FIA altera regras de recarga elétrica para a qualificação no Japão
A Federação Internacional do Automóvel (FIA) anunciou esta quinta-feira uma alteração às regras de gestão de energia para a sessão de qualificação do Grande Prémio do Japão. A recarga máxima de energia permitida por volta foi reduzida de 9,0 para 8,0 megajoules (MJ), uma medida que visa melhorar o espetáculo e a competitividade.
Esta decisão, tomada com o apoio unânime de todas as equipas e fabricantes de unidades de potência, surge como resposta a problemas observados em corridas anteriores, nomeadamente na Austrália. O objetivo é evitar que os pilotos tenham de recorrer a táticas excessivas de poupança de energia, como o «lift and coast» (levantar o pé do acelerador) ou o «superclipping» (perda abrupta de potência elétrica), que levavam os carros a abrandar em zonas de aceleração.
O circuito japonês, tal como o de Albert Park em Melbourne, caracteriza-se pela sua baixa exigência energética, com poucas zonas de travagem forte para recarregar as baterias. Esta particularidade obrigava a uma gestão de energia que comprometia o desempenho e o desafio para os pilotos, algo que as equipas já tinham antecipado para esta corrida.
Recorde-se que na Austrália, as imagens das câmaras a bordo, mesmo na volta da pole position de George Russell, mostraram os pilotos a entrar em modo de «superclipping» muito antes das zonas de travagem, alterando os perfis de velocidade. Pilotos como Charles Leclerc e Oscar Piastri chegaram a afirmar, em Xangai, que assumir mais riscos os penalizava no tempo por volta. Com esta alteração, espera-se que os pilotos possam atacar mais os limites da pista, ainda que os carros possam ser globalmente mais lentos na volta.
Já no Japão, Charles Leclerc comentou a medida: «Tenho de esperar para ver em pista, mas não creio que mude muito. Espero que o piloto possa procurar mais o limite nas curvas 8 e 9, mas não creio que vá mudar substancialmente.»
Num comunicado, a FIA explicou a decisão: «Após conversações entre a FIA, as equipas de F1 e os fabricantes de unidades de potência, foi acordado um pequeno ajuste nos parâmetros de gestão energética para a qualificação do GP do Japão, com o apoio unânime de todos os fabricantes».
O organismo acrescentou que a alteração visa manter o equilíbrio entre a gestão de energia e o desempenho. «Este ajuste reflete as opiniões de pilotos e equipas, que destacaram a importância de a qualificação continuar a ser um desafio de rendimento», pode ler-se na nota, que classifica os primeiros eventos sob os regulamentos de 2026 como um «sucesso operacional» e este ajuste como parte do «processo normal de otimização».
A FIA concluiu, garantindo que, em conjunto com as equipas e fabricantes, «continua a impulsionar a evolução da gestão energética, e preveem-se novas conversações nas próximas semanas».