores das atuações — alguns decisivos, aqueles que tantas vezes separam os campeões dos restantes — como os que emergem das declarações de Gerson Baldé.

Dizia o novo campeão mundial do comprimento que partiu «descontraído» para o último salto da final, convicto de que «ia correr bem». O atleta natural de Albufeira, de 26 anos, conquistou o ouro com 8,46 metros nessa derradeira tentativa, resolvendo uma final em que esteve praticamente sempre arredado do pódio: 8,17 metros no primeiro ensaio, 8,19 na quinta tentativa, quando se encontrava a aparentemente insuperáveis 20 centímetros do título mundial — os 8,29 do italiano Mattia Furlani.

O resultado foi um salto 27 centímetros mais comprido do que o melhor que dera até então na noite na Arena Torun e 14 cm mais comprido do que alguma vez saltara: os 8,32 do recorde nacional — que lhe valeu o título mundial.


«O professor [o treinador José Barros] deixou-me mesmo muito calmo, gostei da mensagem. Com poucas palavras, pediu para fazer o que treinámos muito bem e, agora, talvez vá festejar com ele a beber uma taça de vinho. (...) Estar no top 3 da lista de inscritos deu-me muito mais calma. Não tenho mais urgência de provar nada a mim mesmo», recordou, numa descontração muito própria.

Baldé não tem o estatuto do compatriota do triplo salto, Pedro Pichardo, habituado a conquistas maiores, nem a quase inevitável sensação de vitória que acompanha Armand Duplantis antes de cada competição. São apenas dois exemplos. Mas a confiança nas próprias capacidades é traço essencial de um campeão — e Baldé demonstrou possuí-la.

Quando, «descontraído e mesmo muito calmo», no salto do tudo ou nada, voou mais 20 centímetros — do quinto lugar à glória mundial.