Foi herói contra o Sporting e recorda: «Fernando Santos meteu o cavalinho certo»
Quando, a 29 de março de 1998, o Estrela da Amadora derrotou (2-1) o Sporting, em partida referente à 27.ª jornada da época 97/98, escrevia-se história: era a primeira vez que os tricolores batiam os leões na Reboleira em jogos a contar para o principal escalão nacional.
Mas se lhe dissermos, caro leitor, que esse capítulo ainda perdura como único, então estamos a falar de um conto de fadas que completou recentemente 28 anos e que mais ninguém ousou reescrever. Daí para cá, não mais os estrelistas lograram bater o pé aos verdes e brancos. E foi assente, precisamente, na história que A BOLA esteve à conversa com o grande herói desse desafio: Renato Anjos.
Na referida data, quase há três décadas, o avançado entrou no decorrer da segunda parte, numa altura em que o Sporting vencia pela margem mínima — o brasileiro Assis tinha apontado o golo do conjunto leonino, logo no início do encontro —, e viveu uma das noites mais brilhantes da sua carreira: bisou em apenas cinco minutos e selou o triunfo dos amadorenses.
«Se me lembro? Como poderia esquecer-me? Passados quase 30 anos ainda se fala nisso, veja bem. Foi a única vez que o Estrela da Amadora ganhou em casa ao Sporting em jogos de campeonato e na semana seguinte só se falava no Renato, porque fiz os dois golos», começou por dizer ao nosso jornal. Mas não é só do resultado que Renato se lembra: «Também recordo bem os golos. No primeiro, o Mário Jorge rematou, houve um ressalto e eu encostei para o 1-1. No segundo, foi um mau atraso do Beto e eu, na cara do Tiago, atirei certeiro.»
Os louros foram seus, mas o mérito veio... do banco. «O mister Fernando Santos decidiu arriscar em mim quando estávamos a perder e arriscou bem. Meteu o cavalinho certo», nota, de sorriso rasgado.
No sábado há novo duelo e o coração fala mais alto: «Será difícil para o Estrela, mas também para o Sporting. Desejo que o Estrela ganhe, ainda para mais numa altura em que precisa de pontos para conseguir alcançar a permanência.»
RODRIGO PINHO PODE SER «O NOVO RENATO»
O facto de continuar a constar no livro de memórias dos duelos disputados na Reboleira entre Estrela da Amadora e Sporting não retira ponta de humildade ao antigo avançado dos tricolores. De tal forma que o herói de 1998 deseja ardentemente que «apareça um novo Renato».
E ainda que não tenha qualquer tipo de preferência relativamente ao jogador do atual plantel dos amadorenses que possa constar das capas de jornais no dia seguinte ao desafio, há um nome que lhe vem rapidamente à memória. Devido à posição no terreno. «Talvez possa ser o Rodrigo Pinho a decidir. Por ser ponta de lança, terá maiores probabilidades de marcar. Mas que seja qualquer um. Desde que isso signifique a vitória do Estrela, está tudo bem», projeta.
E porque os recordes são para ser batidos...: «Gostava muito que essa história de o Estrela da Amadora só por uma vez ter ganho ao Sporting na Reboleira acabasse de uma vez por todas. Já lá vai tempo mais do que suficiente para que se escreva um novo capítulo. Que seja desta!»