Francesco Farioli quer ir o mais longe possível na Liga Europa - Foto: Rogério Ferreira/Kapta+
Francesco Farioli quer ir o mais longe possível na Liga Europa - Foto: Rogério Ferreira/Kapta+

Farioli em versão intimista: a Filosofia, os velhos capitães, a família e o ADN do FC Porto

Treinador do FC Porto falou à UEFA da sua experiência de vida, do seu trajeto como treinador e da chegada ao FC Porto

Na projeção do encontro da primeira mão da Liga Europa, Francesco Farioli deu-se a conhecer um pouco melhor numa iniciativa da UEFA, que teve como protagonista o ex-futebolista Maniche, que num vídeo liga para as instalações do FC Porto a deixar uma mensagem de incentivo que é ouvida e posteriormente comentada pelo treinador dos dragões. «Olá, pessoal. Eu, Nuno Maniche, liguei-vos para saber como estão as coisas e desejar-vos tudo de bom. Já passaram 21 anos que voei entre dragões. É verdade. Mas é ótimo que o Estádio do Dragão permanece uma fortaleza. Na minha altura, tínhamos garra. Éramos invencíveis. Ganhámos tudo juntos. Mas foi na Taça UEFA, Liga Europa, que tudo começou, para mim, com o FC Porto. Desde que fui embora, vivo-os a ganhá-la. A chegar perto e a voltar a tentar. A competir consistentemente na Europa. E a desenvolver talentos como o Rodrigo Mora. Ele faz-me sorrir quando o vejo jogar. Acredito que conseguem escrever outro capítulo maravilhoso na rica história deste famoso clube. Lembrem-se só, vocês são os dragões. Boa sorte. Falamos em breve», disse o ex-médio portista.

A mensagem foi pretexto para uma conversa com Francesco Farioli. «Uma ótima mensagem de um ótimo jogador. E especialmente de uma verdadeira legenda do clube», 23 anos depois do triunfo da Taça UEFA», elogiou. Francesco Farioli, que trouxe de novo uma outra dinâmica a um FC Porto que tinha perdido a sua identidade, é, aos 36 anos, o treinador mais jovem da UEFA. A sua abordagem está profundamente baseada na sua formação académica. «Se há uma linha comum em todas as decisões que tomei até agora, com certeza o conforto não faz parte da minha carreira. Quando terminei a escola, decidi ir estudar Filosofia. Eu fiz isso em Florianópolis. Decidi começar a minha jornada com o desejo principal de desenvolver a minha forma de pensar. Não apenas sobre o que, mas especialmente sobre como, o que eu queria fazer. A curiosidade é um dos elementos principais que me movimenta. É algo que eu demando muito dos meus jogadores. Por exemplo, o Thiago Silva, que acabou de chegar aos 41 anos de idade, é  um jogador com uma carreira incrível. Na última temporada, meu capitão era o Jordan Henderson. E na anterior, o meu capitão era o Dante. Dois deles mais velhos do que eu. Você espera que não há nada que você possa-lhes dar, ou que ensinar. Na realidade, acho que lhes dei algo, mas também aprendi muito deles. E este é absolutamente o valor real do que fazemos todos os dias».

Mas o caminho de Farioli não foi nada convencional. Sem uma carreira de jogador profissional, tornou-se adjunto (treinador de guarda-redes) de Roberto de Zerbi em Benevento, em Sassuolo. E depois assumiu o papel de treinador principal apenas com 31 anos de idade. Realizou excelentes trabalhos no Nice e no Ajax, despertando a cobiça do FC Porto. Agora, está num novo ambiente com a família ao seu lado. «Quando eu vou para casa tento-dedicar-me aos meus dois filhos, Lea e Tommaso. Quando chego a casa, a televisão está sintonizada no YouTube com músicas do FC Porto e isso cria uma dinâmica muito especial. Ainda tenho o computador em casa, mas tento não abri-lo tanto, só quando é necessário. E quando faço isso, geralmente tenho meus dois adjuntos jovens comigo para me dar conselhos para os treinos ou táticas para o dia seguinte».

Reencontro com o Nottingham Forest

Na liderança da Liga portuguesa, o FC Porto apresta-se para reencontrar o Nottingham Forest na Liga Europa, o único adversário que bateu os dragões na UEFA esta temporada, por 2-0, em Inglaterra. Agora, os ingleses são orientados por Vítor Pereira, ex-técnico dos portistas. «É uma partida que, claro, vai exigir a nossa melhor versão. Isso é claro, contra uma equipa muito competitiva, ainda mais desde que o Vítor Pereira assumiu o comando técnico. Vamos defrontar adversários difíceis. Sinto-me privilegiado e muito sortudo por fazer o trabalho que faço num clube com esse tipo de história. Trabalhar no duro está-me no sangue. Esse é o primeiro passo, um passo obrigatório, para ter sucesso», avaliou.