«Fez-se santo!»: ex-estrela do Dortmund doou fortuna e tornou-se voluntário
Muitas vezes é notícia o pós-carreira de antigos futebolistas profissionais. Seja pelas dificuldades em encarar a vida sem futebol, o que leva muitos a perder parte das fortunas amealhadas; ou porque se tornam homens de negócios em áreas que nada estão relacionadas com o mundo da bola.
Mas Neven Subotic não se enquadra nem nuns nem noutros.
O antigo defesa central internacional sérvio, que no início da década de 2010 formou uma das melhores duplas de centrais da Europa ao lado de Mats Hummels, num Borussia Dortmund que foi a única equipa a conseguir afastar o Bayern Munique do título alemão durante mais do que um ano, dedicou-se a ajudar quem realmente precisa.
Jurgen Klopp, por exemplo, resumiu o rumo que Subotic deu à vida da seguinte forma: «Deixou de ser jogador de futebol e tornou-se num santo», lê-se no prefácio que o carismático treinador alemão escreveu «Giving it All», da autoria de Subotic.
«Ouvir isso é uma grande honra, mas é exagerado. Eu cometo muitos erros», reage o antigo jogador, de 37 anos, que em 2010 criou uma fundação que tem como objetivo levar água potável a populações da África Oriental, nomeadamente, Etiópia, Quénia e Tanzânia.
«Eu tinha grandes carros, uma mansão com jacuzzi. Agia sem pensar. Mas isso mudou em 2010: então eu quis ter controlo, e em 2012 criei a minha fundação. E depois de terminar a carreira, decidi doar tudo para a fundação: dinheiro, tempo e até os meus pensamentos. Até hoje, entre outras coisas, já proporcionámos acesso a água potável a 439.255 pessoas», orgulha-se, apesar de admitir que o objetivo está longe de ser atingido.
«No nosso primeiro ano tivemos uma faturação de 76 mil euros e hoje estamos perto dos 5 milhões por ano. Conquistámos a confiança de muitas empresas, que nos dão muita responsabilidade porque temos parcerias corporativas e um programa de embaixadores. Só isso nos permite garantir que entregamos 100 cêntimos por cada euro que nos é doado», explica, em entrevista ao Bild.
Tanta dedicação pessoal, porém, teve um custo elevado. Com o qual Subotic garante saber lidar.
«A minha fortuna não vai durar muito mais. Doei cerca de 4 milhões de euros e agora faço voluntariado. Fui profissional durante 14 anos, mas os meus salários eram baixos. Só tive ordenados na casa dos milhões de euros no Dortmund», revela o jogador que vestiu durante nove épocas a camisola do Borussia e terminou a carreira em 2021 ao serviço dos austríacos do Altach.
Desde então, todo o tempo é dedicado à Well:fair Foundation. «O meu papel mais ativo é como gestor da fundação. Claro que sou fundador, mas é possível criar uma fundação e ir dormir [risos]. Para mim o trabalho é uma bênção, mas também um pouco uma maldição. Às vezes sinto que a vida está a passar por mim porque não quero afastar-me nunca do trabalho. O que é exatamente o contrário do que acontecia enquanto futebolista».
Apesar de agora ter uma vida bastante longe dos holofotes e com um estilo que em nada tem a ver com aquele que se imagina para um antigo futebolista profissional, Subotic não renega o percurso que fez.
«Vivi experiências incríveis diante de 80 mil adeptos. A minha cabeça viajava em euforia para outro lado qualquer. Ali não se salva o mundo, mas é algo absolutamente maravilhoso», recorda.