Há um 'elefante na sala' do Benfica de José Mourinho
Há um elefante na sala do Benfica de Mourinho. O treinador português de 63 anos já foi capaz de vencer Nápoles e Real Madrid, já foi capaz de melhorar o rendimento da equipa, mas não foi ainda capaz de vencer um jogo grande em Portugal, um duelo com as melhores equipas portuguesas, aquelas que vão mais bem classificadas na Liga e que têm, indiscutivelmente, argumentos à dimensão do Benfica.
Será, pois, um incómodo para a equipa de Mourinho, que tem agora de fazer prova da sua capacidade perante o líder do campeonato, o FC Porto.
Vendo as coisas pela ótica benfiquista, é oportunidade renovada para a águia de José Mourinho discutir com alguém do seu tamanho e sair a ganhar e logo num momento em que o triunfo é tão obrigatório quanto importante, dado que permitiria aos encarnados reentrarem seriamente na luta pelo título de campeão, ficando a quatro pontos da frente. Mas só em caso de vitória.
Outro qualquer resultado não só manteria as águias longe do grande objetivo da temporada como agravaria essa tendência para falhar perante as melhores equipas portuguesas, contrariando inclusivamente os elogios do treinador, que tem sido claro na mensagem de que o Benfica está agora mais ao seu gosto, mais forte e com futebol de qualidade superior.
Bruno Lage, despedido e substituído por José Mourinho logo em setembro, levou consigo a única vitória dos encarnados contra equipas grandes da temporada. Venceu o Sporting (1-0), na final da Supertaça, conquistando o troféu.
Depois, com José Mourinho, as águias começaram por defrontar o FC Porto, a 5 de outubro, no Estádio do Dragão, para a Liga, o resultado foi um empate sem golos, numa altura em que o treinador considerava a equipa do Benfica bastante debilitada e longe daquilo que pretendia, com pouco mais de um mês de trabalho.
A 5 de dezembro chegou novo desafio de campeonato e de importância suprema, dérbi com o Sporting, na Luz. Empate 1-1, com golos de Pedro Gonçalves e Sudakov, com os leões a sairem na frente e as águias incapazes de chegar à reviravolta tão desejada.
Depois, a 28 de dezembro, com a equipa sob grande tensão, visita a Braga, para mais um encontro muito importante para a Liga. Os encarnados estiveram a ganhar e a perder e no final o 2-2 não agradou, representando a terceira igualdade com as equipas de dimensão idêntica.
O Benfica de Mourinho não ganhava, mas também não perdia, até ao momento em que reencontrou o SC Braga, na meia-final da Taça da Liga. E a 7 de janeiro, em Leiria, doeu mais, com derrota pesada por 1-3 e afastamento da final, que permitiria discutir o segundo troféu da temporada.
Se estava mal, pior ficou a 14 de janeiro: nova visita ao Dragão, agora para jogar quartos de final da Taça de Portugal. Apesar de uma exibição que agradou a Mourinho, derrota por 0-1 com o FC Porto e adeus à prova. Era a segunda derrota em cinco jogos com os outros clubes poderosos do futebol português.
Há, pois, muito a provar por parte das águias no clássico da Luz deste domingo.